O MME sem verde e uma bandeira global

 

Foto: Agência Brasil

Em sua recente visita à Minas, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque repetiu o já recorrente mantra, tanto do governo como do setor. A prioridade é fiscalizar, fiscalizar e fiscalizar a segurança das grandes empresas de mineração, para que não ocorram mais desastres socioambientais e econômicos como Mariana e Brumadinho.

Recebido da Fiemg, ele também anunciou uma nova sigla aderente, proposta pelo governo federal: o PDM (Plano de Desenvolvimento da Mineração), com metas e ações do setor até 2023. Faz parte dele um outro plano: o de comunicação social, para informar e mostrar a importância desta atividade produtiva para a vida humana.

Chover no molhado

No fundo, por ser Minas um estado inconfidente e montanhoso (“Olhe bem as montanhas”) onde, por isso mesmo, a questão ambiental nasceu e virou modelo de política para todo o país, o ministro não anunciou nada de novo ou revolucionário.

Depois do que aconteceu e se esperava em Mariana e Brumadinho, nenhuma empresa de mineração – incluindo a HPB, Vale e Samarco – precisa de ser cutucada mais para se tornar segura.

Infelizmente pela dor e por tirar a vida dos seus próprios funcionários, essa preocupação já faz parte hoje do seu negócio e sobrevivência no mercado mundial. Ainda mais tendo uma Semad hoje mais capacitada e em aliança com a Fiemg, em prol da sustentabilidade crescente do setor.

Amor versus ódio

Plano de comunicação igual ou melhor do que do “Agro é Pop”? Também precisa não. Primeiro, todo mundo sabe, ninguém vive sem a mineração. Nem voltaria, de novo, a viver em cavernas. E segundo, que nada nesse nível, da propaganda pela propaganda irá mudar, tão cedo, a sua reputação e imagens públicas.

Por dever e sobrevivência, a imprensa jamais deixará de nos fazer lembrar de ambas as impiedosas tragédias ocorridas no Doce e no Paraopeba.

Melhor, e ainda ter a imprensa e a humanidade do seu lado, é a mineração do futuro ser amigável com a natureza. E assim, ter uma bandeira global à altura do seu poder, lucro e logística operacional. Uma bandeira de responsabilidade, tecnologia e afeto ao planeta.

No plano local, não existe bandeira mais ecológica e natural que a mineração plantar árvores pra valer. E assim, num esforço somado, ajudar a recuperar as florestas de Minas e do Brasil. Bastaria, com humildade e exemplo, começar pelas áreas degradadas pelo próprio setor, ao longo de quase 300 anos, vide a quantidade de crateras, cavas e terrenos baldios abandonados em Minas, pós-exploração pela mineração antiga e antes do advento da consciência ambiental.

Aí, sim, tendo a árvore, considerada o “símbolo da vida” por quase todas as religiões, como sua garota-propaganda natural, a mineração seria imbatível e respeitável. Ao invés de odiada, seria querida, defendida e amada.

Voltando ao Bento

O ministro Bento terminou sua participação na Fiemg, falando de mais um plano do MME sem o verde da natureza que sustenta o Brasil, o planeta e a humanidade. Trata-se do Plano Decenal de Energia (PDE) do governo federal que prevê, até 2029, nada menos que R$ 2,3 trilhões de investimentos no Brasil, o único país no mundo com nome de árvore.

E para 2050, ele concluiu, os objetivos da sua pasta são mais ambiciosos: fazer o Brasil expandir a geração de energia nuclear e produzir, diariamente, 6 milhões de barris de petróleo.

Imagine se, mais ecológicos, o replantio de árvores e a recuperação das florestas pelas mineradoras fizesse parte deste plano?

A esperança é verde.

Até os Beatles pedem Help pelas florestas

 






Se os quatro integrantes da maior e mais amada banda de rock do planeta estivessem vivos, certamente eles também cantariam pela preservação das florestas que restam no Brasil e no mundo. Foi esta uma das pegadas premiadas do I Concurso de Charges “The Beatles”, promovido pelo Cine Theatro Brasil Vallourec, como parte das comemorações dos seus sete anos de atividades, na capital mineira.

Como lembra Sandra Campos, gerente de planejamento e ação cultural, para concorrerem no concurso, era preciso que as charges tivessem algum elemento que remetesse aos Beatles e ao Cine Theatro: “O resultado comprovou o esperado. Eles são mesmos umas das bandas mais icônicas do planeta”.

A charge vencedora, de Evandro Rocha, mostra os Beatles atravessando a Avenida Afonso Pena, no coração de BH (como se tivessem na Abbey Road) em direção ao Cine Theatro desenhado como o Yellow Submarine. Já a terceira charge premiada é de Igor Rodrigues. Ela “ecologiza” o famoso desenho de capa de “Help!”, transformando John Lennon, George Harrison, Paul McCartney e Ringo Star em “árvores horrorizadas” pedindo socorro contra a tamanha e suicida estupidez humana.

Jogada de mestre







A bolsa de especulação em torno da ministra que hoje é o rosto do governo mais respeitado dentro e fora do país, justamente por esse seu equilíbrio ideológico, já tem vários balões de ensaio. Um deles era Tereza Cristina escolher seu sucessor de confiança e capacidade também com esta visão no Ministério da Agricultura. E, assim, ela voar mais alto como a super ministra (guarda-chuvas) do Meio Ambiente. Uma oportunidade de ouro que o Lula teve nas mãos – com Marina Silva – e não soube valorizá-la, perdendo por completo o bonde da história. Logo ao deixar o governo petista, a ex-senadora pelo Acre foi eleita pela Revista Time como uma das 50 personalidades capazes de influenciar e mudar a mentalidade da humanidade. E assim, salvar o planeta. Alguém tem dúvida do topo, para sempre, que a questão ambiental atingiu? Resta saber até quando a natureza, que é rosto terreno e degradado de Deus na Terra, vai continuar esperando.



Efeito Cristina



Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil 


Se o eventual ocupante da presidência do Brasil quisesse fazer as pazes com Deus, parando de destruir a natureza, índios, caboclos, rios e peixes. E, assim, se livrar do inferno pós-morte que certamente o espera, ele já tem a receita. Trata-se da sua ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Cada dia mais, ela vem sendo admirada não somente pelos seus pares ideológicos, o que seria chover no molhado. Mas por vários ambientalistas e diferentes representantes do meio produtivo e da sociedade civil organizada. Tudo por causa do seu discurso não radical da questão ambiental. Como se fosse ela, e não o contrário, o ministro do Meio Ambiente que o Brasil ainda não tem, e tanto nos isola economicamente do resto do mundo.

Fora da curva
Num evento recente, em Buritis (MG), com a presença de outros seis ministros, realizado pelo Instituto Espinhaço, Tereza Cristina não deixou por menos. Defendeu, como Chico Mendes, o desmatamento zero. Disse que o Brasil tem 100 milhões de hectares de terra já degradados de ex-florestas, matas, campos e cerrados erodidos. E que, portanto, após recuperar ambientalmente e incorporá-los à atividade agropecuária sustentável, faria o país dobrar a sua produção em apenas 20 anos, sem precisar cortar uma só árvore.

Efeito Monalisa



Nem tudo está perdido. O governador Romeu Zema soube ouvir o ninho ambientalista e, assim, acertar, pela segunda vez, ao empossar a engenheira civil e doutora em saneamento e recursos hídricos Marília Carvalho, como a nova titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Ela substituiu Germano Vieira, o primeiro grato acerto de Zema, em plena tragédia de Brumadinho.Servidora de carreira, respeitada e admirada pelos seus pares, trata-se da primeira mulher na história ambiental de Minas a comandar, doravante, a estratégica e desafiante pasta da Semad. 

Com um rosto que lembra a admirável pintura de Leonardo da Vinci, no Museu do Louvre, em Paris, Marília não é nada enigmática. Pelo contrário, é franca e transparente como as águas que sempre defendeu. E tem uma história interessante, pessoal e familiar, com a questão ambiental (leia sua última entrevista à Ecológico que republicamos na página 20). Ela também não esconde, ideologicamente, qual a sua posição política: “O meu partido – repetiu na posse - é o meio ambiente!”.

Prioridade de governo

 


Ao contrário de passar a boiada, outra pesquisa, realizada pela IPSOs, revelou que 85% dos brasileiros acham que a proteção ao meio ambiente deve ser uma prioridade do governo no plano de recuperação do país pós-Covid 19. O estudo ouviu participantes de 16 países, além do Brasil.


Hábitos sustentáveis

 




Pesquisa recente da Opinion Box mostrou os novos hábitos dos consumidores brasileiros durante a pandemia. Um dos principais insights revelados é a consciência crescente da opinião pública em relação à sustentabilidade durante esse período. Mesmo com medo de serem infectadas ou mortas, 35% das pessoas ouvidas dão mais preferência para produtos com menos embalagens; 32% para as marcas sustentáveis; 33% estão economizando mais água. E 30% separando o seu lixo reciclável.

Semad. 25 anos

 




Será no próximo dia 8, às 9h, pelo canal do Youtube, o Webinar “Avanços e Desafios da Política Ambiental de Minas Gerais”, mais lançamento do hotsite oficial, abrindo as comemorações dos 25 anos de criação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Como lembra o secretário Germano Vieira, na área ambiental de Minas, “o diálogo é essencial. E isso marcará o que queremos para os próximos 25 anos”.



Greta versus coronavírus

 




E ainda tem gente que não gosta dela!

Só pra refrescar nossa memória, em 20 de julho, a ativista sueca Greta Thunberg recebeu, não à toa, o “Prêmio Gulbenkian para a Humanidade – Alterações Climáticas”, no valor de 1 milhão de euros, concedido pela Fundação Calouste Gulbenkian, com sede em Portugal. E o que fez a jovem, portadora de autismo? Doou 100 mil euros, mais de meio milhão de reais, para as ações de enfrentamento ao coronavírus no Amazonas. Elas integram a campanha SOS Amazônia, criada pela ONG Fridays For Future Brasil, formada por jovens ativistas brasileiros. Sua contribuição se somou a outras em curso, para ajudar as comunidades indígenas e populações tradicionais ribeirinhas no combate à Covid-19.

Pedido de socorro

O gesto de Greta foi em resposta ao pedido de socorro ao mundo, feito pelas autoridades públicas da região Amazônica: “Como ativistas da causa socioambiental, sabemos que não podemos enfrentar a crise climática sem antes enfrentar a crise do coronavírus. Logo, se não ajudarmos as populações da Floresta Amazônica contra a epidemia, estaremos permitindo que ambas as crises se desenvolvam. Nós precisamos escutar os cientistas, os médicos e as pessoas que estão sofrendo”.

Sexta extinção

Segundo mensagem oficial do Fridays for Future, ao contrário de Brasília, tudo está interligado, tal como a natureza que nos dá a vida: “Defender os povos indígenas é fundamental para combater a emergência climática, que nos levará à Sexta Extinção em Massa. Enquanto muito é falado e pouco é feito, a sociedade civil se mobiliza em diversas frentes, para combater a pandemia no Brasil. É criminoso e inconsequente colocar os povos indígenas e as populações tradicionais em risco. O extermínio dessas pessoas comprometerá também o futuro da humanidade, na medida em que ameaça a maior floresta tropical do mundo, com seus serviços ambientais, etnoconhecimento e cultura”.

Continua a mensagem: “Estamos à frente de uma grande coalizão europeia para pressionar consumidores e empresas a agirem em defesa da Amazônia por meio do boicote aos produtos que mais causam a destruição de nossa flora e fauna.

O mundo não está interessado em investir no desmatamento da Amazônia e no extermínio de povos indígenas. O desmantelamento de políticas ambientais afasta e continuará a afastar investidores, provocará boicotes em larga escala e é fruto de uma política ecocida do governo brasileiro.”

E termina o documento: “A relação entre povos indígenas e a emergência climática é clara. São eles que mantêm as florestas de pé e garantem o equilíbrio desses ecossistemas. O mundo possui uma dívida para com os povos da Amazônia. E é por isso que a sociedade civil, em diversos países ao redor do globo, se mobiliza agora para ajudá-los diretamente”. Como disse Greta Thunberg, durante o lançamento da campanha, “as consequências da morte dos povos da Amazônia e a destruição da Floresta Amazônica serão globais!”

E ela tem apenas 17 anos!

Benza Deus!


Megaelogio

 


Durante live da “Megacana Tech Show´2020”, apresentada pelo presidente da Siamig, Mário Campos, a ministra da Agricultura e convidada de honra do evento não deixou por menos, lembrando o compromisso e exemplo do Brasil no climático Acordo de Paris. Tereza Cristina teceu vários elogios à RenovaBio (Política Nacional de Biocombustíveis), leia-se a parceria ecológica entre o Ministério das Minas e Energia, o setor sucroenergético e os distribuidores de combustíveis do país: “Temos de ter consciência e orgulho disso. Trata-se do maior programa de descarbonização do mundo!”, sinalizou a ministra.

GRANDE SIRKIS!



Foto: Marcia Kalume / Agência Senado


Como já deve estar sabendo aí em cima, você morreu, companheiro. E fez valer aquela máxima de que a gente só dá valor às pessoas queridas e coisas importantes justamente quando as perdemos. Quando deixamos de tê-las companheiras, em definitivo, neste vale de lágrimas terrestre ainda tão bonito de viver, lutar e preservar.

Você morreu, Sirkis! E foi citado, benza a Deus, mais como ambientalista do que jornalista e militante político.

Esse foi o seu trunfo derradeiro: ter morrido com causa, coragem e amor ao próximo, mesmo que esse próximo seja qualquer pessoa, planta ou animal. Como nos poetizava Adélia Prado, perante o universo afinal, o ser humano tem o mesmo valor que uma galinha.

Você não morreu como mais um de nós, como mero repetidor de notícias que o mundo está acabando, a Amazônia continua em chamas, sem descer do muro nem se engajar. Mas como um cidadão do mundo, que é o outro nome moderno de ser ambientalista.

Você, caro Sirkis, não foi nem esteve sozinho nesta luta inglória que é defender a natureza e o meio ambiente que nos restam, de forma gratuita e democrática, tão igual ou maior que a economia burra e ainda não verde que nos divide e empobrece.

Sua morte nos confirma também a história de vida e conversão de outro ambientalista-mor, que é o nosso Sebastião Salgado com a sua Lélia Wanick, em novo combate mundial contra o garimpo predatório e a chegada da morte em massa, causada pela Covid-19 aos nossos últimos índios e povos da floresta.

Depois de se consagrar como retratista, em preto e branco, da condição humana no planeta, cada dia mais miserável. E também documentar, nas altas e geladas altitudes, a existência de rincões de natureza selvagem, ainda preservadas e distantes naturalmente do bicho homem e da sua ignorância, Salgado não teve dúvida.

Em vez de ficar deprimido como somente repórter-fotográfico, mesmo inigualável da tristeza humana ao redor do mundo, ele preferiu o outro front maior do ambientalismo para lutar.

Afinal, continuar ser só fotógrafo da tragédia social passou a não o sensibilizar mais. “Mas, sim - ele declarou – impedir a destruição da natureza que continua intocada por milagre e temperaturas severas, em 46% do planeta, onde o ser humano não chegou ainda. Essa destruição pode ser revertida”, reafirmou Salgado.

Quer melhor companhia, Sirkis, como o sal da terra, onde quer que você esteja?

Melhor captarmos um de seus últimos recados dados com olhos de lince, sobre o aquecimento global. E ainda tem gente que não acredita, pode?

Segundo ele, “a questão climática não é mais um problema mundial a ser discutido diante do nosso futuro comum. Ela é o problema ambiental do planeta e da humanidade!”

Grande Sirkis!

A poeira insustentável voltou

Foi o que a Semad e Feam constataram em visita recente ao complexo minerário de Congonhas, em busca novamente de soluções
Foto: Sandoval de Souza Pnto

 
“A gente não é contra a mineração. Congonhas foi construída em cima da mineração. Mas precisamos ordenar isso para que possamos conviver de forma harmoniosa com os impactos causados pelas mineradoras.”

Neylor Aarão, secretário municipal de Meio Ambiente, sobre a nuvem de poeira mineral que voltou a poluir a Cidade dos Profetas

“Foi um arraste de poeira de grandes proporções. Muitos moradores tiveram de fechar as suas casas com medo da nuvem de poeira e do ar parado, cobrindo vários bairros. E não é a primeira vez que isso acontece.”

Sandoval de Souza, diretor de Meio Ambiente da União das Associações Comunitárias de Congonhas (Unaccon)

O exemplo de Wuhan


Foto: IStock


Marco zero do novo coronavírus, a cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, na China, proibiu o comércio e consumo de animais silvestres como os morcegos, por cinco anos. A decisão integra as medidas adotadas pelo governo para combater o tráfico de vida selvagem, apontado como um dos propulsores da pandemia da Covid-19. As autoridades locais também vetaram a caça de espécies selvagens, exceto para “pesquisa científica, regulação populacional, monitorização de doenças epidêmicas e outras circunstâncias especiais”. A decisão tem efeito imediato.

Onde está o boulevard de Sabará?





O prefeito de Sabará, Wander Borges, não à toa várias vezes reeleito pela população local, tem uma nova chance de entrar para a história. E ela se chama “Projeto Boulevard de Recuperação Ambiental, Urbanística e Paisagística do Rio Sabará”, que ainda degradado atravessa a cidade. Os estudos para isso existem. Foram financiados pelas empresas Belgo-Mineira (atual ArcelorMittal) e AngloGold Ashanti, ambas sediadas no município. Mas continuam engavetados na prefeitura há várias administrações.

 O dilema é simples e histórico. Ou Wander Borges repete, como todos os ex-prefeitos, a“concertação” tradicional em curso do rio (refazer pontes, levantar muros, voltar com mais asfalto, etc.) arrasado pelas últimas inundações - para o ano que vem acontecer tudo de novo. Ou modifica de maneira revolucionária, ambiental e turístico-social as suas margens, como propõe a inspiração maior do projeto: transformá-las em algo semelhante aos boulevards parisiensesà beira do Rio Sena, e a “Las Ramblas” de Barcelona, na Espanha.

 Detalhe democrático: a autora desse projeto é a própria população de Sabará que, ouvida numa ampla pesquisa de opinião, apontou como gostaria de ver seu rio: limpo, ajardinado, cheio de bancos com caramanchão, praças e pistas públicas de caminhada.

 Repleto de turistas e moradores locais, sem distinção, como naquelas cidades do Primeiro Mundo. E mais dinheiro “ecológico” para a prefeitura mantê-lo despoluído e as crianças poderem brincar novamente nas suas águas.

Com a palavra, o prefeito Wander Borges, que foi quem primeiro sonhou esse sonho, junto com a Revista Ecológico, muitas luas cheias atrás.









Germano se despede da Semad, com direito a lágrimas da natureza

J.D.Vital, representando o diretor-presidente da CBMM, Eduardo Ribeiro, o secretário Germano Vieira, e Antonio Batista, presidente da Fundação Dom Cabral: “Personalidade do Ano” no Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza´2018. Foto: Glaucia Rodrigues

“Nada melhor do que o tempo para avaliar e sinalizar os rumos das nossas vidas”. Foi o que confirmou hoje, à Revista Ecológico, o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas (Semad), Germano Vieira, um dia depois de se encontrar com o governador Romeu Zema, a quem comunicou oficialmente sua vontade de se desligar da pasta. E seus motivos: “a busca de novos desafios”.

Jovem advogado, mestre em Direito Público, especialista em Educação Ambiental e autor de diversos artigos e livros sobre a temática da sustentabilidade, Germano não chegou e se instalou na Semad como um estranho no ninho. Muito menos, como também acontece com a maioria dos políticos e administradores públicos, chegou pensando que a história começava e terminava com ele. Pelo contrário, já ocupava discretamente o posto de secretário-adjunto de Meio Ambiente desde maio de 2016.

Natural de Lavras, ele chegou no estilo daquela canção do Chico Buarque. Chegou tão diferente do jeito de quase todos os que chegam ao poder. E se instalou como o segundo servidor de carreira do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) a assumir a Semad.


Germano e a equipe da linha de frente da Semad na premiação: vibração e pertencimento com a missão. Foto: Glaucia Rodrigues

Com seu jeito simples, transparente e cativante, Germano tornou-se quase unanimidade entre seus pares. Foi aceito e admirado tanto pelo setor produtivo quanto pelos  ambientalistas. E também pelos próprios servidores do Sisema, aos quais dedicou o troféu de “Personalidade do Ano”, recebido em 2018, na 9ª edição do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza, sob o tema florestal de “Chico Mendes a Chico Bento”.
Ao ser perguntado, claro, sobre quem indicou ao governador Zema para substituí-lo no cobiçado cargo, ele recorreu à metáfora poética: “As sucessões, ainda mais na nossa pasta, cuja missão é defender a natureza e o desenvolvimento sustentável, são naturais”.
Na aposta da Ecológico, também por unanimidade entre os ambientalistas ouvidos, dois nomes técnicos da sua equipe disputam naturalmente o cargo. E um deles pode significar, com legitimidade e experiência de vida, Minas ter a sua primeira secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em toda a nossa vanguardista história ambiental.

E Germano mais não disse, além dos seus costumeiros e reconfortantes “muito obrigado” e “fique com Deus”. Ele apenas destacou o fato ecológico, coincidência ou não, de ter chovido ontem em Belo Horizonte, logo após seu encontro com o governador. Um sentido aplauso também da natureza, ao fazer chover em pleno mês de maio quando, tradicionalmente a seca já envia seus sinais.


Está nas mãos de Zema e Paulo Brant, assim como no início desse atual governo, ouvir os ambientalistas. E acertar novamente.

Não podem ter sido em vão, as gotas d'água tão claras caídas ontem do céu da nossa luta e esperança comum.

A covid-19 é o outro nome do nosso desamor ambiental


Saiba, pelo lado da natureza cada vez mais agredida pelo ser humano, o porquê do surgimento de novas pandemias letais, como a Covid-19, segundo os cientistas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma)

O Pnuma pergunta: você sabia que 60% das doenças infecciosas humanas e 75% das doenças infecciosas emergentes que acometem a humanidade são zoonóticas? Leia-se, transmitidas pelos animais que tanto deveríamos amar e preservar, junto à flora natural do planeta?

Alguns exemplos vividos mais recentemente, que devastam o organismo dos humanos tal como as serras elétricas liberadas e incentivadas pelo atual governo federal na Amazônia, já são conhecidos de todos nós. São eles: o Ebola, a Gripe Aviária, a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), o Vírus Nipah, a Febre do Vale Rift, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), a Febre do Nilo Ocidental, o vírus Zika. E, agora, o novo coronavírus – todos eles, não à toa, ligados à errática atividade humana no meio ambiente.

Como confirma o último informe científico do Pnuma, o surto de Ebola na África Ocidental é resultado de perdas florestais. Dos desmatamentos que levaram animais selvagens a se aproximar dos assentamentos humanos.

A Gripe Aviária está relacionada à criação intensiva e desumana de aves. Já o vírus Nipah surgiu devido à intensificação da suinocultura e à insustentável produção de frutas na Malásia.

A interação de seres humanos ou rebanhos com animais selvagens pode nos expor à disseminação de possíveis patógenos. Para muitas zoonoses, os rebanhos servem de ponte epidemiológica entre a vida selvagem e as doenças humanas.

Os fatores determinantes do surgimento de zoonoses são as transformações do meio ambiente – geralmente resultado das atividades humanas, que vão desde a alteração no uso da terra até a crise climática. Das mudanças nos hospedeiros animais e humanos aos patógenos em constante evolução para explorar novos hospedeiros.

Já as doenças associadas aos morcegos, segundo os cientistas, surgiram devido à perda de habitats naturais, leia-se perdas de pedaços cada vez maiores da natureza do planeta. E por causa, principalmente, do avanço do desmatamento e da expansão agrícola e da pecuária extensiva. Como mamíferos, os morcegos desempenham papéis importantes nos ecossistemas, sendo polinizadores noturnos e predadores de insetos.


Integridade ameaçada

A integridade dos ecossistemas, que tanto os ambientalistas parecem pregar em vão, evidencia a saúde e o desenvolvimento humano. As mudanças ambientais induzidas pelo homem modificam a estrutura populacional da vida selvagem e, assim, reduzem a biodiversidade do planeta. Ou seja, resultam em condições ambientais que favorecem determinados hospedeiros, vetores e/ou patógenos.

A integridade dos ambientes naturais também ajuda a controlar as doenças, apoiando a diversidade biológica e dificultando a disseminação, a ampliação e a dominação dos patógenos.

Como atesta o documento assinado pelos cientistas do Pnuma, é impossível a humanidade, refém da própria tragédia ambiental que ela causa sobre a face da Terra, prever de onde ou quando virá o próximo surto.

“Temos cada vez mais evidências sugerindo que esses surtos ou epidemias podem se tornar mais frequentes à medida que o clima continua a mudar. Nunca tivemos tantas oportunidades, como agora, para as doenças, como o coronavírus, passarem de animais selvagens e domésticos para pessoas”, disse a diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen.

Segundo ela, a perda contínua de natureza nos aproximou demasiadamente de animais e plantas, cujas doenças podem ser transmitidas a humanos. “A natureza está em crise, ameaçada pela perda de biodiversidade e de habitats, pelo aquecimento global e pela poluição tóxica.”

Na opinião dela, conhecer, entender e enfrentar a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e nos proteger das futuras ameaças globais requer cuidados emergentes. Tais como gerenciar corretamente os usos de resíduos médicos e químicos perigosos. Administrar, de maneira global e consistente, o meio ambiente e a natureza que nos restam. E nos comprometermos, governantes e governados, com a reconstrução de uma nova sociedade, criando empregos verdes e facilitando a transição para uma economia neutra em carbono.

Por fim, Andersen salientou: “Falhar em agir é falhar com a humanidade”.

Saiba mais: www.nacoesunidas.org/agencia/pnuma

Arrogância Humana

“A natureza não existe fora de nós. Não mora apenas onde há árvore e passarinho. Nós, com as nossas cidades, somos também natureza. O vírus que nos atingiu é parte dessa natureza. Aliás, uma das razões que levaram a desvalorizar o estudo dos vírus foi a nossa visão antropocêntrica do que é importante no mundo natural. Muito pouco sabemos dessa criatura invisível que virou o mundo do avesso. Há uma arrogância de considerarmos importante apenas o que é mais próximo da nossa espécie. Nós quase nada sabemos sobre os vírus e as bactérias. E essas duas entidades são a base da própria vida. As dizemos invisíveis apenas porque não as podemos ver. Chamamos-lhes de microorganismos. Custa-nos admitir, mas quem controla a existência e a evolução da vida são essas criaturas. Não somos nós. Nesse sentido, elas estão mais próximas de Deus do que nós.”

Mia Couto, biólogo e escritor moçambicano

Ângelo Machado, silêncio e recado na natureza



Foto: Arquivo UFMG


A Revista Ecológico registra: não se calou ontem, na capital mineira, aos 85 anos de idade, apenas um cientista, professor, escritor e dramaturgo brilhante. Mas um dos três ambientalistas mais emblemáticos na história de Minas e do Brasil, o professor Ângelo Machado.

Em verdade, ao lado de Hugo Werneck e Célio Valle, seus fiéis companheiros, muito além de lutar pela preservação do meio ambiente que nos resta, Ângelo tinha uma outra arma infalível, quase não usada nos dias atuais: tinha amor pela natureza. Amor pela causa, sempre munido pela ciência e pelo bom humor.

Amava os besouros, as libélulas e as borboletas. Daí o nome da primeira ONG ambientalista da América Latina que esses três mosqueteiros criaram juntos, na alvorada do pensamento ecológico: Centro para a Conservação da Natureza em Minas Gerais, cuja sede em BH era móvel: uma Kombi velha, ambulante e guerreira.

Ângelo era como um escudeiro da natureza, “amante” da beleza e da autossustentabilidade da obra de Deus. Tinha o coração verde, antes de vermelho.

Bastante pragmático pelo lado de cientista e como membro do Conselho Consultivo da Revista Ecológico, ele me sugeriu certa vez que mudássemos o nome do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza” para “& Conservação da Natureza”. O motivo? Soaria piegas num mundo e humanidade cada vez mais sem amor à natureza e a si mesmo.

Talvez ele estivesse certo.
Ilustração LOR

Como integrante do Conselho Curador da Fundação Biodiversitas, participei das várias e últimas reuniões que ele, seriamente acometido por uma doença degenerativa, presidia deitado e em sofrimento no sofá.

Em todas elas, além da ironia de si mesmo e de nunca reclamar, ele deixava escapar a desilusão com o desamor demonstrado tanto pelos governos quanto por empresas, que hoje se dizem sustentáveis. Mas se recusam a apoiar financeiramente a fundação e sua contribuição em prol do desenvolvimento sustentável, a exemplo de tantas outras em estado de penúria.

Ressentia-se, principalmente, de empresas hoje saudáveis e lucrativas, que no passado tanto destruíram a natureza por ignorância e falta de educação ambiental. E agora ainda perguntam por que têm de apoiar a causa ecológica.

Uma pena. Por causa do isolamento social imposto pelo novo coronavírus, eu também não pude me despedir do nosso professor no seu enterro sem amigos nem abraços. Mas me lembrei, como a natureza, de uma frase que o doutor Hugo ouviu de uma criança maravilhada, ao ver uma borboleta voando na Pampulha. A mãe perguntou:

- Você sabe o que ela é?

A criança respondeu:

- Sim. É uma cor que voa!

Assim como Ângelo, que deve estar ‘voando’ mais biodiversificado e produtivo ainda, no céu da nossa esperança, tamanha ciência e amor que ele nos ensinou.

Obrigado, mestre.

“Novo coronavírus é reflexo da degradação ambiental”




A afirmação acima tem valor. E ela não vem calçada somente pelos ambientalistas de plantão. Mas pelos próprios cientistas que integram o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Segundo eles, em seu último relato já disponível na internet sobre a pandemia do novo coronavírus, as doenças transmitidas de animais para seres humanos estão, sim, em ascensão exponencial nunca vista. E pioram cada dia mais, em escala planetária, à medida que os habitats selvagens continuam a ser destruídos pela atividade e ignorância humanas.
Os cientistas sugerem que habitats degradados podem incitar e diversificar todo tipo de doenças, uma vez que os patógenos se espalham facilmente tanto para rebanhos animais quanto entre seres humanos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que o morcego é a provável fonte de transmissão do coronavírus (COVID-19), que está infectando milhares de pessoas em todo o mundo e pressionando a economia global.
Também é possível que o vírus tenha sido transmitido aos seres humanos a partir de outro hospedeiro intermediário, seja um animal doméstico ou selvagem.
Outros transmissores
Os coronavírus são zoonóticos, ou seja, são transmitidos de animais para pessoas. Estudos anteriores constataram que a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, em inglês) foi transmitida de gatos domésticos para seres humanos, enquanto a Síndrome Respiratória do Oriente Médio passou de dromedários para humanos.
De acordo com o vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e médico infectologista, Estevão Portela Nunes, na época da SARS, em 2002, foi a civeta, uma espécie de mamífero asiática, que provocou a transição entre o morcego e o ser humano.
“Agora, o morcego é suspeito de ser a origem do ‘salto’ de 2019. Mas ainda não sabemos que animal funcionou como hospedeiro intermediário até chegar ao homem.”
“Portanto, como regra geral, o consumo de produtos de origem animal crus ou mal cozidos deve ser evitado. Carne crua, leite fresco ou órgãos de animais crus também devem ser manuseados com cuidado para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos”, comunicou a OMS.
A mesma declaração remete a alguns dias antes de a China tomar medidas para coibir o comércio e o consumo de animais silvestres. “Os seres humanos e a natureza fazem parte de um sistema interconectado. A natureza fornece comida, remédios, água, ar e muitos outros benefícios que permitiram às pessoas prosperar”, disse Doreen Robinson, chefe para a Vida Selvagem do Pnuma.
Outras epidemias
O relatório “Fronteiras 2016”, sobre questões emergentes de preocupação ambiental do Pnuma, mostra que as zoonoses ameaçam o desenvolvimento econômico, o bem-estar animal e humano e a integridade dos ecossistemas.
Nos últimos anos, diversas doenças zoonóticas emergentes foram manchetes no mundo inteiro por provocarem ou ameaçarem causar grandes pandemias, como ebola, gripe aviária, febre do Vale do Rift, febre do Nilo Ocidental e zika vírus.
Para impedir o surgimento de zoonoses, é fundamental conter as múltiplas ameaças aos ecossistemas e à vida selvagem, entre elas, a redução e fragmentação de habitats, o comércio ilegal, a poluição e a proliferação de espécies invasoras. E, cada vez mais infernais, as mudanças climáticas que tanto Trump quanto Bolsonaro insistem em negar.
Recado da natureza?
Seria a epidemia do novo coronavírus mais um recado não ouvido da natureza?
Certa vez, perguntei ao clínico-geral e presidente da Oncomed BH, Roberto Fonseca, qual a causa principal do diversificado aumento de cânceres em todo o planeta.
Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia e atual presidente do Conselho Superior da instituição, ele me respondeu de maneira direta, calma e sensível: “Não existe uma causa somente, mas várias. E todas elas se referem à qualidade do meio ambiente onde vivemos, cada vez mais degradado pelo nosso insustentável e predatório modelo de civilização”.
Nem tudo está perdido
Dias desses, voltei a me lembrar do hoje amigo Roberto, ao acessar a palestra do cientista Bruce Lipton, intitulada “A Biologia da Percepção” (ou da “Crença”), no Youtube. Ou seja, o que existe quimicamente lá dentro do funcionamento perfeito do nosso DNA, criado pela mesma natureza para a nossa defesa imunológica. A receita natural e humana, enfim, que temos dentro de nós.
E pode (ainda) nos salvar de quantos novos coronovírus queiram nos ameaçar.
Percepção biológica
Além de antigo, o vídeo de Bruce Lipton é muito científico. Mas, se você, caro leitor e internauta, tiver paciência e conseguir assisti-lo até a metade do segundo tempo, a partir daí verá que existe uma saída para tudo o que está ocorrendo no mundo. Ou seja, que o mestre Guimarães Rosa e até os Beatles tinham razão. Essa esperança (sem spoiler) é a única coisa que trazemos no nosso DNA e pode mudar tudo, incluindo nós mesmos, na nossa errática travessia sobre o planeta.
Conserve-a. E assista!

Convocação empresarial



“Quando a gente divide os nossos sonhos com Deus, eles se realizam mesmo. E eu só tenho a agradecer.” Foi o que confessou o mineiro Leonardo Bortoletto, fundador do Clube de Permuta, ao receber a visita do vice-governador Paulo Brant, em mais um “Segredo do Chef”, no Espaço Meet, em BH. No evento concorrido, que reuniu o mundo empresarial e político para debater as perspectivas econômicas de Minas e do país em 2020, Bortoletto lembrou que, inicialmente, o clube foi criado para estimular trocas entre os empresários, incluindo desde produtos e serviços até bolos e carros de luxo.
Isso foi em 2012, com apenas 12 empresários que acreditaram no negócio. Atualmente, o clube está presente em 21 cidades, de oito estados brasileiros, mais o Distrito Federal, com 1.392 associados e um faturamento recorde de R$ 6 milhões. A surpresa maior foi revelada no final. Ele convocou os empresários presentes a saírem de suas zonas de conforto e se posicionarem politicamente nas eleições deste ano. “Não adianta ficarmos só vendo tudo acontecer, omissos e sem participar da cena política, e depois reclamar do que legislaram para nós.”

A verdade do teflon




Divulgação - Paris Filmes

Você ainda usa panelas e frigideiras de teflon na sua cozinha? Então assista ao filme “O Preço da Verdade”, do original “Dark Waters”, já em cartaz nos cinemas. Baseado numa história real, o conhecido ator Mark Ruffalo (foto) vive um advogado de defesa que confronta a empresa química DuPont para expor um horrível segredo de poluição ambiental. O filme mostra também, com esperança, o que o ativismo e o direito ambiental são capazes de fazer pela nossa salvação ecológica. Que nem tudo, enfim, está perdido. A verdade é como azeite, sempre fica à tona d’água.

O maestro e o primeiro violino

Dois meses depois da cerimônia de entrega do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza´2019, realizada com pompa e elegância na beleza da Sala Minas Gerais, José Israel Vargas e Octávio Elísio Alves de Brito – os dois vencedores na categoria “Ambientalista Histórico” – se encontraram de maneira simples e afetiva.

Promovido pela Revista Ecológico, o encontro se deu em BH, na intimidade do apartamento do primeiro homenageado, ex-secretário de Ciência e Tecnologia no Governo Aureliano Chaves e embaixador do Brasil na Unesco. Aos 92 anos de idade e com a saúde fragilizada, ele não pôde comparecer à premiação.
O segundo homenageado, que lhe entregou o merecido troféu, foi seu fiel escudeiro, ex-secretário de Educação no Governo Tancredo Neves e deputado constituinte com a bandeira da defesa do meio ambiente. Ambos, mestre e discípulo, criadores do Copam, atual Conselho Estadual de Política Ambiental, que inspirou a criação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).
Durante a troca de amabilidades, Octávio Elísio lembrou, com gratidão, que José Israel sempre foi o seu “maestro”. Ao que o professor respondeu, com requinte: “Se fui o seu maestro, você foi e continua sendo o meu primeiro violino”.
Foi assim, em fina sintonia, que eles ‘orquestraram’ a defesa da natureza e do desenvolvimento sustentável. “Se a ciência e a tecnologia foram as grandes responsáveis pela atual degradação ambiental do planeta, por falta de consciência ecológica na época, somente por meio delas será possível recuperá-lo. E assim, garantir a sobrevivência também do gênero humano”, salientou Vargas.
O encontro terminou com um tradicional lanche à mineira: “pão de queijo e café produzido no município de Machado”. E recordações sem fim.