“Novo coronavírus é reflexo da degradação ambiental”




A afirmação acima tem valor. E ela não vem calçada somente pelos ambientalistas de plantão. Mas pelos próprios cientistas que integram o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Segundo eles, em seu último relato já disponível na internet sobre a pandemia do novo coronavírus, as doenças transmitidas de animais para seres humanos estão, sim, em ascensão exponencial nunca vista. E pioram cada dia mais, em escala planetária, à medida que os habitats selvagens continuam a ser destruídos pela atividade e ignorância humanas.
Os cientistas sugerem que habitats degradados podem incitar e diversificar todo tipo de doenças, uma vez que os patógenos se espalham facilmente tanto para rebanhos animais quanto entre seres humanos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que o morcego é a provável fonte de transmissão do coronavírus (COVID-19), que está infectando milhares de pessoas em todo o mundo e pressionando a economia global.
Também é possível que o vírus tenha sido transmitido aos seres humanos a partir de outro hospedeiro intermediário, seja um animal doméstico ou selvagem.
Outros transmissores
Os coronavírus são zoonóticos, ou seja, são transmitidos de animais para pessoas. Estudos anteriores constataram que a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, em inglês) foi transmitida de gatos domésticos para seres humanos, enquanto a Síndrome Respiratória do Oriente Médio passou de dromedários para humanos.
De acordo com o vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e médico infectologista, Estevão Portela Nunes, na época da SARS, em 2002, foi a civeta, uma espécie de mamífero asiática, que provocou a transição entre o morcego e o ser humano.
“Agora, o morcego é suspeito de ser a origem do ‘salto’ de 2019. Mas ainda não sabemos que animal funcionou como hospedeiro intermediário até chegar ao homem.”
“Portanto, como regra geral, o consumo de produtos de origem animal crus ou mal cozidos deve ser evitado. Carne crua, leite fresco ou órgãos de animais crus também devem ser manuseados com cuidado para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos”, comunicou a OMS.
A mesma declaração remete a alguns dias antes de a China tomar medidas para coibir o comércio e o consumo de animais silvestres. “Os seres humanos e a natureza fazem parte de um sistema interconectado. A natureza fornece comida, remédios, água, ar e muitos outros benefícios que permitiram às pessoas prosperar”, disse Doreen Robinson, chefe para a Vida Selvagem do Pnuma.
Outras epidemias
O relatório “Fronteiras 2016”, sobre questões emergentes de preocupação ambiental do Pnuma, mostra que as zoonoses ameaçam o desenvolvimento econômico, o bem-estar animal e humano e a integridade dos ecossistemas.
Nos últimos anos, diversas doenças zoonóticas emergentes foram manchetes no mundo inteiro por provocarem ou ameaçarem causar grandes pandemias, como ebola, gripe aviária, febre do Vale do Rift, febre do Nilo Ocidental e zika vírus.
Para impedir o surgimento de zoonoses, é fundamental conter as múltiplas ameaças aos ecossistemas e à vida selvagem, entre elas, a redução e fragmentação de habitats, o comércio ilegal, a poluição e a proliferação de espécies invasoras. E, cada vez mais infernais, as mudanças climáticas que tanto Trump quanto Bolsonaro insistem em negar.
Recado da natureza?
Seria a epidemia do novo coronavírus mais um recado não ouvido da natureza?
Certa vez, perguntei ao clínico-geral e presidente da Oncomed BH, Roberto Fonseca, qual a causa principal do diversificado aumento de cânceres em todo o planeta.
Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia e atual presidente do Conselho Superior da instituição, ele me respondeu de maneira direta, calma e sensível: “Não existe uma causa somente, mas várias. E todas elas se referem à qualidade do meio ambiente onde vivemos, cada vez mais degradado pelo nosso insustentável e predatório modelo de civilização”.
Nem tudo está perdido
Dias desses, voltei a me lembrar do hoje amigo Roberto, ao acessar a palestra do cientista Bruce Lipton, intitulada “A Biologia da Percepção” (ou da “Crença”), no Youtube. Ou seja, o que existe quimicamente lá dentro do funcionamento perfeito do nosso DNA, criado pela mesma natureza para a nossa defesa imunológica. A receita natural e humana, enfim, que temos dentro de nós.
E pode (ainda) nos salvar de quantos novos coronovírus queiram nos ameaçar.
Percepção biológica
Além de antigo, o vídeo de Bruce Lipton é muito científico. Mas, se você, caro leitor e internauta, tiver paciência e conseguir assisti-lo até a metade do segundo tempo, a partir daí verá que existe uma saída para tudo o que está ocorrendo no mundo. Ou seja, que o mestre Guimarães Rosa e até os Beatles tinham razão. Essa esperança (sem spoiler) é a única coisa que trazemos no nosso DNA e pode mudar tudo, incluindo nós mesmos, na nossa errática travessia sobre o planeta.
Conserve-a. E assista!

Convocação empresarial



“Quando a gente divide os nossos sonhos com Deus, eles se realizam mesmo. E eu só tenho a agradecer.” Foi o que confessou o mineiro Leonardo Bortoletto, fundador do Clube de Permuta, ao receber a visita do vice-governador Paulo Brant, em mais um “Segredo do Chef”, no Espaço Meet, em BH. No evento concorrido, que reuniu o mundo empresarial e político para debater as perspectivas econômicas de Minas e do país em 2020, Bortoletto lembrou que, inicialmente, o clube foi criado para estimular trocas entre os empresários, incluindo desde produtos e serviços até bolos e carros de luxo.
Isso foi em 2012, com apenas 12 empresários que acreditaram no negócio. Atualmente, o clube está presente em 21 cidades, de oito estados brasileiros, mais o Distrito Federal, com 1.392 associados e um faturamento recorde de R$ 6 milhões. A surpresa maior foi revelada no final. Ele convocou os empresários presentes a saírem de suas zonas de conforto e se posicionarem politicamente nas eleições deste ano. “Não adianta ficarmos só vendo tudo acontecer, omissos e sem participar da cena política, e depois reclamar do que legislaram para nós.”

A verdade do teflon




Divulgação - Paris Filmes

Você ainda usa panelas e frigideiras de teflon na sua cozinha? Então assista ao filme “O Preço da Verdade”, do original “Dark Waters”, já em cartaz nos cinemas. Baseado numa história real, o conhecido ator Mark Ruffalo (foto) vive um advogado de defesa que confronta a empresa química DuPont para expor um horrível segredo de poluição ambiental. O filme mostra também, com esperança, o que o ativismo e o direito ambiental são capazes de fazer pela nossa salvação ecológica. Que nem tudo, enfim, está perdido. A verdade é como azeite, sempre fica à tona d’água.

O maestro e o primeiro violino

Dois meses depois da cerimônia de entrega do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza´2019, realizada com pompa e elegância na beleza da Sala Minas Gerais, José Israel Vargas e Octávio Elísio Alves de Brito – os dois vencedores na categoria “Ambientalista Histórico” – se encontraram de maneira simples e afetiva.

Promovido pela Revista Ecológico, o encontro se deu em BH, na intimidade do apartamento do primeiro homenageado, ex-secretário de Ciência e Tecnologia no Governo Aureliano Chaves e embaixador do Brasil na Unesco. Aos 92 anos de idade e com a saúde fragilizada, ele não pôde comparecer à premiação.
O segundo homenageado, que lhe entregou o merecido troféu, foi seu fiel escudeiro, ex-secretário de Educação no Governo Tancredo Neves e deputado constituinte com a bandeira da defesa do meio ambiente. Ambos, mestre e discípulo, criadores do Copam, atual Conselho Estadual de Política Ambiental, que inspirou a criação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).
Durante a troca de amabilidades, Octávio Elísio lembrou, com gratidão, que José Israel sempre foi o seu “maestro”. Ao que o professor respondeu, com requinte: “Se fui o seu maestro, você foi e continua sendo o meu primeiro violino”.
Foi assim, em fina sintonia, que eles ‘orquestraram’ a defesa da natureza e do desenvolvimento sustentável. “Se a ciência e a tecnologia foram as grandes responsáveis pela atual degradação ambiental do planeta, por falta de consciência ecológica na época, somente por meio delas será possível recuperá-lo. E assim, garantir a sobrevivência também do gênero humano”, salientou Vargas.
O encontro terminou com um tradicional lanche à mineira: “pão de queijo e café produzido no município de Machado”. E recordações sem fim.

Sob o sol de Zema

Poucas vezes se viu o governador Romeu Zema tão surpreso, alegre e à vontade, como na noite lúdica de entrega do 10º Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade, na Sala Minas Gerais.

Foi a primeira vez que ele, mesmo mantendo sua conhecida opinião sobre o modelo atual da Cemig, também reconheceu e aplaudiu o seu braço solar, a recém-criada Cemig S!M – Soluções Inteligentes em Energia.

Ele recebeu dos ambientalistas, como voto de confiança e esperança, a homenagem especial da premiação. Veja aqui!

Foto: Gláucia Rodrigues

Gerdau sustentável



A Ecológico recebeu a visita do diretor de Mineração e Matérias-Primas da Gerdau, Wendel Gomes, acompanhado do jornalista mineiro Pedro Torres, novo titular de Comunicação Corporativa do Grupo. Na pauta interna, o principal desafio é contribuírem na realização de um trabalho capaz de mostrar ao Brasil e ao mundo – incluindo os seus hoje mais de 33 mil colaboradores diretos e indiretos presentes em 10 países – qual o tamanho e onde se situa a diversidade operacional do grupo, acoplado aos seus compromissos de transparência e conformidade.
E na pauta externa, outro desafio para a maior empresa brasileira produtora de aço e maior recicladora da América Latina, na altura do seus 118 anos de história: cumprir o seu compromisso com o Sistema B, por meio do Plano de Certificação B, o mais exigente e disputado selo de inovação e sustentabilidade hoje no planeta. Uma mais sustentável Gerdau, cujas raízes continuam no Sul do país, a sede em São Paulo e o coração em Minas.

As escumilhas de Sergio Tomich

Roxas, lilases, vermelhas ou rosas-choque, os belo-horizontinos agradecem a quantidade de escumilhas africanas (Lagerstroemia speciosa) em flor pelas ruas da capital mineira. Também conhecidas por resedás, extremosas ou árvores-de-júpiter, elas são originárias da Índia e China.
O que pouca gente sabe é que, em BH, essas formosuras da natureza foram plantadas de maneira “subversiva”. Foi durante a administração do prefeito Sérgio Ferrara, logo após a criação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Fugindo à regra de só se plantar árvores conhecidas, como as sibipirunas e flamboyants também em flor nessa época do ano, o biólogo Sergio Tomich (foto), então diretor de Parques e Jardins da PBH, as introduziu à maneira mineira. Sem alarde. E hoje, mais que beleza, as suas escumilhas acabaram virando uma solução junto à fiação elétrica pública. Como são de pequeno porte, elas aguentam poda e respondem com mais flores ainda. Vitória ecológica!

O lado bom do jornalismo deixa saudade




Foi muito sentida, no último dia 21, na capital mineira, a morte desse profissional de imprensa, reverenciado por muitos colegas por ter formado uma geração brilhante de jornalistas no ex "Diário de Minas", onde trabalhou com Fernando Gabeira e Guy de Almeida.

Como escreveu Mauro Werkema, também seu ex-foca e aprendiz, num texto comovente sobre os valores humanos, "Alcindo honrou a profissão e cumpriu seu tempo neste mundo com dignidade. Elevou-nos com seu exemplo de um homem bom."
É o que Werkema nos recorda, abaixo, sobre um "jornalista bom". Vale a pena ler, diante da finitude que também nos espera. Faz bem pro coração. Obrigado, Mauro.


Alcindo Ribeiro (Foto: Reprodução FJP-MG)

Alcindo, o bom

"Alcindo não se formou padre. Mas certamente saiu do seminário com qualidades de "santidade",  traço que a vida lhe consagrou e gerou o apelido de "reverendo" para os amigos. É o que foi em toda a sua vida de jornalista, amigo de todos, sempre convivente, atuante e  presente nos embates do exercício profissional mesmo nos momentos mais difíceis. E que foram muitos no nosso tempo e trajetória. Ao vê-lo hoje, no Sindicato dos Jornalistas, na despedida final, numa roda de colegas da sua geração, depois de meio século de convivência fraternal, sentimos que o nosso tempo também está se esgotando.

Ameno, nunca exaltado, mas não omisso nas opiniões e na solidariedade, bem informado, espirituoso e um tanto irônico, Alcindo Ribeiro era uma reverência como pessoa, como profissional e pelos traços de conduta ética e competência profissional. O conheci no velho Diário de Minas, na Praça Raul Soares, quando lá entrei com 17 anos, por volta de 1963. Lá, ele ajudou a formar uma geração de jornalistas. Era copy-desk, bom de português, principal auxiliar dos dois chefes de redação, Fernando Gabeira e José Maria Casassanta, antecessores de Guy de Almeida. Desde então, vimo-nos a vinda inteira nos muitos empregos, encontros e nos dois livros que escreveu sobre os jornalistas.

Sentiremos falta. É possível que não tenhamos, nos obscuros e incertos tempos de hoje, mais Alcindos. Mudou o mundo, transformaram-se a profissão e o jornalismo, condutas e valores. Fica a lembrança do amigo Alcindo que guardaremos na memória por seu exemplo de profissional íntegro, ameno no trato, mas firme no texto, atento ao mundo e aos muitos amigos. Alcindo honrou a profissão e cumpriu seu tempo neste mundo com dignidade. Elevou-nos com seu exemplo de um homem bom."

Desmatamento surpreende



Vale devasta cortina de eucaliptos que garantia sombra na entrada do seu antigo cartão de visitas

Causou surpresa, feiura, desolação e, consequentemente, mais calor ainda no microclima local, o corte sumário de vários eucaliptos na entrada já bastante sem verde da ex-Mina de Águas Claras (MAC), da mineradora Vale, no município de Nova Lima, logo atrás da Serra do Curral, quase divisa com a capital mineira.
A devastação atingiu principalmente a faixa lateral do estacionamento externo, expondo os carros e motoristas, incluindo motociclistas, agora ao sol pleno, contíguo à demais áreas ali urbanizadas, totalmente asfaltadas e cimentadas da empresa. Tal como o estacionamento interno, também sem árvores nem sombra.
A Vale informou, em nota, que cortou as árvores por medida de segurança, uma vez que “inspeções técnicas indicaram risco de queda”. E que a supressão foi autorizada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). A empresa acrescentou que está em fase de planejamento o plantio de espécies nativas no local, em conformidade com o bioma da região:
“Esta ação contribuirá para valorização da Reserva Natural da Mata do Jambreiro (Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN- da Vale), que se configura em um bolsão de preservação da Mata Atlântica de alto valor para a conservação na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Dos cerca de 2 mil hectares da área da Mina de Águas Claras, 912 hectares são ocupados pela Mata do Jambreiro.” – concluiu.


SEM NECESSIDADE - A Revista Ecológico esteve no local e documentou, com tristeza, a quantidade não informada de árvores tombadas em plena crise climática local e mundial, causada, entre outros fatores, pela escalada do desmatamento e o consequente aquecimento global. O motivo alegado de segurança não se justifica plenamente do ponto de vista ecológico: estariam todos os eucaliptos, ao mesmo tempo e com idades diferentes, ameaçados de cair?
Afinal, há técnicas florestais comprovadas, entre elas a poda parcial e dirigida de árvores, capazes de fazê-las cair em local desejado e com segurança, à medida que vão envelhecendo naturalmente. E evitam assim, as suas supressões sumárias. Tal como a Cemig já pratica em BH, para dar segurança à população, evitar o contato delas com a fiação e controlar a qualidade do clima, fazendo jus ao fato de ser admirada como uma das capitais mais arborizadas do país.