Jogada de mestre







A bolsa de especulação em torno da ministra que hoje é o rosto do governo mais respeitado dentro e fora do país, justamente por esse seu equilíbrio ideológico, já tem vários balões de ensaio. Um deles era Tereza Cristina escolher seu sucessor de confiança e capacidade também com esta visão no Ministério da Agricultura. E, assim, ela voar mais alto como a super ministra (guarda-chuvas) do Meio Ambiente. Uma oportunidade de ouro que o Lula teve nas mãos – com Marina Silva – e não soube valorizá-la, perdendo por completo o bonde da história. Logo ao deixar o governo petista, a ex-senadora pelo Acre foi eleita pela Revista Time como uma das 50 personalidades capazes de influenciar e mudar a mentalidade da humanidade. E assim, salvar o planeta. Alguém tem dúvida do topo, para sempre, que a questão ambiental atingiu? Resta saber até quando a natureza, que é rosto terreno e degradado de Deus na Terra, vai continuar esperando.



Efeito Cristina



Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil 


Se o eventual ocupante da presidência do Brasil quisesse fazer as pazes com Deus, parando de destruir a natureza, índios, caboclos, rios e peixes. E, assim, se livrar do inferno pós-morte que certamente o espera, ele já tem a receita. Trata-se da sua ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Cada dia mais, ela vem sendo admirada não somente pelos seus pares ideológicos, o que seria chover no molhado. Mas por vários ambientalistas e diferentes representantes do meio produtivo e da sociedade civil organizada. Tudo por causa do seu discurso não radical da questão ambiental. Como se fosse ela, e não o contrário, o ministro do Meio Ambiente que o Brasil ainda não tem, e tanto nos isola economicamente do resto do mundo.

Fora da curva
Num evento recente, em Buritis (MG), com a presença de outros seis ministros, realizado pelo Instituto Espinhaço, Tereza Cristina não deixou por menos. Defendeu, como Chico Mendes, o desmatamento zero. Disse que o Brasil tem 100 milhões de hectares de terra já degradados de ex-florestas, matas, campos e cerrados erodidos. E que, portanto, após recuperar ambientalmente e incorporá-los à atividade agropecuária sustentável, faria o país dobrar a sua produção em apenas 20 anos, sem precisar cortar uma só árvore.

Efeito Monalisa



Nem tudo está perdido. O governador Romeu Zema soube ouvir o ninho ambientalista e, assim, acertar, pela segunda vez, ao empossar a engenheira civil e doutora em saneamento e recursos hídricos Marília Carvalho, como a nova titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Ela substituiu Germano Vieira, o primeiro grato acerto de Zema, em plena tragédia de Brumadinho.Servidora de carreira, respeitada e admirada pelos seus pares, trata-se da primeira mulher na história ambiental de Minas a comandar, doravante, a estratégica e desafiante pasta da Semad. 

Com um rosto que lembra a admirável pintura de Leonardo da Vinci, no Museu do Louvre, em Paris, Marília não é nada enigmática. Pelo contrário, é franca e transparente como as águas que sempre defendeu. E tem uma história interessante, pessoal e familiar, com a questão ambiental (leia sua última entrevista à Ecológico que republicamos na página 20). Ela também não esconde, ideologicamente, qual a sua posição política: “O meu partido – repetiu na posse - é o meio ambiente!”.