O “causo” arqueológico de Luzia e Fernando Coura




Registro pitoresco sobre o presidente do Sindiextra enquanto jovem espeleologista, 
na primeira expedição científica que descobriu a mulher mais antiga do planeta 


Minas são muitas, já dizia Guimarães Rosa. Os mineiros também. É o caso do engenheiro de Minas, formado pela Escola de Minas de Ouro Preto (Ufop), José Fernando Coura, que integra o Conselho Editorial da Ecológico. Que ele é natural da “Grande” Dom Silvério, como gosta de dizer; que já tomou cachaça com o Manuelzão; e continua presidente do Sindiextra, todo o setor de mineração sabe. Mas que também é espeleologista, nem todos sabem.
Pois fiquem sabendo disso. Quando, no dia 2 de setembro deste ano, o Museu Nacional pegou fogo no Rio de Janeiro, ele chorou lágrimas secretas. Emocionou-se para muito além da sua costumeira e natural emotividade pelas coisas que vêm do coração. Coura chorou, sem ser infiel, por uma famosa mulher de Pedro Leopoldo (MG), chamada Luzia, bem mais idosa do que ele, com idade entre 12.500 a 13.000 anos. Chorou, literalmente, pelo crânio dela. Isso mesmo. Pelo único vestígio de sua existência, encontrado que foi chamuscado e parcialmente salvo entre os escombros do trágico incêndio que abalou o país e o mundo.

E por que a descoberta desta mulher pré-histórica, considerada o fóssil humano mais antigo e revelador da nossa errática e anti-ecológica travessia pela Terra, o abalou tanto? Aí que entra essa informação, em primeira mão, da Ecológico. Porque o nosso Fernando, na altura dos seus 21 anos de idade, na época - é claro – integrou a primeira expedição científica que encontrou o esqueleto de Luzia, na Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo. Isso, em 1975, sobre o comando da espeleologista Annette Laming-Emperaire, do Museu L´Homme de Paris


O espeleologista Fernando Coura
aos 21 anos, na Lapa Vermelha
Este “causo” é verdadeiro e está relatado no número 7, de outubro deste mesmo ano, da Revista Espeleologia. Àquela época, quase meio século atrás, Coura era secretário da Sociedade Excursionista e Espeleológica dos Alunos da Escola de Minas, hoje EMM-UFOP, de Ouro Preto.

E a descoberta de Luzia – mal sabia a expedição da sua futura importância mundial – foi registrada em apenas uma longa frase: “Entre a Gruta do Quilombo e a Lapa Vermelha II, a uns 4 metros de profundidade... foi descoberto um crâneo humano, com idade mínima de 9.500 anos, num terreno evidenciado por fogueiras antigas e pinturas rupestres”.

O que vale aqui é registrar a diversidade profissional, cultural e ocupacional de Coura. Além da mineração sustentável, do Sindiextra e do Manuelzão – o vaqueiro-mor que guiou a travessia de Guimarães Rosa pelo grande sertão e as veredas de Minas –, o nosso engenheiro dom-silveriense também tem esse outro caso de amor platônico e incomum revelado. Com o fóssil de Luzia, a homo sapiens mais antiga que ele ajudou a ser descoberta e mostrar quem nós já fomos sobre a face da Terra.


Grande Fernando!



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