Reconhecimento merecido

A gerente-geral de Comunicação Corporativa da Usiminas, Ana Gabriela Dias Cardoso, recebeu no fim de novembro, em São Paulo, o prêmio “Comunicadora do Ano” pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). Sempre com um sorriso no rosto e elegante, ela lidera a equipe de comunicação da siderúrgica e foi eleita inicialmente, pela própria entidade, uma das 10 profissionais de maior destaque da área, juntamente com representantes de empresas como Toyota, CNH Industrial, Avon, Vale, Coca-Cola e Samsung. Em uma segunda seleção, foi confirmada, por voto popular, a “Comunicadora do Ano”.



Ana Gabriela é formada em Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e em Jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte, com pós-graduação em Comunicação e Gestão Empresarial pela PUC e em Marketing pela Fundação Dom Cabral. Tem 25 anos de experiência na gestão de Comunicação, Responsabilidade Social e Relações Institucionais, com passagem também pela Gerdau. Parabéns!

O Brasil japonês de Wilson Brummer

Ao ser condecorado com a “Ordem do Sol Nascente”, durante evento em comemoração ao “Dia Nacional do Japão", no salão dourado do Automóvel Clube de BH, o empresário mineiro que, aos 16 anos, já foi frentista de posto de gasolina e se tornou presidente de grandes empresas como Acesita, Vale e Usiminas, deu o seu recado cada dia mais japonês.

Segundo ele, o que ainda nos desafia e difere como país e sociedade já acontece há mais de 30 anos. Foi quando o Japão planejou um novo futuro para si, investindo pra valer na educação de sua população. Some-se a essa visão de longo prazo a preservação de seus princípios e valores tradicionais hoje conhecidos, como sabedoria de vida (não apenas ser inteligente e ter saber técnico), respeito aos mais velhos, ouvir mais que falar, ser polido e cortês no trato com qualquer pessoa.

“São essas virtudes que mais fazem a diferença conosco, acrescidas do respeito venerável à natureza e, por isso, não poluí-la, não sujá-la, vide o que aconteceu na última Copa do Mundo, quando a torcida japonesa, por conta própria, limpou as arquibancadas do estádio ontem estava, após o jogo encerrado. Esse espírito de limpeza volta pra eles mesmos. Eles têm até a alma limpa!” - acrescentou Brummer, atual cônsul honorário do Japão em BH, agradecido por tanto aprendizado humanístico e profissional intercambiado, há vários anos, no país do sol nascente.



“Nosso futuro comum, como estado e país, está no planejamento. Foi o que mais aprendi com os japoneses na área de administração e gestão empresarial. Para eles, planejamento não é carta de intenção, é ação. Sem ação, é assombração. Nesse sentido, Minas não tem de ser a projeção do Japão no Brasil. Mas, sim, o estado brasileiro com mais experiência, cultura e atração para as grandes, médias e pequenas empresas japonesas que queiram instalar aqui.”

A homenagem recebida por Wilson Brummer teve a presença do embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada, e do cônsul-geral honorário do Japão no Rio de Janeiro, Yoshitaka Hoshino.

"Empresário burro"

Após o evento, quando soube que, pela primeira vez na história do "Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade" não houve uma só indicação para a categoria “Melhor Empresário do Ano”, ele respondeu a seu jeito, educado e polido no seu lamento: “É mesmo! Que pena...”.

Wilson Brummer faz parte da história ambiental de Minas e do país. Quando foi presidente da Acesita, já chamada de “A boca do inferno” do Vale do Aço, tamanha poluição atmosférica a céu aberto, nos idos nada ecológicos dos anos 1980, ele protagonizou duas revoluções. A primeira foi prometer publicamente e cumprir que, em um ano, instalaria todos os filtros necessários para a Acesita não mais enegrecer o céu. E assim, devolver o seu azul para o deleite, a saúde e melhor qualidade de vida da população vizinha, incluindo seus empregados e a si mesma.

A segunda revolução foi de pensamento, extensivo a seus pares. Disse ele na data prevista, quando inaugurou a nova, limpa e mais rentável Acesita: “Só empresário burro não gosta de meio ambiente”.

O “causo” arqueológico de Luzia e Fernando Coura




Registro pitoresco sobre o presidente do Sindiextra enquanto jovem espeleologista, 
na primeira expedição científica que descobriu a mulher mais antiga do planeta 


Minas são muitas, já dizia Guimarães Rosa. Os mineiros também. É o caso do engenheiro de Minas, formado pela Escola de Minas de Ouro Preto (Ufop), José Fernando Coura, que integra o Conselho Editorial da Ecológico. Que ele é natural da “Grande” Dom Silvério, como gosta de dizer; que já tomou cachaça com o Manuelzão; e continua presidente do Sindiextra, todo o setor de mineração sabe. Mas que também é espeleologista, nem todos sabem.
Pois fiquem sabendo disso. Quando, no dia 2 de setembro deste ano, o Museu Nacional pegou fogo no Rio de Janeiro, ele chorou lágrimas secretas. Emocionou-se para muito além da sua costumeira e natural emotividade pelas coisas que vêm do coração. Coura chorou, sem ser infiel, por uma famosa mulher de Pedro Leopoldo (MG), chamada Luzia, bem mais idosa do que ele, com idade entre 12.500 a 13.000 anos. Chorou, literalmente, pelo crânio dela. Isso mesmo. Pelo único vestígio de sua existência, encontrado que foi chamuscado e parcialmente salvo entre os escombros do trágico incêndio que abalou o país e o mundo.

E por que a descoberta desta mulher pré-histórica, considerada o fóssil humano mais antigo e revelador da nossa errática e anti-ecológica travessia pela Terra, o abalou tanto? Aí que entra essa informação, em primeira mão, da Ecológico. Porque o nosso Fernando, na altura dos seus 21 anos de idade, na época - é claro – integrou a primeira expedição científica que encontrou o esqueleto de Luzia, na Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo. Isso, em 1975, sobre o comando da espeleologista Annette Laming-Emperaire, do Museu L´Homme de Paris


O espeleologista Fernando Coura
aos 21 anos, na Lapa Vermelha
Este “causo” é verdadeiro e está relatado no número 7, de outubro deste mesmo ano, da Revista Espeleologia. Àquela época, quase meio século atrás, Coura era secretário da Sociedade Excursionista e Espeleológica dos Alunos da Escola de Minas, hoje EMM-UFOP, de Ouro Preto.

E a descoberta de Luzia – mal sabia a expedição da sua futura importância mundial – foi registrada em apenas uma longa frase: “Entre a Gruta do Quilombo e a Lapa Vermelha II, a uns 4 metros de profundidade... foi descoberto um crâneo humano, com idade mínima de 9.500 anos, num terreno evidenciado por fogueiras antigas e pinturas rupestres”.

O que vale aqui é registrar a diversidade profissional, cultural e ocupacional de Coura. Além da mineração sustentável, do Sindiextra e do Manuelzão – o vaqueiro-mor que guiou a travessia de Guimarães Rosa pelo grande sertão e as veredas de Minas –, o nosso engenheiro dom-silveriense também tem esse outro caso de amor platônico e incomum revelado. Com o fóssil de Luzia, a homo sapiens mais antiga que ele ajudou a ser descoberta e mostrar quem nós já fomos sobre a face da Terra.


Grande Fernando!