O presidente que queremos



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Há mais de duas décadas, desde a ECO/92 no Brasil – até hoje o evento que mais reuniu chefes de Estado na história da humanidade –, nós, ambientalistas e jornalistas militantes da chamada imprensa verde, jamais tivemos dúvidas, só esperança. O presidente em quem sempre sonhamos votar só precisa ter uma qualidade: ser um estadista com visão ecológica de mundo, e não apenas de Brasil.
Collor foi só marketing, fogo de palha. Fernando Henrique quase foi. Lula teve tudo pra ser. Bastava ter colocado a Amazônia do seu companheiro Chico Mendes debaixo do braço e rodado o mundo, exigindo respeito e apoio financeiro internacional para preservá-la e explorá-la de maneira sustentável. Ou seja, criando emprego e renda para os 25 milhões de brasileiros, incluindo as populações indígenas que vivem ali, sem permitir a degradação da floresta.
Foi uma pena, considerando a enorme popularidade de Lula. Ele trabalhou pela redução da pobreza, como nunca na história deste país. Mas se esqueceu do meio ambiente, da natureza que ainda resta no planeta, sem os quais eleitor ou ser humano algum, rico ou pobre, filiados a partidos políticos ou não, consegue sobreviver.
Já Dilma, sua sucessora, foi uma decepção maior ainda, comparando sua firmeza em gerenciar tantas outras áreas e prioridades do país. Ela também olhou a árvore e não viu a floresta. O seu governo, e noticiamos isso não com prazer de criticar, mas com tristeza ecológica, foi o que menos fez pela natureza pátria, interligada planetariamente a todas as outras pátrias terrenas.
Foi, infelizmente, a presidente que menos preservou e criou Unidades de Conservação (UCs), leia-se parques nacionais, reservas naturais, estações ecológicas e outras áreas de preservação. E a que, contrariando uma tendência mundial, mais permitiu a diminuição dessas áreas verdes então já criadas e protegidas oficialmente. E pior: ainda incentivou a criação de conselhos dos atingidos pelas UCs.
O tempo não para!
Agora temos Dilma, Aécio e Marina, presidenciáveis dessa terra amada e ainda verde esplêndida, querendo os nossos votos. É fácil tê-los, tamanha a nossa carência e solidão num país e num planeta que caminham juntos para o suicídio ambiental, vide o que apenas a morte de um rio chamado Paraíba do Sul causou de guerra hídrica entre os estados de São Paulo, Rio e Minas Gerais.
Portanto, não basta que os candidatos apenas lembrem e falem da questão ambiental em seus programas de governo e discursos. É preciso que, humildemente (como todos os demais seres vivos do planeta já sabem e estão sentindo na pele), eles também admitam que o meio ambiente é a questão transversal que mais deveria preocupar qualquer futuro governante ou administrador público.
A nova e revolucionária ordem política é esta. Não cabe mais a antiga visão antropocêntrica, que até pouco tempo nos fez achar que éramos primordiais e mais importantes que o sol, as estrelas e o universo. E ainda achamos que tudo gira ao nosso redor.
É insustentável tentar melhorar as condições de vida da população, do ser humano primeiro, e somente depois salvar e cuidar da natureza do país e do planeta, antevendo o nosso futuro comum e global. É cosmicamente o contrário. Um futuro presidente estadista tem de preservar antes e concomitantemente a natureza. Salvar, antes, o país e o único planeta em que vivemos, nos dá vida, energia, água e comida. Aí, sim, sob um chão verde e azul, com três quartos de água, poderemos continuar vivos e nos desenvolver economicamente de maneira sustentável.
Eis a bandeira do que precisamos e chamamos de desenvolvimento sustentável: sermos economicamente viáveis, ambientalmente corretos e socialmente mais justos. Existe sabedoria política maior e de mais longo e estratégico alcance do que esta? Existe maior subversão de amor ao planeta e a nós mesmos?

Portanto, prezada Dilma, prezado Aécio e prezada Marina: quem de vocês se candidata a ser o futuro presidente estadista com visão ecológica do Brasil?  
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