O Capitão e o Meio Ambiente


Deu na coluna do Ancelmo Gois, em "O Globo". Até os próprios militares, quem diria, também estão apostando em uma impensável conversão ecológica do presidente Jair Bolsonaro. É o que está pra ser publicado no livro “Para pensar o Exército Brasileiro no Século XXI”, fruto de uma pesquisa feita pelos historiadores Eduardo Raposo, Maria Resende e Sarita Schaffel.

Eles entrevistaram exatos 2.726 oficiais. Destes, 49% se disseram contra a presença das Forças Armadas na repressão ao tráfico de drogas e armas. E, ao contrário de Bolsonaro, 68,5% dos oficiais ouvidos se disseram contrários à diminuição do controle ecológico-ambiental para impulsionar o crescimento econômico do Brasil, o único país com nome de árvore.

O que nos faz crer: depois que o capitão conseguiu trazer o juiz Sérgio Moro e a Operação Lava-Jato para o colo do seu governo, só falta ele convocar as Forças Armadas para a defesa in loco da Amazônia e o que mais nos resta de natureza pátria. Anote aí. Se isso acontecer, o Exército, a Aeronáutica e a Marinha brasileira passariam a ser vistos pela população como "Forças Amadas".

Foto: Alan Santos - PR


Mico desnecessário

A tragédia causada pela Vale em Brumadinho deveria servir para Bolsonaro desconfiar de certos auxiliares seus, como o que o levou a dizer, em Davos, na Suíça, a informação manipulada de que “somos o país que mais preserva o meio ambiente no mundo”. Nunca fomos, infelizmente. Ainda.

No mesmo dia em que rompeu a Barragem do Feijão, o Observatório do Clima, rede de ONGs de combate às mudanças climáticas, publicou uma checagem do que anda dizendo de asneira o diretor da Embrapa Territorial, Evaristo de Miranda.

Espécie de eminência parda de Bolsonaro na área ambiental, ele instiga o novo governo eleito a acreditar que o Brasil é o campeão em áreas ecologicamente protegidas. Não é verdade, presidente. Segundo o Observatório, uma comparação com outros países mostra que, pelo contrário, não temos nada de tão extraordinário no percentual de áreas preservadas. Segundo o Banco Mundial, diz a ONG, “há 51 nações com mais áreas naturais protegidas do que nós”.

Somos, sim, o país que não aprendeu a lição, como os do Primeiro Mundo, hoje sem árvores, rios e ar puro. O Brasil que não conseguiu, isso sim, diante da força da natureza, devastar todo o verde que temos. Ainda.