O dia em que Chico Bento se “encontrou” com Chico Mendes e Paul McCartney


Conheça os vencedores do IX Prêmio Hugo Werneck 2018



Foi o que simbolicamente aconteceu ontem em Belo Horizonte, na cerimônia da nona edição do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, que homenageou o cartunista Mauricio de Sousa e mais 12 projetos de empresas, iniciativas individuais, ativistas e personalidades da cena ambiental mineira e nacional.

Presidida informalmente pelo vice-governador eleito de Minas, Paulo Brant, a entrega dos troféus ocorreu em meio a fortes emoções, no Espaço de Eventos da Unimed-BH. E culminou com o encontro emocionante do personagem Chico Bento com a professora e diretora da Escola Municipal de Bento Rodrigues, Eliene Almeida, considerada a “heroína” de Mariana, e 11 dos 58 alunos que ela salvou da onda de lama e rejeitos de minério que vazou da Barragem de Fundão, há três anos.
Após entregarem a estatueta ao personagem, as crianças assistiram ao vídeo “How Many People?” (Quantas pessoas?) do beatle Paul McCartney, em homenagem ao ambientalista Chico Mendes, assassinado há 30 anos por defender a Floresta Amazônica.

 Mais de 100 projetos – Sob o tema “A Sustentabilidade na Floresta, no Campo e na Cidade – De Chico Mendes a Chico Bento” e embalado pela canção “Céu de Santo Amaro”, de Flávio Venturini e Caetano Veloso, o prêmio recebeu 109 projetos e indicações, 30% a mais do que em 2017. Mais de 250 autoridades, empresários e finalistas prestigiaram o evento.

Entre eles, o secretário de estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas, Germano Vieira, premiado na categoria “Personalidade do Ano”; Marcelo Ligere, diretor regional da TV Globo Minas; Antonio Batista, presidente-executivo da Fundação Dom Cabral; e Nelson Missias, presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

O homenageado do ano, Mauricio de Sousa estava em compromisso no Japão e foi representado por sua filha Magali, que mora em BH. Carregando uma boneca da personagem que leva seu nome, Magali esbanjou simpatia ao posar para selfies com os inúmeros fãs de seu pai e também ao abraçar, no palco, o boneco Chico Bento.


 A seguir, conheça os vencedores do Prêmio Hugo Werneck 2018:


 1. Homenagem do Ano
MAURICIO DE SOUSA, desenhista, cartunista e criador da Turma da Mônica

 2. Personalidade do Ano
GERMANO VIEIRA, secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

 3. Homenagem Especial
JOSÉ CLÁUDIO JUNQUEIRA, ambientalista e ex-presidente da Feam

 4. Melhor Parceiro Sustentável
ARCELORMITTAL – PRÊMIO ARCELORMITTAL DE MEIO AMBIENTE

 5. Melhor Projeto de Parceiro Sustentável
“PROJETO TODOS PELA ÁGUA”, Usiminas

 6. Melhor Empresa
UNILEVER – FÁBRICA POUSO ALEGRE (MG)

 7. Destaque Nacional
“PROJETO ASSENTAMENTOS SUSTENTÁVEIS DA AMAZÔNIA” - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam)

 8. Destaque Estadual
ONG BRIGADA 1

 9. Destaque Municipal
“SALVADOR, CAPITAL DA MATA ATLÂNTICA” – Secretaria Municipal de Cidade Sustentável e Inovação de Salvador (BA)

 10. Melhor Exemplo em Flora
HELTON JOSUÉ MUNIZ, o maior plantador de árvores frutíferas do Brasil

 11. Melhor Exemplo em Educação Ambiental
“O INCRÍVEL INVISÍVEL: MICRO-ORGANISMOS EM AÇÃO” – Escola Municipal Professora Maria Modesta Cravo/Cidade Nova (BH)

 12. Melhor Exemplo em Fauna
“PROJETO FAUNA SEM LAR” – Centro de Biodiversidade da Usipa

 “PROJETO MANEJO ÉTICO DE CAPIVARAS URBANAS PARA CONTROLE DA FEBRE MACULOSA” – Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte

 13. Melhor Exemplo em Resíduos Sólidos“PROGRAMAS NACIONAIS DE RECICLAGEM” – Terracycle do Brasil 

Confira as fotos do evento!

 

Mundo Mineral





Causou boa repercussão a nomeação do belo-horizontino Tiago Alves, 34 anos, como novo gerente corporativo de Meio Ambiente da Anglo American Brasil. Ex-coordenador de Desenvolvimento Sustentável, ele tem graduação em Ciências Sociais e mestrado em Arqueologia e Antropologia Social pela UFMG. Nada acontece por acaso. Senso de responsabilidade, vestir a camisa da empresa e da ecologia social (simpatia e bom trato com as pessoas, sejam elas moradoras da roça, da cidade ou do melindrado meio político), também fazem parte do seu perfil.


Zema já tem duas indicações naturais para as secretarias de Meio Ambiente e de Agricultura
























Foto: Luis Ivo - Divulgação


Caro Romeu Zema, resgatar um velho e sábio jeito de bem escolher e nomear com acerto seus futuros secretários, pode ser uma escolha mais que estratégica. Isso se aplica, em particular, às pastas do Meio Ambiente e da Agricultura, desde que não unificadas, pelo amor de Deus, como a Ecológico também vem sugerindo ao presidente Jair Bolsonaro, diante da possibilidade de fusão dessas áreas em nível federal.

No caso da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), hoje modelo e estado de arte em gestão pública, aplaudida ao mesmo tempo pelos ambientalistas e o setor produtivo – tanto do ponto de vista administrativo como de autonomia financeira, quanto da agilização recorde nos processos de licenciamento ambiental –, o novo governador não precisa gastar seu precioso tempo nessa delicada área.

Basta perguntar aos próprios funcionários da Semad, atualmente valorizados e com a auto-estima lá em cima, quem eles sugerem para ser seu próximo secretário que a resposta será natural. Trata-se de um servidor público de carreira que, se Pimentel ou Anastasia tivessem vencido, e isso é voz corrente, seria mantido pelo que vem fazendo.

Ou seja, se esse time já está ganhando, preservá-lo, caro Zema, significa receber o bastão do que já é inovador na área ambiental, antes mesmo da posse.

Já a Secretaria da Agricultura, ela sim, ao contrário da Semad, precisa que o novo governador lhe estenda a mão e a valorize, tamanho abandono e falta de transparência  ao longo dos governos anteriores. Ainda lhe falta um novo e naturalmente compromissado secretário que seja doutor, agricultor, ruralista, técnico e pecuarista ao mesmo tempo.

E esse novo nome que, ano a ano, vem incorporando o discurso da sustentabilidade no campo e na cidade, a ponto de se dizer um “pregador hídrico”, também já existe, na minha humilde mas experiente percepção.

Líder natural do setor, ele tem endereço bastante frequentado na capital onde trabalha, mais mineiro impossível, apesar de articulado e eficiente. Fica na Avenida do Contorno, 1771. Defronte à Igreja Nossa Senhora das Dores. Não à-toa, cuidando da Agricultura no bairro chamado... Floresta.

Kinross premiada




Há mais de duas décadas, a Kinross Brasil Mineração desenvolve pesquisa aplicada em drenagem ácida, adotando medidas sustentáveis que garantem a qualidade da água usada na operação. Em reconhecimento ao trabalho realizado na mina do Morro do Ouro, em Paracatu (MG), a empresa recebeu o Prêmio “Global Practice Award”. A honraria ocorreu na cidade de Pretória, na África do Sul, sendo recebida pelo seu diretor de Sustentabilidade e Comunicação da Kinross, Alessandro Nepomuceno (foto).

Biblioteca comunitária




O Instituto Ecofuturo, junto com a Suzano Papel e Celulose, avançou em mais uma etapa na implantação de uma Biblioteca Comunitária em Malacacheta (MG), com apoio da prefeitura municipal.

Trata-se de uma mobilização comunitária, realizada na Escola Municipal Eva Ribeiro Mendes, que receberá o projeto, e reuniu 200 pessoas. Na ocasião, foi apresentado o "Programa de Educação Ambiental", que envolverá professores e alunos da rede pública de ensino. Ambas as iniciativas integram o "Nascentes do Mucuri", projeto idealizado pela Suzano e desenvolvido por vários parceiros, que promove a restauração das nascentes do rio e o desenvolvimento local.

Com inauguração prevista para 2019, a biblioteca receberá 1.000 livros novos, dois computadores, impressora, software para gestão da biblioteca, equipamento de TV e Blu-Ray, além do mobiliário necessário para compor o espaço.

Obrigado, Kalil!



Vidas não mais secas agradecem à PBH no Boulevard do Arrudas

Uma semana. Esse foi o tempo gasto pela Prefeitura de Belo Horizonte para se posicionar – e agir – com relação ao abandono e à morte em série, por falta d´água, de quase uma centena de palmeiras exóticas ao longo do Boulevard do Arrudas, na capital mineira. A denúncia, que teve retorno célebre por parte da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, foi postada no último dia nove, no site Revista Ecológico, cuja versão impressa irá circular no próximo dia 24, lua cheia de outubro.

Até o feriado do último dia 12, um pequeno exército de funcionários da PBH, munido de ferramentas, camionetes e pequenos guindastes, fez um exemplar mutirão verde. E retirou 36 árvores já mortas. Cortou as folhas secas e podou outras 34 ainda vivas em estado agonizante.

Quanto às palmeiras saudáveis, um terço do total plantado terá o mesmo destino das demais salvas, incluindo as novas mudas substitutas: terra nova, adubo, manutenção e rega permanentes, duas vezes por semana.

Detalhe conspiratório, para não dizer parceiro da prefeitura: as chuvas chegaram juntas à providência de salvá-las.

A natureza humana também agradece.

Parabéns!

A praça mais árida da liberdade
















Que me perdoem a presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), Michele Arroyo, o prefeito Alexandre Kalil, o governador Fernando Pimentel, a Vale (que investiu R$ 5,2 milhões) e todos os arquitetos e paisagistas responsáveis pelas obras da "nova" Praça da Liberdade, símbolo maior da capital dos mineiros.

Mais que isso. Eu os convido a chamarem seus filhos, netos e sobrinhos – incluindo qualquer casal de idosos ou namorados – para ver se suportam ficar com eles mais de meia hora, sem chapéu ou sombrinha, na futura praça quase totalmente sem sombra, apartada que foi do seu antigo bucolismo.
É vero e inclemente. Nenhum de vocês, autoridades e autores do projeto, conseguirá achar um só metro quadrado ali sem sol fervente para, naturalmente, poder se esconder do calor cada vez mais infernal de Belo Horizonte. Tudo porque seus paisagistas e arquitetos se esqueceram ou não levaram em consideração em suas pranchetas a realidade hoje global das mudanças climáticas.

Em vez do velho e ecológico manejo florestal, que seria mais sustentável (manter as árvores condenadas e suprimi-las à medida que novas e saudáveis árvores fossem crescendo, mantendo uma meia sombra, no mínimo, para a população), o que eles fizeram de desecológico ali?
Exageraram matematicamente na dose, e sempre contra o verde. Sem sensibilidade social cortaram exatas e condenadas 30 senhoras-árvores, incluindo o romântico corredor de ciprestes-gigantes onde tantos de nós já namoramos escondidos. E, pra compensar, vão plantar outras... 20 (dez a menos!). Isso mesmo. E que só vão dar sombra daqui a quatro, cinco, seis anos.

Até lá, como os frequentadores vão se esconder de tamanha e infeliz insolação, vide que as árvores mantidas também foram podadas ao extremo, eliminando todas as suas saias? Cortaram até um terço de seus galhos e folhas.

Que natureza, agora, vai filtrar os raios ultravioleta e poupar as pessoas do câncer de pele e do envelhecimento precoce? Um horror urbanístico, enfim, que, in memoriam, deve estar estarrecendo Paul Villon (1841-1905), o famoso paisagista francês também responsável pela criação do Parque Municipal e da Praça Raul Soares, numa época mais romântica e com clima ameno.
Ele deve estar se perguntando no túmulo: “Como podem ter tornado tão árida e desumana a praça que sonhei bucólica e amei sem suor nessa 'Cidade Vergel', assim descrita nos versos de Olavo Brás dos Guimarães Bilac? E isso, justamente nessa cidade que já foi chamada de Jardim, não à toa, a 'Paris brasileira'?"

- Pardon, pardon, monsieur Villon!
Parece que nós ainda temos medo e ódio atávicos do verde, da vida natural. O que talvez explique a nossa atração fatal pelo excesso de cinza do cimento e do asfalto que nos desumaniza.

- Pour l´amour social, s'il vous plaît!
No fundo, no fundo, como também diria o professor e ambientalista Hugo Werneck, nós ainda não percebemos, não respeitamos, não somos gratos, não amamos e muito menos sabemos o que fazer com a natureza que Deus nos deu.

- O ódio ou a indiferença ao verde (leia-se o calor intensificado com a falta e a supressão violenta de árvores em todo o planeta, e não somente na nossa devastada e desvitalizada Praça da Liberdade) só se estabelece nos espaços em que o amor natural não entra.
Por que não incluí-lo?


A lembrança de Vital



O colega J.D. Vital (foto) não deve estar nada alegre com as últimas notícias sobre “Os cedros de Deus”, símbolos naturais do Líbano. Em excelente artigo publicado na edição 100 da Ecológico (leia mais em www.souecologico.com), ele mostrou como beleza, história, religião e resiliência podem florescer juntos mesmo onde chove pouco e a natureza é hostil. Agora, o último painel da ONU sobre Mudanças Climáticas revelou que essas árvores milenares também estão sendo afetadas drasticamente pelo aquecimento climático. Só não estão morrendo precocemente por falta de água e frio, aquelas ainda sobreviventes nas altitudes maiores, acima das nuvens e mais perto do céu. Ou do próprio Deus, como os libaneses sempre as veneraram.


O "Céu de Santo Amaro" em BH


Será no novo Espaço de Eventos da Unimed, na capital mineira, com capacidade para até 350 pessoas, a solenidade da nona edição do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza, já com data, tema e trilha sonora previstos: dia 20 de novembro, logo após as eleições, sob o tema "A Sustentabilidade na Floresta, no Campo e na Cidade - De Chico Mendes a Chico Bento”.

A música escolhida é “O Céu de Santo Amaro”, de Flávio Venturini, gravada em dueto com Caetano Veloso. A proposta da premiação ambiental, este ano, é retratar os avanços da ecologia rural. Desde o assassinato de Chico Mendes, há 30 anos atrás, por defender a Floresta Amazônica. Até a criação do personagem de quadrinhos Chico Bento que, junto da Turma da Mônica, desde a ECO/92 no Brasil, já cresceu, se formou em Agronomia para ajudar a melhorar a qualidade de vida de seus pais na roça, tornando o campo e a cidade onde vivem mais sustentáveis.


Não à-toa e com justiça, o homenageado este ano, a exemplo do fotógrafo-ambientalista Sebastião Salgado em 2017, será o famoso cartunista Maurício de Sousa, que em uma de suas aparições em terras mineiras, mais precisamente em 19 de dezembro de 2002, lançou a Campanha “Óia o Chico”, do Ibama e IEF, de recuperação do Rio São Francisco.

As indicações e inscrições podem ser feitas gratuitamente pelo site premiohugowerneck.com.br.

Que Bento Rodrigues queremos no futuro?

“É de coração que assino esse documento e essa esperança.” Foi o que declarou, emocionado, Germano Vieira, titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), quando da recente licença ambiental dada pelo Governo de Minas à Fundação Renova, para a construção do aguardado novo distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. É de coração, também, a expectativa da Revista Ecológico que, desde a tragédia ocorrida, não apenas reportou as suas graves consequências. Mas, tão importante, a quantidade de soluções sugeridas por uma multidisciplinaridade de atores sociais e institucionais, desde ambientalistas a técnicos e autoridades do setor, para a sua reconstrução diferenciada como um exemplo de construção sustentável.

Reconstruir localidades, tais como tradicionalmente elas eram em seus espaços físicos e afetivos, Minas sabe fazer. E bem feito, vide os exemplos de sucesso que a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) implantou em Nova Ponte e Irapé, onde suas populações tiveram de se mudar (e para melhor), por causa do alteamento das barragens de captação d'água.
A pergunta que não quer calar é: os moradores de Bento Rodrigues ganharão tão somente um novo povoado? Ou, mais além, o mesmo e saudoso distrito, porém edificado sob a ótica da sustentabilidade, com energia solar, lâmpadas de LED, pisos e paredes de bloquetes feitos com a própria lama de rejeitos, fiação subterrânea, mais arborização do que havia antes, lixeiras em todos os quarteirões, praças e jardins, bancos com encostos para a terceira idade, sistemas de reúso de água e sanitários econômicos?
Como bem apontou o ex-ministro do Meio Ambiente e conselheiro da Revista Ecológico, José Carlos Carvalho, em artigo publicado no jornal O Tempo, intitulado “A solução do Rio Doce”, a Fundação Renova tem todo o respaldo e governança para isso. Inclusive, a participação doravante mais inclusiva dos atingidos no processo decisório.
O novo Bento Rodrigues, enfim, será o velho Bento ou o Bento de um futuro exemplar, economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente mais justo, que é o outro nome da sustentabilidade que todos sonhamos?
Com a palavra, a Fundação Renova, a Prefeitura de Mariana e os moradores ainda em transe do antigo distrito.

O desamor social ronda o atlético






“Se houver uma camisa preta e branca pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento”, já dizia, com propriedade, meu ex-colega de trabalho, o jornalista e escritor Roberto Drummond. Esse espírito forte e vingador fez bater esquisito e triste, noite dessas, meu coração atleticano. Foi quando participei, como torcedor e observador anônimo, da última audiência pública realizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte (SMMA) sobre o projeto da futura Arena do Galo, na capital mineira.

Minha alegria, em preto e branco, compareceu primeiro. E se encantou. O projeto, em termos arquitetônicos, assinado pela Farkasvölgyi Arquitetura, é maravilhoso. Moderno, ousado e futurista. Na medida certa para a grande massa atleticana chamá-lo orgulhosamente de seu e, a partir de 2020, reconhecendo-o como sua
nova sede social.

Por tudo isso, é claro, a sua concepção não recebeu uma só crítica das poucas pessoas representantes das comunidades da futura arena ali presentes. Obteve só elogios, inclusive de quem é contra a sua localização. O projeto prevê a edificação de uma arena multiúso, lembrando um disco voador, como se tivesse descido do céu e se fixado num terreno doado pela MRV Engenharia.

Onde? Eis aí a questão para a qual só o amor alvinegro pode protagonizar um placar compensatoriamente justo. A sua construção, cujo processo de licenciamento ambiental ainda está em discussão no Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam), está prevista em uma área verde no Bairro Califórnia, vizinho do Camargos, na Região Oeste de BH.
Fica a menos de um quilômetro da Estação Eldorado do Metrô, como exige o protocolo da Fifa. E entre três grandes corredores de tráfego: a Via Expressa Leste-Oeste, o Anel Rodoviário e a BR-040, como exige o bom senso, para não dizer solução, caso Prefeitura, Estado e MRV construam alças de acesso. Tanto para não atrapalhar mais ainda o trânsito ali caótico, como para permitir que populações vizinhas à arena, hoje já divididas e ilhadas por essas vias, não fiquem ainda mais apartadas. Deixando, paradoxalmente, como vizinhas e torcedoras mais próximas, de usufruir do novo espaço.

- Vocês vão incluir a construção dessas alças para a gente também frequentar a arena?
- Vamos ter também o posto de saúde pública que, há anos, reivindicamos aqui para a região?
- Vão implantar um parque ao redor, para proteger as nascentes do nosso Córrego Morcego?
- E as áreas verdes (35% de área do terreno) vão ter só árvores plantadas em meio ao asfalto e ao cimento?

- O Atlético vai pensar e incluir tudo isso no projeto, antes de ele voltar ao Comam?
Foi o que vozes majoritárias, brancas e pretas, mais perguntaram, na maioria dos casos em tom baixinho, de tanta humildade, ao microfone. Dúvidas e esperanças que encheram o recinto de perguntas pertinentes, mesmo ouvindo, várias vezes, representantes da própria SMMA desanimar os moradores, cortando seus sonhos e direitos: “Informamos a todos os presentes que a audiência pública de hoje não tem caráter deliberativo”.
Então, para que ouvir a comunidade, se ela, oficialmente, não terá voz – nem vez? Foi o que meu coração começou a se perguntar também. E quando um ambientalista da região foi agredido verbalmente por um dos moradores, seu vizinho, envolto na bandeira do meu Atlético, aí é que doeu demasiadamente. Comprovou o encaminhamento errático e desigual da audiência, algo equivalente ao embate entre David e Golias, tornando inimigos aqueles torcedores que vestem a camisa
da sustentabilidade.

Mostrou que, na prática, a julgar pelo correr da carruagem política, o licenciamento ambiental já está concedido. E não irá contemplar esses pedidos sociais e legítimos de ambos os bairros, cujos moradores serão impactados pela presença de até 47 mil pessoas, a cada dia de jogo ou eventos de massa na nossa futura arena.

Gol de placa

Nada garantido, enfim, de alças rodoviárias, nem nascentes protegidas, parque ou posto de saúde. A menos que, de mãos dadas e espontaneamente, o nosso glorioso Clube Atlético Mineiro e a MRV, a maior e mais sustentável construtora do país, que já doou o terreno, num gesto louvável, façam isso por amor ao mesmo clube que amamos. E incluam, por vontade própria, todas essas condicionantes naturais e óbvias, num projeto maior. E aí, sim, autodeliberativo, ele se transforme em um presente ecologicamente completo a Belo Horizonte, muito além do que apenas à torcida do Galo.
Seria um verdadeiro gol de placa, também chamado de amor social. Um amor maior, enfim, que Roberto Drummond também certamente aplaudiria. Incluir tudo aquilo que, mesmo por força de lei, nem a prefeitura nem o Estado, nem os órgãos oficiais, muito menos o atual modelo ultrapassado de licenciamento ambiental irá fazer por aquelas pessoas tão simples, sem prestígio nem apoio político presentes na audiência.
Que a diretoria do nosso querido Atlético estique um outro varal, no qual a camisa branca e preta do amor torça contra o vento do desamor. E que você, caro Roberto Drummond, esteja conosco, em espírito, quando da inauguração da ambiental e socialmente mais amorosa Arena do Galo.

Turma Ecológica


Além de ser o “Homenageado do Ano” da próxima edição do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, cujo slogan será “A Sustentabilidade na Floresta, no Campo e na Cidade - De Chico Mendes a Chico Bento”, o cartunista Mauricio de Sousa tem outra agenda à frente da Turma da Mônica: ensinar e ajudar as pessoas, desde crianças, com dicas sobre a administração futura das suas finanças pessoais. A ideia, firmada com a Sicredi, uma das maiores cooperativas de crédito do Brasil, é a produção de seis gibis sobre o assunto. E em outubro, a sua turma, hoje presente em 29 países, vai estrear, com personagens interpretados por crianças, mais uma aventura na tela grande: o filme “Laços”.


Confirmação Agro

Mário Campos, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do Estado de Minas Gerais (Siamig), será mesmo o novo titular do Conselho de Empresários para o Meio Ambiente da FIEMG, na gestão Flávio Roscoe. Familiaridade com o tema não lhe falta. Foi o que ele demostrou, como convidado, no último almoço-palestra promovido pela Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE-MG), na capital mineira. Sua apresentação sobre a sustentabilidade do setor, dispensou perguntas. Ele citou que “sem o agro não há etanol,  nem açúcar e bioeletricidade” para tocar o desenvolvimento econômico do país de forma sustentável. E lembrou que biocombustível, a exemplo do etanol, é energia solar capturada através da fotosíntesse: “Não existe outra energia assim armazenada e distribuída de forma tão eficiente, econômica e segura para o meio ambiente”. 


Mário Campos, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do Estado de Minas Gerais (Siamig), será mesmo o novo titular do Conselho de Empresários para o Meio Ambiente da FIEMG, na gestão Flávio Roscoe. Familiaridade com o tema não lhe falta. Foi o que ele demostrou, como convidado, no último almoço-palestra promovido pela Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE-MG), na capital mineira. Sua apresentação sobre a sustentabilidade do setor, dispensou perguntas. Ele citou que “sem o agro não há etanol,  nem açúcar e bioeletricidade” para tocar o desenvolvimento econômico do país de forma sustentável. E lembrou que biocombustível, a exemplo do etanol, é energia solar capturada através da fotosíntesse: “Não existe outra energia assim armazenada e distribuída de forma tão eficiente, econômica e segura para o meio ambiente”. 



Turma ecológica

Além de ser o “Homenageado do Ano” da próxima edição do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, cujo slogan será “A Sustentabilidade na Floresta, no Campo e na Cidade - De Chico Mendes a Chico Bento”, o cartunista Mauricio de Sousa tem outra agenda à frente da Turma da Mônica: ensinar e ajudar as pessoas, desde crianças, com dicas sobre a administração futura das suas finanças pessoais. A ideia, firmada com a Sicredi, uma das maiores cooperativas de crédito do Brasil, é a produção de seis gibis sobre o assunto. E em outubro, a sua turma, hoje presente em 29 países, vai estrear, com personagens interpretados por crianças, mais uma aventura na tela grande: o filme “Laços”.


Piedade hídrica




A primeira experiência em compartilhamento de gestão hídrica, envolvendo uma empresa privada de saneamento, uma Área de Proteção Ambiental (APA) e moradores preocupados com a questão ambiental, está acontecendo no sopé da Serra da Piedade, na histórica Caeté, sob as graças de Nossa Senhora da Piedade, a padroeira de Minas. Trata-se de um convênio recém-assinado entre o Serviço Autônomo de Água e Esgoto  (SAAE) do município e a Associação Comunitária Quintas da Serra (ACQS), cujo objetivo é diagnosticar as nascentes que ainda brotam nas matas ao redor da Serra. E, depois, definir um prognóstico capaz de otimizar a distribuição, o uso sustentável e a regularização das águas ainda abundantes, como por milagre, em meio a tanto verde.

À frente da superintendência do SAAE está o biólogo Renê Renault, ex-secretário municipal de Meio Ambiente, Cultura e Turismo de Caeté, cuja maior experiência foi ter gerenciado, durante três anos, a criação e a gestão da APA-Sul, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na pauta, a criação de um Conselho Consultivo e um plano de manejo de flora e fauna, por se tratar de uma autossustentável Unidade de Conservação.

Memória ambiental






Na celebração dos seus 18 anos de atividades, realizada com simplicidade no auditório do CREA-MG, na capital mineira, a Organização Ponto Terra foi elegante. Aproveitou a presença seleta do público e prestou uma homenagem aos ambientalistas históricos de Minas Gerais. Quem mais foi reverenciado e agradeceu em nome dos companheiros de luta e ideal, foi o professor Angelo Machado, que preside a Fundação Biodiversitas. Mesmo com problemas de saúde, o decano dos ambientalistas compareceu à homenagem e não perdeu o bom humor: “Na minha idade e condições físicas, subir escada virou esporte radical” – disse ele.

Graças à maioria dos companheiros ali condecorados com o troféu “Laços da Amizade”, como lembraram José Cláudio Junqueira e Roberto Messias Franco, conselheiros da Ecológico, é que Minas e o Brasil têm hoje preservados, para sempre, o Parque Nacional da Serra do Cipó; o Parque Estadual do Rio Doce, chamado de “A Amazônia mineira”; o Parque Municipal das Mangabeiras, a maior área verde protegida de BH; e a Mata do Jambreiro, em Nova Lima, a maior área original de Mata Atlântica que sobrou em toda a Região Metropolitana, dentre outras conquistas verdes.
Também foram lembrados: a Revista Ecológico, que agradece a distinção verde, e Hugo Werneck, in memoriam. E Célio Valle, ausente, que virou fazendeiro e não sai mais do mato, onde diz estar experimentando a sustentabilidade na prática.

Sou Ecológico

Bom exemplo ecológico
O "Prêmio Bom Exemplo" 2018, iniciativa do jornal O Tempo, da TV Globo Minas, da Fundação Dom Cabral e da Fiemg, acertou, mais uma vez, na área ambiental. E, principalmente, fez justiça a quem, mesmo distante da capital e da grande mídia, e já com idade avançada, ainda luta sozinha e sem holofotes pelo que nos resta de natureza. A grande vencedora este ano é a ativista Alice Lorentz Godinho, presidente do Movimento Pró-Rio Todos os Santos e Mucuri, no nordeste de Minas. Amante das águas, a ambientalista é pós-graduada em Gestão e Educação Ambiental e integra o Fórum Mineiro do Comitê de Bacias Hidrográficas. Por sua luta pessoal e atuação como líder pela despoluição e preservação dos rios da região, ela foi homenageada em 2009, pela Assembleia Legislativa de Minas. E, em 2010, pelo “I Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, na Categoria “Melhor Exemplo em Terceiro Setor”. Parabéns a ela e aos jurados!Em tempo: Nil César, multiartista e coordenador do espaço cultural Grupo do Beco, no Morro do Papagaio, em BH, também é um dos homenageados do "Prêmio Bom Exemplo" (categoria “Cultura”). Nil é outro que não é um estranho no ninho do “Prêmio Hugo Werneck”: em 2015, abrilhantou o palco da edição da maior premiação ambiental do país ao lado da atriz Kátia Couto (foto à dir.), quando declamaram o poema “Águas e Mágoas do Rio São Francisco”, de Carlos Drummond de Andrade. Aplausos!

Etanol versus gasolina

Foi como o próprio titular da Semad, Germano Vieira, chamou os membros do Instituto Mineiro de Desenvolvimento Ambiental (IMDA) que o visitaram, em seu gabinete. Na pauta, experiência, vivência e apoio técnico-informal na já bem avaliada condução da política estadual de Meio Ambiente em Minas Gerais.

Dados da Fundação SOS Mata Atlântica apontam que o uso de etanol nos carros flex em circulação no Brasil nos últimos 14 anos evitou a emissão de cerca de 440 milhões de toneladas de gás carbônico. Ou seja, de dióxido de carbono (CO2), um dos principais causadores do aquecimento global e, consequentemente, do efeito estufa. Esse índice é maior do que o alcançado no mesmo período, em conjunto por Argentina (209 milhões de toneladas), Chile (87) e Colômbia (85). A expectativa é que cada vez mais brasileiros utilizem etanol em vez de gasolina. Os testes realizados em laboratório mostram que o litro do álcool rende 70%, em média, do litro da gasolina. Porém, um novo estudo do Instituto Mauá e da Única - União da Indústria de Cana-de-açúcar, feito em vias públicas, aponta que esta média pode variar entre 70,7% e 75,4%, uma diferença considerável no bolso do consumidor. Com a palavra, o governo e o próprio setor que não conseguem manter um valor mais acessível do etanol ecológico para a população, em comparação com a vilã gasolina. Quem ganha com isso é a poluição. Quem perde, somos todos nós.


Conselhão do Germano







Foi como o próprio titular da Semad, Germano Vieira, chamou os membros do Instituto Mineiro de Desenvolvimento Ambiental (IMDA) que o visitaram, em seu gabinete. Na pauta, experiência, vivência e apoio técnico-informal na já bem avaliada condução da política estadual de Meio Ambiente em Minas Gerais.


Pedido verde
É uma pena a super-secretária Adriana Branco até hoje não nos permitir acesso ao prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. É verdade, e ela não explica o motivo. Se deixasse, nessa primeira vez, além de entregar uma camisa ecológica do Atlético a que ele faz jus pela campanha da Revista Ecológico "Clubes Unidos pela Natureza", só queríamos lhe fazer um pedido verde.
Para cada uma das duas mil árvores “condenadas” à morte antecipada na capital mineira, face ao risco de caírem e causarem novas tragédias, ele exigir o replantio de, no mínimo, três novas mudas. Em vez do anunciado “uma por uma”, feito pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Isso equivaleria a uma árvore a mais do que, em 2011, quando o ex-prefeito Marcio Lacerda foi obrigado a fazer o replantio em compensação pelas obras viárias relativas à Copa do Mundo.
Sob críticas, Lacerda não sacrificou apenas duas mil árvores. Retirou da nossa paisagem fervente nada menos que 22 mil exemplares, a maioria em seu maior esplendor visual, incluindo aquelas que haviam se tornado “florestas urbanas", tamanha quantidade de sombra, flores, passarinhos, ar puro e um microclima mais ameno ao redor do cimentado, asfaltado e árido Mineirão.
“Vamos plantar 44 mil novas árvores, com mudas já desenvolvidas, estaqueamento e tudo. Isso é mais que o dobro do que temos de cortar”, prometeu Lacerda. E cumpriu, inclusive participando da maioria dos plantios, o que mudou a opinião pública contrária, e lhe valeu, como reconhecimento, entre outros, a conquista do “II Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, em 2011, na categoria “Melhor Político do Ano”.
É esse o nosso pedido a Kalil, que um dia nos disse, quando ainda presidente do Galo: “O que for bom para a natureza, é bom para o Atlético”. Se não puder ultrapassar Lacerda, com um placar de 3 a 1, que sua gestão "marque" pelo menos 2 a 1. Mas nunca 1 a 1, que é empate e não vitória da natureza na história da nossa ex-Cidade Vergel do Brasil.

Grande Bebeto!
Receba também as homenagens da Revista Ecológico! Fomos amigos de infância em Caxambu, pegando as bolas de bocha para os veranistas no Parque das Águas, lembra-se? Foi onde, em meio à natureza exuberante, à “Medicina entre Flores” descrita por Ruy Barbosa, que você deu os primeiros passos em sua carreira esportiva vitoriosa. Vamos sentir sua falta.
Saudações caxambuenses!

Novo gerente de Relações Institucionais da Norte Energia - Usina Belo Monte

Reconhecimento profissional e vida que segue. O capixaba Fernando Künsch, ex-Samarco, considerado o gentleman da comunicação tanto no Espírito Santo, onde começou sua carreira, como em Minas, onde “construiu pontes”, parcerias e amizades além da área de mineração, é o novo gerente de Relações Institucionais da Norte Energia (Usina Belo Monte), em Vitória do Xingu (PA)

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