Zema confirma "vírus ambiental"


Discurso ecológico já contamina, positivamente, a fala, atitude e imagem pública do governador de Minas


O governador e o embaixador do Reino Unido no Brasil, Peter Wilson
Foto: Marcelo Barbosa/Imprensa MG

Durante cerimônia simples mas significativa, ontem, 09 de junho, no Palácio Tiradentes, na Cidade Administrativa de Minas, comemorativa à “Semana Mundial do Meio Ambiente”, o governador Romeu Zema (Novo) surpreendeu a pequena presença de ambientalistas convidados.

Ele fez um discurso maduro, do ponto de vista de política ambiental. Uma fala curta e objetiva, como é de seu feitio, mas, desta vez, bem mais “verde”, que é a cor da nova economia, a cor do desenvolvimento sustentável que a humanidade tanto precisa, ameaçada pelas mudanças climáticas.  

A fala de Zema se deu logo após ele assinar, com a Embaixada do Governo do Reino Unido e a Fundação SOS Mata Atlântica - mais a Semad, a Fiemg e Faemg - o protocolo oficial de adesão de Minas à campanha global “Race to Zero” (Corrida para Zero), em que o Estado se compromete a zerar suas emissões de carbono até 2050:

“Ao lado de outros parâmetros nas áreas de saúde, segurança e educação – disse ele -  Minas também tem compromisso com zero de emissões até 2050. Somos o primeiro estado a assumir esse compromisso na América Latina, no Brasil e no Hemisfério Sul. E vejo que faz todo sentido, porque Minas também é o estado que mais gera energia solar no Brasil. Nós somos o estado que tem mais florestas plantadas de eucalipto em todo o país. E agora estamos recebendo, em Nova Lima, a instalação de uma fábrica de veículos elétricos e baterias verdes. A primeira também no hemisfério sul e em toda a América Latina”. 

Tudo isso faz parte desse contexto, ele ressaltou: “Além desta oportunidade que o Reino Unido está nos dando, agradeço às entidades representativas do setor produtivo que, muitas vezes, se opõe à pauta ambiental, mas aqui nós sabemos que o agricultor sabe melhor do que ninguém a importância de uma nascente. A importância de termos rios perenes. Não adianta, enfim, nós estarmos melhorando todos os outros indicadores do Estado às custas de destruição ambiental. Porque um dia, tudo isso que foi feito assim, não servirá para nada”.

E conclamou o governador que, ao longo de já dois anos e meio de governo, pouco abraçou a pauta ambiental. E isso nas Minas Gerais, o estado brasileiro que, controverso, mais destruiu áreas de Mata Atlântica no mesmo período, número equivalente a 13 mil campos de futebol degradados: “Através deste trabalho em conjunto, com certeza, em 2050, nós teremos um estado que deixaremos para os nossos filhos e netos, melhor do que o atual”, concluiu Zema. 

A natureza atlântica aguarda.


Saiba mais:
MINAS LARGA NA FRENTE - O acordo do “Race to Zero” visa reunir lideranças engajadas em zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa por meio da intensificação de ações de descarbonização, da atração de investimentos para negócios sustentáveis e para a criação de empregos verdes; viabilizando, assim, um cenário de desenvolvimento socioeconômico inclusivo e sustentável.

Ele também define estratégias para realização de projetos de restauração ecológica e conservação de florestas, visando ao desenvolvimento de ações conjuntas e integradas para conservação e restauração ecológica de áreas no Bioma Mata Atlântica em Minas Gerais.

O Estado recebeu o título de primeiro território Subnacional da América Latina e Caribenha a aderir à campanha Race to Zero, o que atrairá diversos investimentos voltados para a sustentabilidade, para a cadeia de energias renováveis, agricultura de baixo carbono, tecnologias e processos industriais de baixo carbono, com destaque para a indústria de veículos híbridos e elétricos.