Piedade hídrica




A primeira experiência em compartilhamento de gestão hídrica, envolvendo uma empresa privada de saneamento, uma Área de Proteção Ambiental (APA) e moradores preocupados com a questão ambiental, está acontecendo no sopé da Serra da Piedade, na histórica Caeté, sob as graças de Nossa Senhora da Piedade, a padroeira de Minas. Trata-se de um convênio recém-assinado entre o Serviço Autônomo de Água e Esgoto  (SAAE) do município e a Associação Comunitária Quintas da Serra (ACQS), cujo objetivo é diagnosticar as nascentes que ainda brotam nas matas ao redor da Serra. E, depois, definir um prognóstico capaz de otimizar a distribuição, o uso sustentável e a regularização das águas ainda abundantes, como por milagre, em meio a tanto verde.

À frente da superintendência do SAAE está o biólogo Renê Renault, ex-secretário municipal de Meio Ambiente, Cultura e Turismo de Caeté, cuja maior experiência foi ter gerenciado, durante três anos, a criação e a gestão da APA-Sul, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na pauta, a criação de um Conselho Consultivo e um plano de manejo de flora e fauna, por se tratar de uma autossustentável Unidade de Conservação.

Memória ambiental






Na celebração dos seus 18 anos de atividades, realizada com simplicidade no auditório do CREA-MG, na capital mineira, a Organização Ponto Terra foi elegante. Aproveitou a presença seleta do público e prestou uma homenagem aos ambientalistas históricos de Minas Gerais. Quem mais foi reverenciado e agradeceu em nome dos companheiros de luta e ideal, foi o professor Angelo Machado, que preside a Fundação Biodiversitas. Mesmo com problemas de saúde, o decano dos ambientalistas compareceu à homenagem e não perdeu o bom humor: “Na minha idade e condições físicas, subir escada virou esporte radical” – disse ele.

Graças à maioria dos companheiros ali condecorados com o troféu “Laços da Amizade”, como lembraram José Cláudio Junqueira e Roberto Messias Franco, conselheiros da Ecológico, é que Minas e o Brasil têm hoje preservados, para sempre, o Parque Nacional da Serra do Cipó; o Parque Estadual do Rio Doce, chamado de “A Amazônia mineira”; o Parque Municipal das Mangabeiras, a maior área verde protegida de BH; e a Mata do Jambreiro, em Nova Lima, a maior área original de Mata Atlântica que sobrou em toda a Região Metropolitana, dentre outras conquistas verdes.
Também foram lembrados: a Revista Ecológico, que agradece a distinção verde, e Hugo Werneck, in memoriam. E Célio Valle, ausente, que virou fazendeiro e não sai mais do mato, onde diz estar experimentando a sustentabilidade na prática.