2012 - O ano lunar (e de Dilma) que já começou

Foto: Reuters
Nada acontece por acaso no céu ainda azul do Planeta Terra. A virada de 2011 para 2012 aconteceu sobre a influência da lua nova, duas noites e dois dias antes do início da lua crescente. Ou seja: para quem acredita no relógio natural do universo, vide o movimento diferenciado das marés que a diferentes fases lunares causam em ¾ da superfície terrestre, tal como em 75% do nosso corpo também constituído de água, o nosso destino comum tem tudo a ver com o que acontece entre o sol e a lua.
Se vamos continuar vivendo ou não como os demais seres vivos, isto parece depender do eterno e matemático namoro entre esses dois astros que garantem a vida na Terra. Esta é a expectativa que se inaugura para toda a humanidade e a natureza que nos resta, segundo as previsões astrológicas: 2012 não será um ano solar, masculino, racional.
Ao contrário, garantem os estudiosos no assunto e isso também não acontece por acaso (leia-se o exemplo de Dilma Rousseff, a primeira presidente mulher na história política do nosso país) o ano que já começou será um ano lunar. Um ano do feminino (vide que até a presidência da Petrobras também passará às mãos de uma mulher).
Será um ano, enfim, do maternal, do cuidado. Como há anos Leonardo Boff tenta no ensinar, do cuidar daquilo que já amamos e devemos amar, em respeito a todos os seres vivos e como estratégia planetária de auto-sobrevivência comum.
É nisso que a Revista ECOLÓGICO acredita, reverberiza e torce pra dar certo este ano. Um 2012 mais feminino e com mais esperança. Quem sabe uma outra e mais ecológica história da humanidade estará começando? Quem sabe, entre nós, masculinos demais, nascerá um super-homem, o Homo amorosus previsto por Gil “... por causa da Mulher”?
Afinal, ao contrário dos quatro cavaleiros do Apocalipse, também já previu um outro quarteto de Liverpol, e Dilma  certamente também o curtiu em sua juventude, “O amor é mesmo tudo o que precisamos”. Ou você não acredita na ecologia profundamente subversiva e revolucionária do amor?
Eu acredito! Até já assino, querendo ser, “hiram@souecologico.com”.
Nós, da ECOLÓGICO, acreditamos! E queremos que nossos leitores, anunciantes e colaboradores também acreditem.
Há 21 anos (desde o Estado Ecológico, no jornal ESTADO DE MINAS, e a JB Ecológico, no JORNAL DO BRASIL, lembra-se?), não é à-toa que a nossa revista sempre circulou/circula no dia da Lua Cheia. E o feminino embutido aí, tal como era o Calendário Maia, mais ecológico, regido pela Mãe Natureza, talvez não seja mera coincidência.  Como não é o Governo Dilma, nem outros governos e mulheres ascendentes mundo afora. Mas, sim, a esperança atual, feminina e planetária que 2012 promete.
Acesse nosso site http://www.revistaecologico.com.br e vamos juntos, como Drummond nos poetizou, de mãos dadas!

Hiram Firmino

O recado do mundo para Dilma

"Não dá mais para segurar, nossa querida presidente, tamanha e história desimportância que omeio ambiente sempre teve na agenda política brasileira"


Foto: Nick Wiebe
“...Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir. Defender as crianças que passam fome pelo mundo e cujos apelos não são ouvidos. Para falar em nome das incontáveis espécies de animais que estão morrendo em todo o planeta, porque já não têm mais para onde ir. Eu tenho medo de tomar sol, por causa dos buracos na camada de ozônio. Medo de respirar este ar, porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando. Eu costumava pescar  com meu pai, até que, recentemente, pescamos um peixe... com câncer!
Vocês se preocupavam com essas coisas quando tinham a minha idade?
Tudo isso acontece bem diante dos nossos olhos e, mesmo assim, continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções. Sou apenas uma criança e não tenho todas as soluções; mas, quero que saibam que vocês também não as têm.
Não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio, salvar os peixes das águas poluídas. Vocês não podem ressuscitar os animais extintos. E não podem recuperar as florestas que um dia existiram onde hoje há desertos. Se vocês não podem recuperar nada disso, por favor, parem de destruir!
Vocês são os representantes de seus governos, homens e mulheres de negócios, administradores, jornalistas ou políticos. Mas, na verdade, vocês são mães e pais, irmãs e irmãos, tias e tios. E todos, também, são filhos.
Sou apenas uma criança, mas sei que todos nós pertencemos a uma sólida família planetária (mais sete bilhões de pessoas). Ao todo, somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade.
Sou apenas uma criança, mas sei que esses problemas atingem a todos nós e deveríamos agir como se fôssemos um único mundo rumo a um único objetivo. Estou com raiva, não estou cega e não tenho medo de dizer ao mundo como me sinto.
No meu país, geramos tanto desperdício! Compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora… E nós, países do Norte, não compartilhamos com os que precisam. 
Mesmo quando temos mais do que o suficiente, temos medo de perder nossas riquezas, de compartilhá-las. No Canadá, temos uma vida privilegiada, com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de TV.
Há dois dias, aqui no Brasil, ficamos chocados quando estivemos com crianças que moram nas ruas. Ouçam o que uma delas nos contou: ‘Eu gostaria de ser rica; e, se o fosse, daria a todas as crianças de rua alimentos, roupas, remédios, moradia, amor e carinho’. 
Se uma criança de rua, que nada tem, ainda deseja compartilhar, por que nós, que tudo temos, somos ainda tão mesquinhos?
Não posso deixar de pensar que essas crianças têm a minha idade e que o lugar onde nascemos faz uma grande diferença. Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio. Eu poderia ser uma criança faminta da Somália, ou uma vítima da guerra no Oriente Médio; ou, ainda, uma mendiga na Índia.
Sou apenas uma criança; mas, ainda assim, sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a Terra seria!
Vocês estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer. Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes: ‘Tudo vai ficar bem, estamos fazendo o melhor que podemos, não é o fim do mundo’. Mas, não acredito que possam nos dizer isso. Nós estamos em suas listas de prioridades?
Meu pai sempre diz: ‘Você é aquilo que faz, não o que você diz’. Bem… O que vocês fazem, nos faz chorar à noite. Vocês, adultos, dizem que nos amam… Eu desafio vocês: por favor, façam com que suas ações reflitam as suas palavras. Obrigada!”
Esse foi o memorável discurso, presidenta Dilma, de Severn Suzuki, na RIO/92. Agora, duas décadas depois, com a RIO+ 20, quando o Brasil irá sediar novamente todo este desafio e esperança global, as palavras desta hoje adulta e cidadã consciente de um mundo em desequilíbrio natural permanecem atuais. 
Torcemos para que a senhora, no auge merecido da maior aprovação popular de um governo que se preocupou sobremaneira com o desenvolvimento socioeconômico, com a geração de renda e emprego, também volte os olhos, os ouvidos e o coração, como nunca antes na nossa vida política, para a questão ambiental.
Não dá mais pra segurar, nossa querida presidente, mãe e avó Dilma Rousseff, tamanha e histórica desimportância que o meio ambiente e a natureza sempre tiveram na agenda de quem antes ocupou o seu lugar. E não o honrou, muito menos amou.
Honre-o! Por amor a todas as outras Severns que também estão por nascer.  
São os votos e a esperança parceira desta edição da Revista ECOLÓGICO. 
Boa leitura.
Até a próxima lua cheia!