A Informação e o Meio Ambiente, nos 13 anos da Ponto Terra



Para comemorar os 13 anos de fundação, a Organização Ponto Terra, Oscip ambientalista, realizará no próximo dia 4 de abril, quinta-feira, o ciclo de palestras "A Informação e o Meio Ambiente", quando jornalistas, autores, apresentadores de televisão e outras personalidades apresentarão ao público suas experiências na difusão de conteúdos sobre a temática ambiental.
O evento será marcado pela presença dos jornalistas Fernando Gabeira, apresentador do programa Capital Natural, da TV Band News, Hiram Firmino, editor da Revista ECOLÓGICO, do ex-deputado federal Fábio Feldmann, autor do livro "Sustentabilidade Planetária, onde eu entro nisso?", e de outros produtores de livros, revistas, blogs e programação de televisão distribuída pela internet.
O ciclo de palestras "A Informação e o Meio Ambiente" se estenderá por todo o dia, com 10 painéis, que serão expostos entre as 8h30 e as 22h00, no auditório Fênix, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Fumec (Rua Cobre, 200, bairro Cruzeiro, Belo Horizonte, Minas Gerais).
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail pontoterra@pontoterra.org.br, bastando o interessado apresentar o nome completo e o telefone para contato.

Imda avança


Mesmo em plena sexta-feira véspera de Carnaval, o Instituto Mineiro de Desenvolvimento Ambiental (IMDA) conseguiu reunir e dar posse a 22 dos seus 28 ambientalistas fundadores. A cerimônia, concorrida, aconteceu na sede do Ietec, em BH, onde, no próximo dia 1º de março, haverá uma nova reunião para consagrar as metas 2013. Segundo o presidente Ronaldo Malard (foto), a única mulher também fundadora da nova instituição é a ex-deputada e presidente da Associação das Caminhantes da Estrada Real, Maria Elvira, ungida para o conselho fiscal.

Foto: Divulgação

Ferrous social


“A partir dos recursos gerados pela atividade mineradora, estamos realizando um movimento que alavanca o desenvolvimento social, transformando em recurso finito, que é o minério de ferro, em um recurso renovável: o capital social.”. A afirmação é de Mariana Rosa (foto), gerente-geral de Comunicação e Responsabilidade Social da Ferrous. Ela também adiantou que os 50 novos caminhões adquiridos para ampliar as operações, nas minas de Brumadinho e Congonhas, serão batizados com nomes de árvores típicas da Mata Atlântica. E, para cada veículo desses, mais árvores serão acrescidas na reserva ambiental da empresa, aumentando também o seu capital verde.


Foto: Alexandre Motta

Parou por quê?




Novos desafios para o futuro titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de BH: saber porque parou e retomar urgentemente o plantio das 54 mil novas árvores na paisagem árida da capital mineira. Esse avanço vergel foi prometido e iniciado na primeira gestão de Marcio Lacerda para compensar as 18 mil árvores já frondosas mutiladas por causa das obras de mobilidade urbana para a Copa do Mundo. Esse comprometimento ecológico corajoso, na base de três novas árvores para cada uma derrubada, com o voto de confiança dos ambientalistas que não podem ser esquecidos,  valeu o “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, o “Oscar da Ecologia´2012, na categoria “Melhor Político” a Lacerda em meio à revolta da população, na época, contra a diminuição explicada, mas doída, da arborização da capital.

Primeiros frutos
Se o prefeito, em sua nova gestão, quiser recuperar o ânimo pelo verde, vide o inferno em vigor das mudanças climáticas, basta ele ir na Praça da Papa. Foi ali, bem-humorado e na companhia de jornalistas e ambientalistas, que ele inaugurou a promessa das 54 mil árvores. É ali, no ponto mais nobre da zona sul, que quase meia centena de ipês bem cuidados já esboçam um bosque vigoroso, dão sombra e prometem uma primavera inaugural este ano. Por que não em toda a cidade, onde este mesmo sonho pode ser real, democrático e inclusivo?

O Mineirão do Saara




Que me perdoem o nosso cruzeirense senador Aécio, os atleticanos governador Anastasia, prefeito Marcio Lacerda, seu filho Tiago e o meu amigo Gustavo Penna, representando os arquitetos, engenheiros e urbanistas envolvidos na concepção do novo Mineirão recém-entregue a todas as torcidas do planeta. Eu fui lá outro dia, dia normal de semana. E como todo mineiro que se preze, e vê antes de assuntar, o tamanho e o jeitão do que se quer falar, fiquei horrorizado!

Eu tinha ficado assim antes, olhando já desconfiado as perspectivas paisagísticas e sem verde do futuro Mineirão. Mas o que constatei agora ali, não tem explicação nem humanismo básico. Só cimento, desolação e aridez onde já havia muito verde. Todo o seu novo redor e espaços internos e vazios do novo estádio parecem ter sido planejados para se tornar palco de um culto profano e antiecologico: o de expor, de propósito, os torcedores ao sol inclemente de Minas – o Estado mais solar e com a temperatura em elevação do Brasil – e a todos os possíveis tipos de câncer que esse desamor provoca.

Ali não há sombra natural pra ninguém. Seja para um torcedor idoso, já cheio de manchas suspeitas, escuras e vermelhas nas mãos, braços ou rostos. Seja para uma criança de colo, assando no carrinho de lona ou plástico sobre o asfalto ou cimento. Seja para os camelôs e barraqueiros, não há onde se refugiar. As únicas sombras possíveis são artificiais e personalizadas só pra quem trabalha sob tendas de plástico, que também não evitam a claridade, fazem arder os olhos e potencializam mais calor e desconforto ainda.

O que os autores e paisagistas do novo estádio dos mineiros fizeram no lugar de milhares de árvores que existiam ali? Plantaram algumas mudas aqui e outras acolá, numa economia de gasto desumana. E onde podiam plantar, dentro e fora do Mineirão (e há áreas imensas pra isso, somente gramadas), também foram desecológicos. Simplesmente se esqueceram do verde, de tantos bougainvilles que, possíveis e com baixo custo de manutenção, poderiam colorir e alegrar todos os muros de cimento do novo Mineirão.

Por que isso? Seria uma ojeriza burguesa negarmos a nossa origem bucólica? Ou vergonha boba  e colonizada de mineiro, de querer  imitar a Europa, onde o clima e seus espaços públicos são diferentes?




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 Da esquerda para direita: como está, como era e como foi prometido o estádio Magalhães Pinto (Mineirão)*

O PERDÃO É VERDE

Esses nossos urbanistas não devem saber da história vergel e ambiental de BH. Não sabem que, quando as primeiras secretaria e lei municipal de Meio Ambiente da capital mineira foram criadas, fruto da luta dos ambientalistas nas gestões de Hélio Garcia e Sérgio Ferrara, a prefeitura fez uma pesquisa para descobrir porque 70% das mudas de árvore plantadas anualmente nas imediações do estádio, notadamente ao longo das avenidas Antônio Carlos e Carlos Luz, não vingavam, eram todas quebradas após cada jogo.

A resposta foi simples. Quando o Atlético perdia, seus torcedores, de raiva, descontavam nas coitadas das mudas. Quando era o Cruzeiro a perder, os integrantes da Máfia Azul faziam o mesmo. Como não podiam bater nos juizes e bandeirinhas, nem xingar mais do que já xingavam suas respectivas mães, ambas as torcidas agiam emocionalmente: quebravam todas as pequenas e futuras árvores que viam pela frente.

 O que a Prefeitura fez? Uma grande campanha de esclarecimento junto às torcidas, e nos próprios telões do estádio, antes de cada jogo. O resultado foi uma redução quase absoluta, com quase 100% de adesão, eliminando esse vandalismo.

Mais. Seus torcedores passaram a plantar árvores junto com os funcionários da SMMA em todas as áreas de estacionamento. Isso explica porque, já crescidas, elas passaram a dar sombra para milhares de carros, amenizando sobremaneira o clima de deserto que já havia no projeto original do estádio. Árvores que, mesmo adultas, com flores e passarinhos morando, foram mutiladas sem dó nem piedade no novo projeto.

Como Guimarães Rosa descreve em “Grande Sertão:Veredas”, mostrando o calor e a desolação humana no cenário devastado da caatinga baiana virando deserto, reproduzido no novo Mineirão, o Saara mineiro parecer ter mesmo uma sofrível e colonialista explicação. A de que a maioria dos nossos arquitetos e urbanista ainda sofre da chamada Síndrome Européia, que é querer repetir aqui, no continúo ensolarado e tropical país que vivemos, o mesmo modelo dos países europeus, onde neva e falta luz do sol em grande parte do ano. E, por isso mesmo, não existem nem fazem tanta falta árvores, bosques e florestas conjungados sobreando seus espaços públicos.



AINDA QUE TARDE

Não seria o caso de todos os responsáveis pelo novo, árido e indiscutivelmente cancerígeno Mineirão voltarem hoje ali e – sem preconceitos, mas com a humildade e sabedoria que as montanhas nos ensinam e nos faz diferentes - terem um novo olhar sobre o seu antiecológico, desamoroso e socialmente injusto paisagismo?

Será que eles sabiam que, na comparação com outras nove capitais, BH registrou, em 100 anos, um aumento médio de temperatura de 1,5 graus? E que, segundo um estudo da UFMG, desde 1911 a nossa umidade relativa do ar caiu 7%, chegando a 66,2%, e a temperatura mínima média aumentou 2,7 graus, passando de 15,2 para 17,9 graus? O que nos obriga a usar (e não usamos) filtro solar diariamente, haja sol ou apenas a sua claridade aqui severamente potencializada?

Afinal, nós só temos esse Mineirão, e o amamos, tal como amamos os nossos times. E o que cabe de verde ali dá pra compensar todas as árvores que, atleticanos, cruzeirenses e americanos ajudamos a plantar e não existem mais, por insistirmos em sermos “cidadãos modernos” de uma Europa que, felizmente, não somos.

Mesmo não tendo mar, BH já tem mais casos de câncer provocado pela nossa demasiada exposição ao sol que Florianópolis e oito outras metrópoles litorâneas no nordeste (Salvador, São Luís, João Pessoa, Recife, Natal, Aracaju, Fortaleza e Maceió). Isso mesmo. Esse dado alarmante é do Instituto Nacional do Câncer. E sua estimativa para 2013 – quando o Mineirão e seu entorno sem sombra atrairão um público imenso e permanente - é que mais mulheres que homens serão vítima de câncer de pele. Serão 95 delas, e muitas torcedoras, em busca de tratamento para cada 100 mil habitantes de BH, contra a média nacional de 68.

Isso é triste, e também fere a nossa história bucólica. Cadê a Cidade Jardim, a Cidade Vergel dos versos de Olavo Bilac ou a Paris Brasileira, o Belo Horizonte de clima ameno que fez até um Noel Rosa, o poeta da Vila, buscar a cura de sua tuberculose aqui, e também apaixonar-se por ela? Cadê um Mineirão saudável, também verde por fora, com nossas torcidas protegidas naturalmente contra o sol e as doenças que, assim desrespeitado, ele pode nos provocar?

Por amor, Aécio, Anastasia, Márcio, Tiago e Gustavo Penna. Liderem, ainda que tarde, esta reesperança!


*Crédito das fotos da esquerda para direita: Ecológico, André Ruas e BCMF