Mais uma estrela no céu

Foto: Bruno Kelly

Foi assim, que o próprio Greenpeace postou, a notícia da morte da sua ativista Tatiana de Carvalho, 36 anos, após um trágico acidente numa cachoeira próxima a Brasília, ocorrido no primeiro dia de lua minguante deste mês:
“O arco-íris ficou pálido, em tons de cinza. Os dias se tornaram um vazio indescritível nos nossos escritórios. Tati era a mais pura expressão de alegria, autenticidade, garra, espontaneidade. Era daquelas pessoas raras, que vêm ao mundo em edição limitadíssima. Dos corredores sisudos do Congresso Nacional aos labirintos da Floresta Amazônica, onde passou quase uma década se unindo a comunidades contra o desmatamento, ela deixava um rastro de inspiração e energia.
Tati lutou na campanha por um Brasil Livre de Transgênicos e, com a mesma garra, batalhava atualmente pelo Desmatamento Zero. Nunca mediu esforços para que a floresta e seus povos fossem protegidos. Por isso, lhe fizemos uma promessa: vamos honrar seus sonhos e levar adiante a luta pelo Desmatamento Zero no Brasil.”
Sua última entrevista e seu último apelo, você pode conferir, na seção “Páginas Verdes” deste mês. 



Menos guerreiras no Brasil
É assim, agora sem Tati, que continua a Administração Dilma Rousseff, mesmo tendo uma outra guerreira e técnica competente, a ministra Izabella Teixeira, à frente da pasta do Meio Ambiente, do Ibama, do Instituto Chico Mendes e de outros órgãos ambientais sucateados historicamente por falta de reconhecimento interno do núcleo duro do governo, de orçamento justo e valor político em relação a maioria das outras pastas tidas como “desenvolvimentistas”.  A morte de Tati, prezada ministra e querida presidenta, é apenas mais uma das dezenas de mulheres mártires pela Amazônia , como a Revista ECOLÓGICO vem registrando em suas últimas edições


Menos florestas no planeta
É o que a imprensa mundial acaba de registrar, para a tristeza de todos nós. A seca intensa de 2012 e o aumento do garimpo e da plantação de soja impulsionada pela alta dos preços internacionais de grãos levaram o desmatamento da Amazônia Legal Brasileira a atingir em agosto último o maior nível desde julho de 2009. Há dois meses, o pico do desmatamento atingiu a marca de 522 km2, um aumento de 220% em relação a agosto de 2011. Em julho de 2009, o total desmatado foi de 835 km2. Em setembro, a área desmatada foi diminuída para 282 km2. Os números, presidenta Dilma, foram divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente, o mesmo e mais abandonado de todos por parte de seus antecessores. Até quando, companheira?  



Emoção à flor da pele


 

Foto: Thiago Fernandes
Alberto Camisassa, superintendente-executivo da Fundação Sidertube, e Manfredo Leyerer, diretor-financeiro da V & M do Brasil, não se conteram durante o lançamento do Projeto “Guerra e Paz”, de Cândido Portinari, que irá marcar a inauguração do ex-Cine Teatro Brasil como o novo centro cultural de BH, quando setembro de 2013 vier.
Ao lado do assessor de Sustentabilidade, Comunicação e Assuntos Corporativos da V&M, Alexandre Mello, e do filho do artista, João Cândido Portinari, que emocionou a plateia de jornalistas e produtores culturais mineiros, ao contar a história de superação e autoenvenenamento do pai por uso de tintas tóxicas. Numa época em que não havia a consciência ambiental, eles foram só esperança e alegria do dever em cumprimento final.
Camisassa confirmou que, oito décadas depois, o antigo e futuro Cine Brasil vai abrigar duas salas de espetáculo, um teatro com l,2 mil lugares e outro com 200, mais auditório, café e galeria. E Leyerer, que R$ 8 milhões já gastos na sua reforma e recuperação artística até agora pelo Grupo Valourec (ex-Mannesmann) não passaram de uma feliz, criativa contribuição: “Não seremos nós que iremos administrar e tornar autossustentável a administração deste novo espaço. Mas, sim, de maneira consorciada, os órgãos oficiais que já cuidam da gestão cultural”.
A geração de quem já frequentou, namorou e até casou por causa do Cine Teatro Brasil, na Praça Sete, agradece antecipadamente a emoção em reconstituição na Praça Sete. As futuras, certamente, se supreenderão, quando a nova primavera chegar.

Esses moços...



Adilson Rodrigues, José Nogueira, José Cláudio Junqueira, José Aparecido (Cido), Apolo Heringer e José Carlos Carvalho não fogem à luta quando a causa é comum. Diferenças e estilos à parte, eles responderam à convocação do Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), o “menino dos olhos” de Andréa Neves, e disseram um uníssimo “não” ao perigo de 450 mil sacolas plásticas descartáveis voltarem a poluir, diariamente, a nossa natureza. É o que você confere aqui.

Esse Tadeu ....




Foto: Sebastião Jacinto Júnior
Era para ser mais uma reunião importante da secretaria-executiva da Fiemg. Mas o último convidado, Tadeu Carneiro (foto), diretor-geral da CBMM, foi além. Deu uma verdadeira aula de ecologia humana, social e econômica ao explicar como a maior mineradora de nióbio de ferro do planeta conseguiu evoluir sustentavelmente ao longo de seus já 50 anos de atividades. Isso, a apenas 300 metros de distância do Parque Balneário de Araxá, onde Dona Beja costumava se banhar e encantar até a natureza à sua volta. Aguarde a cobertura da exposição da CBMM na próxima ECOLÓGICO.

Essa Anglo...



Foto: Jair Campos
Muito oportuno o “I Workshop de Mineração para Jornalistas”, promovido pela AngloAmerican, sob a batuta de Pedro Borrego, diretor de Desenvolvimento Sustentável da Unidade de Negócio Minério de Ferro Brasil, além de outras áreas estratégicas. Mais que envolver editores de veículos com especialistas de renome na área, ele contou com a mediação ecologicamente “americana”do José Mendo Mizael de Souza. Ex-presidente do Ibram, durante décadas, Mendo foi um dos grandes responsáveis pela abertura do diálogo mineração-ambientalistas, quando da  discussão e criação da Área de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de BH (APA-Sul).

Essa Giselle...

Foto: Divulgação

A fundadora e presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB-MG), Gisele Lisboa, é a nova Cidadã Honorária de BH. Natural do Rio de Janeiro, a advogada, empresária e “apaixonada pela vida”, como prefere se apresentar, em menos de quatro anos de atividades intensas na capital mineira já atua em vários segmentos, desde como diretora da ACMinas como de relações institucionais do Inhotim. Seu mérito companheiro é o de também agregar a questão ambiental na instituição que dirige.

Esse Benício...

Foto: Divulgação

Foi um sucesso a mineira a realização, na Fiemg, do Fórum Ambiental´2012 sobre Mineração Sustentável, promovido pela ONG Zeladoria do Planeta, Meio Ambiente e Cultura. Leia-se Fernando Benício, seu presidente, cada dia mais protagonista da causa em comum. Detalhe de ecologia humana: seu evento também prestou homenagem à memória de Ilmar Bastos.

Esse Coura...

Foto: Divulgação

Já era esperando o presidente onipresente do Ibram e do Sindiextra, José Fernando Coura, vencer a candidatura do Cazaquistão e fazer o Brasil sediar o 24º. World Mining Congress em 2016. A votação ocorreu em Viena, na Áustria, por 16 votos contra cinco, decididos pelos representantes de 21 países reunidos. “Trata-se de uma nova etapa na história e desenvolvimento sustentável do nosso setor”, ele comemorou. O evento acontecerá na Cidade Maravilhosa.

Esse Zé...


Foto: Arquivo pessoal
O ex-ministro e ex-secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos Carvalho (foto), preferiu um critério ecológico-afetivo para comemorar o seu concorrido aniversário de 60 anos. Além de devastar totalmente a barga e bigode, coisa que a sua própria esposa Sônia e filhos jamais testemunharam, ele resolveu convidar somente os seus “amigos” de coração e não os “amigos” dos seus tantos cargos que ocupou. Resultado: encheu o avarandado do Minas 2 do mesmo jeito. A história viva do IEF, por exemplo, incluindo amigos e antigos funcionários até na casa dos 90 anos de idade, marcou presença. E se comoveu.

O construtor de pontes

Ilmar com a companheira e as duas filhas.


Amizade é igual o bem e o mal. Enquanto as pessoas más são organizadas, certeiras e pragmáticas em seus intentos, as pessoas do bem são o contrário: relaxadas, não cuidam da relação com os amigos, porque confiam umas nas outras, e por isso mesmo, são queridas. Só se valorizam ou são valorizadas quando partem deste vale desecológico de lágrimas. Foi o que aconteceu com o nosso companheiro Ilmar Bastos, biólogo e ambientalista histórico com passagens brilhantes e engajadas à questão ambiental à frente da Feam, Semad e Fundação Biodiversitas. Eu estava fora do país quando veio a notícia de sua morte prematura, há pouco mais de um mês, aos 56 anos de idade. E me surpreendi com tamanha comoção que ele causou em todos nós. É um Ângelo Machado que ainda não consegue falar dele sem chorar. Um José Carlos Carvalho que avermelha os olhos. É um Coura que o chama de irmão e companheiro. É um Adriano, de outra geração, que também o reconhece como um incansável “construtor de pontes”, vide a paciência, competência e diplomacia que tinha em presidir audiências públicas conflituosas que varavam a madrugada. Empresas como a AngloAmerican, que conseguiram seus licenciamentos ambientais, lhe devem uma gratidão impagável.
De minha parte, eu perdi o companheiro de uma dupla de violeiros que nunca existiu nem existirá mais: a Irã & Irado (de Iraque), que ele próprio cunhou e morria de rir antecipadamente. Mas, a rotina avassaladora pela administração e defesa da natureza que nos resta, impediu nossa performance terrena. O destino fez ele me trocar por Deus. Melhor e natural assim. Os dois devem estar fazendo o maior e merecido sucesso num céu preservado.
E aí, grande Ilmar, dá pra sair um irado “Como é grande o nosso amor por você?”


SAUDADES GERAIS
Ilmar Bastos com o velho e paciente estilo à frente da Feam, lembrado que foi assim pelo ex-secretário José Carlos Carvalho: “Vai Ilmar, leve e risonho como sempre foi. Vai com o mesmo bom humor do seu temperamento. Vai com alegria contagiante que nos fazia relaxar nos momentos de maior tensão. Vai altivo e humilde, como coordenava as reuniões por vezes duras do nosso Copam. Você deixa saudades em todos os que tiveram a ventura de lhe conhecer.”


“Sentiremos sua presença no sol intenso, alegre, irreverente, no vento que bate, toca, no som da viola, com seu “cheiro da terra” e a vida simples que gostava, no verde acolhedor das matas, na abundância do viver!”

LIP solidária

LIP solidária
Preocupada  com os incêndios que ocorrem nesta época do ano na Serra da Moeda, a  Lagoa dos Ingleses (LIP), empresa responsável pela gestão do banco de terrenos na região, deu exemplo para o setor. Contratou uma empresa especializada para executar as obras de um aceiro com mais de 12 km de extensão nos dois lados da BR-040. Os trabalhos seguiram orientações da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA). E já evitaram a propagação de um grande incêndio, que ameaçou a região semanas atrás. Espera-se que outras imobiliárias trilhem este mesmo caminho.

FDS social

Foto: Omar Freire

A Fundação Dom Cabral colhe novos frutos na gestão Wagner 
 Veloso (foto). Já são 33 as entidades do terceiro setor que integram a Parceria com Organizações Sociais (POS), iniciativa destinada à profissionalização das ONGs sociais, para que elas possam gerar melhores resultados para a sociedade. A Central Única das Favelas (CUFA-RJ) acaba de se juntar ao grupo, formado por outras organizações de Minas, Rio, São Paulo e Santa Catarina. Segundo Elson Valim, coordenador da POS, essas entidades são muito comprometidas com suas causas, mas isso pode ruir se não houver uma gestão profissional, com recursos e orientação estratégica para gerar as transformações no meio onde atuam.

Saudade dele

Foto: Ecológico

O que a saudade verdadeira faz com a gente? Não é que nas férias de julho, andando pela praça principal de Praga, de repente eu “vi” meu ex-colega do jornal “Estado de Minas”, o crítico de cinema Marcelo Castilho Avellar, falecido precocemente em pleno auge da sua carreira? Quem o conheceu que confira a semelhança. Você vive, meu amigo!

CNI parceira

Foto: José Paulo Lacerda
A Confederação Nacional da Indústria irá realizar, junto com o governo, estudos para reduzir a emissão de carbono pela indústria. Os trabalhos fazem parte de um acordo asssinado entre o presidente da CNI, Robson Braga, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e a ministra do Meio Ambiente,  Izabella Teixeira (foto). O documento também prevê a discussão de contrapartidas econômicas para os setores que diminuírem as emissões e cumprirem as metas em menos 5% até 2020. É a primeira vez que a indústria se torna parceira do governo federal na construção de política pública para a sustentabilidade.

Incêndio ameaça Parque Nacional Grande Serão Veredas

Incêndio às margens do rio Carinhanha ameaça Parque Nacional Grande Sertão Veredas e entra no sexto dia

ICMBio tem brigada em Formoso, município de Minas situado na divisa com a Bahia, mas não tem como deslocá-la para dar combate ao fogo porque não tem veículo


Imagem ilustrativa - Foto: Clipart
Há seis dias, incêndio destrói a vegetação em área situada na margem do rio Carinhanha, na Bahia, próxima ao Parna Grande Sertão Veredas. O Carinhanha, afluente do Velho Chico, marca limite entre Minas e aquele Estado e sua bacia seja talvez a mais preservada nos dois Estados. A presença de grandes extensões de Cerrado e Veredas abriga fauna diversificada e rara como queixadas, caitiutus, onça pintada e parda, araras azuis e vermelhas, lobos guarás, tamanduá bandeira, veado catingueiro, sucuris, papagaios verdadeiros e diversas outaras espécies de pássaros ameaçados.

O rio, em grande parte do trecho que percorre, não recebe carga de esgotos e suas águas são verdes e límpidas, fato cada vez mais raro no país, principalmente quando se trata de cursos d´água de seu porte.

Este paraíso ecológico está ameaçado por invasões de posseiros, grilagem de terras, avanço do agronegócio e pelos incêndios como este que já destruiu enorme área, com danos ambientais da maior gravidade. A destruição das matas ciliares pelo fogo tem graves consequências sobre a fauna, que principalmente na época de seca, depende dela para abrigo e alimentação.  Em contato com a gerência do Parque, tomamos conhecimento mais uma vez, do desinteresse com que a proteção do meio ambiente é tratada pela União. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tem brigada em Formoso, município de Minas situado na divisa com a Bahia, mas não tem como deslocá-la para dar combate ao fogo porque não tem veículo.

O Parna Veredas, com mais de 200.000 ha abrangendo áreas nos dois Estados, sofre anualmente com violentos incêndios causados por posseiros e proprietários de terra que moram no mesmo e, até hoje, não foram desapropriados e retirados, apesar dos recursos da compensação ambiental arrecadado pelo Ibama nos processos de licenciamento de projetos econômicos. Se o incêndio não for debelado, poderá chegar ao Parque, repetindo a tragédia anual.

Lembrando Hugo

Hugo Werneck costumava dizer,renunciando os louros que tentavam lhe imputar como herói da ecologia: “No fundo, todo ambientalista é um depredador, culpado e arrependido do seu passado, que hoje consciente e por obrigação tenta compensar o que já fez de errado à natureza”. Pois foi o que confirmou o presidente do Sistema Fecomércio Minas, Lázaro Luiz Gonzada. Logo após a abertura oficial do ICLEI no Sesc-Palladium, que também preside, ele comentou com humor e sinceridade:
“Pela legislação atual, diante da quantidade de passarinhos e bichos que já matei numa época em que não existia a consciência ambiental de hoje, eu e quase toda a minha geração teríamos de pegar prisão perpétua”. 

Foto: Fecomércio MG/Ascom

Receita mineira

Ainda repercute a passagem relâmpago da presidente mundial da Anglo American, Cynthia Carol, por BH, preocupada com o atraso de implantação já de três anos do projeto Minas-Rio, em Conceição de Mato Dentro, por questões de licenciamento socioambiental. Eleito como o primeiro empreendimento minerário na história ambiental de Minas pensado como “modelo” em sustentabilidade, ele foi concebido com diálogo e participação parceira tanto dos políticos e técnicos “verdes” do governo, como das ONGs ambientais sérias do Estado. É este o mesmo e simples caminho - advertem unânimes - que a empresa tem de refazer mineiramente para recuperar o tempo perdido e fazer valer os mais de US$ 8 bilhões empreendidos pelos seus acionistas.
Foto: VISMEDIA

General da Banda

Quem diria! O velho e impagável “General da Banda”, como era conhecido o jornalista mineiro Célius Aulicus, virou nome de Avenida em BH. Segundo projeto-de-lei de autoria do vereador Tarcísio Caixeta, promulgado no último dia 25 de junho, pelo prefeito Márcio Lacerda, a Avenida 1.934, código 111.596, no Bairro Belmonte, passa a se chamar Célius Aulicus Jardim. A turma toda que conviveu com o jornalista considerado “reserva moral e ética” do jornalismo mineiro, já está marcando uma visita ao local, para “bebemorar” o fato, como ele deve estar esperando. Eles só temem que o seu espírito copydesk e raivoso que era, descubra a falta do “Gomes” no seu sobrenome.  
Foto: Arquivo Pessoal

Nhá Chica

A “Serva de Deus”, como era conhecida, viveu e morreu em Baependi, no sul de Minas, a venerável Francisca de Paula de Jesus será finalmente beatificada pelo Papa Bento XVI. Coincidência: a reunião no Vaticano da Comissão de Cardeais que estudaram e confirmaram um milagre atribuído à Padroeira dos Pobres aconteceu no último cinco de junho, “Dia Mundial do Meio Ambiente”.

Foto: Carlos Roberto Lopes

Homenagem energética

Celso Castilho, ex-secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Governo Itamar Franco, foi um dos ex-titulares da Semad homenageados pela Cemig, durante o lançamento do livro “Águas da Luz e da Vida – Memória Ambiental”, ao lado de Tilden Santiago, Paulino Cícero e José Carlos Carvalho. Ele recebeu a placa de reconhecimento das mãos do diretor de Geração e Transmissão da Cemig, Luiz Henrique de Castro Carvalho. 
Foto: Divulgação Cemig

Gabeira, de volta

Fernando Gabeira já deixou a política e está de volta ao jornalismo verde, do qual foi um dos pioneiros. Seu programa de estréia – “0 Capital Natural” – o ocorreu no último dia 16, às 21h30m, transmitido pelo Bandnews TV para todo o Brasil e também no exterior, através do Bandnews Internacional.  As reprises acontecem aos domingos em dois horários (15 e 21h30m), além de programetes em horários rotativos, de segundas às sextas-feiras. Seja bem-vindo, companheiro! Foto: Divulgação

Presenças femininas

A primeira dama de BH, Regina Lacerda, e Reta Jo Lewis, representante da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, também marcaram presença no Iclei. Esta foi a segunda vinda de Lewis a BH: “É raro poder participar de um encontro como este que reúne tantas esperanças reais. Me sinto uma privilegiada”, ressaltou.

Foto: Fernanda Mann

Samarco A+

A 10ª edição do Relatório Anual de Sustentabilidade da Samarco recebeu a classificação A+, a maior nota possível pela Global Reporting Initiative (GRI), entidade internacional que estabelece as diretrizes mundialmente para a sua elaboração. Segundo a gerente-geral de Comunicação e Desenvolvimento Socioinstitucional da Samarco, Juliana Machado (foto), esta conquista endossa o compromisso da empresa: “Estamos no caminho certo”.

Foto: Divulgação Samarco

Cultura esverdeada


Foto: Suziane Fonseca
Cresce no país o movimento pela inclusão da Cultura como o quarto pilar da sustentabilidade, depois do econômico, do ambiental e do social. Que o digam os clicados aqui: Evandro Xavier, ambientalista e presidente da Fundação Zoo-Botânica de BH; Conceição Soares, viúva de Rinaldo Campos Soares, que ecologizou a Usiminas; e Eliane Parreiras, secretária de Cultura das Minas Gerais. Em evento ecológico, claro. 

Casal exemplo


Divulgação AmazonasImages
Sebastião Salgado e Lélia Wanick serão homenageados na Rio + 20. Tudo por causa do seu Instituto Terra que, desde 1998 e sem fins lucrativos, atua na recuperação da Mata Atlântica no Vale do Rio Doce, onde a devastação de Minas se mistura  com a capixaba. Merecido! Ano passado, eles foram indicados no II Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade. E levaram o “Oscar da Ecologia”, na categoria Flora.

Salej, a história da indústria sustentável



Foto: Sebastião Jacinto Jr - Fiemg
Stefan Bogdan Salej, que voltou à BH para palestrar sobre o futuro global da indústria e ser homenageado com a inauguração do seu retrato na galeria dos ex-presidentes da Fiemg, foi lembrado de tudo. De “trator de esteira” a “D-9”, por causa do seu estilo enérgico e nada político de administrar e lutar pelo setor. O que pouca gente sabe, é que seus conhecidos e hoje respeitados gritos (vide os resultados perpetuados e acrescidos nas gestões Robson Braga e  Olavo Machado) tinham uma razão de ser. Ele vivia um processo crescente e imperceptível de surdez. Só descobriu isso quando se mudou para a Europa, passou a usar aparelho e falar normalmente.
Já o que muito os ambientalistas sabem, é que Salej foi o primeiro titular da Fiemg a quebrar o falso dilema entre a indústria e a ecologia. Sua primeira atitude foi mudar a logomarca da instituição, até então na forma de uma... chaminé representando o “progresso”. Ele brincou: “Ou muda, tira a chaminé, ou coloca um ninho de passarinho nela, para também simbolizarmos o nosso não à poluição”.
Ato contínuo, tomou outra atitude pioneira, com Shelley Carneiro a tiracolo. Chamou a ambientalista Dalce Ricas, arqui-inimiga  do setor produtivo irresponsável (leia-se a Amda e sua famosa Lista Suja, denunciando os nomes das 10 empresas, órgãos de governo e indústrias mais poluentes do ano), e junto com o jornal Estado de Minas, através do caderno “Estado Ecológico”, ajudou a criar o Prêmio Minas Ecologia (hoje “Hugo Werneck de Sustentabilidade”, também com apoio mantido da Fiemg).
Essa união contra o preconceito e em prol do desenvolvimento sustentável gerou frutos inimagináveis. Numa das festas mais concorridas da premiação, realizada no Teatro do Sesiminas, compareceu em peso tanta gente do mundo político, empresarial e ambiental, que Salej voltou a ironizar mais ou menos assim, como é seu jeito de falar as coisas sérias: “Imagine, gente, se caisse um avião  aqui esta noite e morresse todo mundo?!. Minas estaria perdida. O PIB do Estado ia lá embaixo”.
Este é o Salej, cuja justa homenagem fez rir, ter saudade e emocionado muita gente no auditório da Fiemg!

Chico Bento pede para vetar o novo código florestal


Mauricio de Sousa postou em seu twitter o pedido para a presidente do Brasil. Juntando-se ao coro de entidades ambientalistas e listas de pedidos da sociedade civil, o famoso personagem do cartunista pede o veto do novo Código Florestal aprovado pelo Congresso. Isso acontece justamente na proximidade da Rio+20, Conferência Mundial sobre a Sustentabilidade no Planeta, que colocará o Brasil na mídia mundial.

Engenharia Ambiental



ECOLÓGICO, recebe a homenagem 

Foi um sucesso a “I Semana Acadêmica da Engenharia Ambiental ”, realizada pela Escola de Engenharia da UFMG, com apoio da ECOLÓGICO. Durante cinco dias, mais de 250 alunos, profissionais, professores e pesquisadores trocaram experiências e dialogaram sobre o mercado de trabalho mais promissor hoje na face da Terra, diante das respostas em curso da natureza agredida. A engenharia é tida como a segunda profissão mais antiga do mundo. O curso “caçula” das engenharias irá formar a sua primeira turma em 2014. A natureza e o desenvolvimento sustentável agradecem. Antecipadamente. 
Foto 1: Fernanda Mann

ENGENHEIRO DO FUTURO 

O primeiro lugar no Concurso Fotográfico  “Transformando problemas em soluções”, da UFMG, ficou com Pedro Barbosa.

Foto 2: Pedro Barbosa

Boa ajuda




Foto: Divulgação
Foi o que mais se comentou na entrega do último “Prêmio Bom Exemplo” aos cidadãos que, simples e voluntários, mais ajudam seus semelhantes em Minas. Promovido por instituições e empresas como a Fiemg e a Fundação Dom Cabral, com apoio do Governo do Estado, por que não reconhecê-los e homenageá-los também com prêmios em dinheiro, além de troféus? Rodrigo Barcelos, vencedor top deste ano (leia na página 36), gasta R$ 300 por semana só de gasolina, para ajudar e transportar pessoas deficientes. Ainda teve de comprar roupa nova para ir ao evento...
Mesmo na área jornalística, como sabem a TV Globo Minas e o jornal O Tempo, que apoiam a premiação, isso acontece e não há qualquer desmerecimento. Pelo contrário. Mesmo assalariados para exercerem seu dever, quando há um prêmio em dinheiro, tanto os jornalistas quanto os veículos, ambos se empenham. E quem ganha é a causa, a sociedade, todo mundo. É aquela velha e sábia receita. Estímulo e canja de galinha só fazem bem.

Nudez pra saúde


A ONG Peta, especialista em denunciar os maus-tratos em animais, visando as modelos super agasalhadas que arriscam desfilar-se com peles de animais, abusa da criatividade e nudez de suas ativistas. Essa da Lisa Edelstein deitada naturalmente sobre um chão de verduras é de fazer qualquer um aderir à causa.  Todo despir terá de ser mesmo ecológico.

Foto: Divulgação Peta

O mais sustentável


Divulgação
O Santander foi eleito, pela segunda vez seguida, o banco mais verde do mundo pela revista Bloomberg. Venceu 48 instituições financeiras de 19 países por financiar sobremaneira projetos sustentáveis na área de energia. Desde 2009, o banco mensura o consumo e vem reduzindo as emissões de suas agências. Ou seja, dá pra lucrar e ajudar, ao mesmo tempo, a salvar o planeta.

Mergulho marcado

Foto: Omar Freire

Antonio Anastasia se comprometeu em mergulhar de novo no Rio das Velhas: “Vamos todos entrar no rio, em Lagoa Santa, em 2014”, disse o governador. “Vou acompanhá-lo. Se o rio não estiver limpo e eu ficar doente, o Estado terá de me indenizar”, acrescentou o ambientalista Apolo Heringer, idealizador do Projeto Manuelzão. “Eu também, com certeza”, completou Adriano Magalhães, secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Tais promessas aconteceram durante o lançamento da Meta 2014 – “Nadar, Navegar e Pescar”; agora, em todos os rios mineiros – através do Projeto de Revitalização das bacias hidrográficas que compõem a “caixa d´água” do Brasil, com ênfase estratégica na recuperação ambiental em curso do Rio das Velhas.
Vale esperanças e calções renovados. Para saber mais: http://goo.gl/LeFRK

O maior repto contra incêndios



Foto: Osvaldo Afonso Supim
Além de brilhante orador, Antônio Anastasia usou de sua erudição ao lançar o maior plano de ação de combate a incêndios florestais na história ambiental de Minas.
Estado brasileiro, que no ano passado,  foi o mais devastado pelas chamas (90% delas criminosas): “Este repto é para todos os cidadãos, as polícias militar e civil, os empresários, ONGs e forças parceiras. Chega dos incêndios grassarem o nosso Estado, as nossas Unidades de Conservação!”
O chamamento ou desafio que o governador se referiu terá um orçamento recorde de R$ 26 milhões. É quase sete vezes superior à dotação do ano passado, além de outros R$ 9 milhões doados por empresas parceiras, enalteceu o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Adriano Magalhães.
Pela quantidade de viaturas, helicópteros e equipamentos de última tecnologia exibidos ao público, o bom combate este ano promete mudar as estatísticas sombrias. A força-tarefa do Programa de Prevenção e Combate a Incêndios de Minas Gerais (Prev-Incêndio), criada em 2005 e agora impulsionada por Magalhães, com apoio pessoal do governador, é a primeira no gênero na América Latina. Qualquer cidadão pode acioná-la ao primeiro sinal de fogo.Basta ligar 0800 28 32323 que a vida agradece.

Entre o Boulevard e o Acaba Mundo

Foto: Fernanda Mann
O prefeito de BH, Marcio Lacerda, deverá deixar para depois das eleições a retomada da polêmica discussão sobre o destino da Mineração Lagoa Seca, na continuidade do aglomerado Acaba Mundo, no sopé da tombada Serra do Curral.
De um lado, trata-se do metro quadrado mais  caro da capital,  que tem um projeto de parque urbano conjugado com prédios residenciais e urbanos. E outro, nada menos que 28 associações de bairros, totalizando uma unida rede social com 200 mil eleitores em pé de guerra com a prefeitura, que querem a preservação  de toda a área verde  na forma de um parque municipal.
Já no meio da disputa, encontra-se a comunidade do Acaba Mundo, na maioria formada por famílias que não têm posse da terra, mas vivem vizinhos ali há dezenas de anos, sonham com a regularização e se consideram defensores daquele pedaço de serra. A licença de operação da mineração, que não será mais renovada pela prefeitura após meio século de exploração no local e nenhuma  recuperação ambiental, vence no próximo dia 14 de abril.
Na última audiência pública realizada na Câmara Municipal, a promotora de justiça Marta Alves Larcher apresentou dados convincentes de que a Mineração Lagoa Seca é um exemplo de insustentabilidade ambiental e humana. E, portanto, têm uma dívida enorme com BH, particularmente com os moradores do Acaba Mundo, que sofrem em suas peles, pulmões e ouvidos as consequências de sua meia centenária poluição.

Viva Veveco!

Arquivo pessoal
Por outro lado, Marcio Lacerda já decidiu. O original e sonhado projeto do Boulevard do Arrudas, idealizado pelos ambientalistas e prometido pelos seus sucessivos prefeitos desde a criação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, no Governo Hélio Garcia,  será colocado em licitação pública em junho próximo. Ele compreende ambas as margens do Rio Arrudas, entre a Ponte do Perrela e a Penitenciária Estevão Pinto, passando em frente à Câmara Municipal, com uma visão panorâmica e de fundo da Serra do Curral. A novidade ao projeto, proposta por Lacerda, é tampar este trecho do rio, para aumentar a mobilidade urbana. O nome pop deste futuro parque linear no Arrudas já foi escolhido. Será “Boulevard  do Veveco”, como era conhecido o saudoso Álvaro Hardy Filho, um dos arquitetos e lutadores deste sonho parisiense.  Para quem não sabe, quando era mais romântica e vergel, a ex-cidade jardim dos mineiros já foi chamada de “Paris brasileira”.

Emoção na Fundação Dom Cabral

Foto: Osmar Freire
Ao deixar o cargo de presidente há 35 anos da Fundação Dom Cabral, transformando-a na 5ª maior escola de negócios do mundo segundo o ranking da Financial Times, o “professor” Emerson de Almeida, como é conhecido, agradeceu e enfatizou bem humorado sua formação acadêmica: “Eu sou jornalista, sempre fui um bom repórter. Ao invés de cronograma, prefiro personograma.”
Já o administrador de empresa Wagner Furtado Veloso, novo presidente da FDC, também fez uma confissão afetiva. E ainda citou Violeta Parra, ao assumir comovido o comando da instituição: “Eu sou apaixonado pela fundação. Graças à vida por  ter me dado tanto”.

O prestígio é fiel

Divulgação
Foi o que demonstrou o jornalista, repórter e colunista Paulo Cesar de Oliveira (leia-se Revista Viver), no lançamento de seu livro “Minha Palavra”, no Palácio das Artes. A fila de políticos, empresários, admiradores, colegas, amigos e leitores custou para andar.

Projeto inovador

Foto: Divulgação
É o que promete mostrar, em breve, Marco Antônio Castelo Branco, ex-presidente da Usiminas e da V&M (ex-Mannesmann), na área de energia renovável. Trata-se, a tiracolo, de um projeto revolucionário que  utiliza a biomassa do eucalipto no estado mais reflorestado do país.

Fernando Coura é o novo presidente do IBRAM

Coura é o novo presidente do IBRAM
Os conselheiros-membros do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) acabam de aprovar em Brasília, e por unanimidade de votos, o nome de Fernando Coura como seu novo presidente. À frente já por dois mandatos consecutivos do Sindicato da Indústria Mineral de Minas Gerais (SINDIEXTRA), Coura substitui outro mineiro, Paulo Camillo Penna. A expectativa é que, comunicador nato, ele faça agora nacionalmente o que conseguiu entre as montanhas do maior estado produtor de minério de ferro, depois do Pará: desfazer o falso diálogo mineração versus meio ambiente, através da valorização do diálogo aberto, sem preconceito e produtivo com os órgãos oficiais e as ONGs socioambientais na busca parceira do desenvolvimento sustentável.  

Entrevista Hiram Firmino

Em 2010 dei uma entrevista para um grupo de estudantes, curiosos sobre minha opinião a respeito das novas tecnologias. Abaixo, segue na íntegra, a nossa conversa:

Hiram Firmino: crença no jornalismo impresso e nas novas tecnologias, com respeito às antigas


Foto: Clipart
Jornalista, 62 anos. Iniciou a carreira no conhecido “grande jornal dos mineiros”, criador e editor do suplemento Estado Ecológico (1992-2001), do Estado de Minas, e das Revistas JB Ecológico e Ecológico, o mundo não é virtual. “A gente sente prazer em visualizar uma foto, uma imagem, uma gravura. Se você faz foto em câmara digital e arquiva a imagem em um pen-drive, ou no computador, é quase certo que não vai vê-la mais. A imagem fica guardada sim, mas esquecida.”
Hiram Firmino é jornalista à moda antiga. Que ainda acredita no diferencial de uma boa equipe de redação na hora de informar. Que adora papel, fotos reveladas e que, até hoje copidesca textos impressos. Alterações feitas diretamente na tela do computador, definitivamente não é com ele.
Nem de longe isso aponta para um profissional fechado. Sua mente é aberta e ávida por novidades. Ele só acha que querer fazer com que o mundo passe a ser 100% virtual e digitalizado não é o melhor caminho. “O homem tem necessidade de tocar, de sentir, de cheirar. Viver em um mundo completamente virtual e digitalizado é desconsiderar essa nossa essência.”
Numa conversa rápida, em meio à correria da edição das revistas, o jornalista manifestou sua opinião a respeito do fim da edição impressa do Jornal do Brasil . Confira:
Como encara o encerramento da versão impressa do JB?

Acho uma pena. O JB poderia manter sua versão digital e também a impressa. Em respeito a toda a sua história, seus leitores e assinantes. Acho que o jornal digital é para essa nova geração. As gerações mais antigas não vão ligar o computador para ler o Jornal no Brasil. Não acredito nisso.  Assim como também não creio no fim da impressão de livros. Para a grande maioria das pessoas mais antigas, ler um livro digitalizado, por exemplo, está fora de questão.

É a favor das novas tecnologias?

Totalmente. Só não acho que uma tecnologia deve excluir a outra. O prazer de pegar um jornal ou um livro impresso não pode ser descartado. A Lya Luft fala essa semana na Veja sobre isso. Para ela, a discussão do fim do livro, da morte das editoras e dos escritores são vazias. Ela diz que gosta do cheiro do livro, do cheiro das bibliotecas. Imagina só se isso acabar… Acho que podemos usufruir de bibliotecas virtuais e também de seu formato mais antigo. Por que não?

Para você o impresso não deveria acabar nunca?

Acho que as coisas devem coexistir. Devemos unir as tecnologias e não criar uma e eliminar outra.

Os jornais impressos estão enfrentando dificuldades no mercado hoje?

A maior dificuldade é o custo. O custo de um jornal virtual em relação a um impresso é praticamente zero. O que temos que descobrir é um tipo de papel e uma tecnologia de impressão que seja mais barata. Foi realizada uma discussão em São Paulo, o Fórum da Associação Nacional dos Editores de Revistas(Aner), sobre novas formas de impressão. Já existem estudos de tecnologia de criação de um papel que depois de utilizado tem seus escritos apagados para que possa ser usado novamente. Acredito que a crise mais real é a do papel. Tanto pelo custo, quanto pelo impacto ambiental que ele gera. Imprimir 400 mil exemplares de jornal impresso, por exemplo, hoje é complicado.

Uma das justificativas que o JB deu a seus leitores, assinantes e à população em geral foi a de que o papel agride o meio ambiente. Você acredita nisso?

Isso é uma meia verdade. Porque já existem papéis que são ecologicamente produzidos, em empresas que empregam pessoas e adotam a política da responsabilidade social, gerando fonte de renda a muitas pessoas e mantendo o planeta ainda mais verde.

O JB abriu mão de produzir seu impresso de forma ecológica?

Infelizmente, sim. Justificar a versão 100% digital em prol do planeta é uma meia verdade.  E o jornalismo vive de verdades inteiras.


Entrevista cedida aos alunos Alessandra Gálatas, Ana Lúcia Figueiredo, Cintia Melo, Hélio Monteiro e Vinicios Sebastian do curso de Jornalismo Multímidia do Centro Universitário UNA.

2012 - O ano lunar (e de Dilma) que já começou

Foto: Reuters
Nada acontece por acaso no céu ainda azul do Planeta Terra. A virada de 2011 para 2012 aconteceu sobre a influência da lua nova, duas noites e dois dias antes do início da lua crescente. Ou seja: para quem acredita no relógio natural do universo, vide o movimento diferenciado das marés que a diferentes fases lunares causam em ¾ da superfície terrestre, tal como em 75% do nosso corpo também constituído de água, o nosso destino comum tem tudo a ver com o que acontece entre o sol e a lua.
Se vamos continuar vivendo ou não como os demais seres vivos, isto parece depender do eterno e matemático namoro entre esses dois astros que garantem a vida na Terra. Esta é a expectativa que se inaugura para toda a humanidade e a natureza que nos resta, segundo as previsões astrológicas: 2012 não será um ano solar, masculino, racional.
Ao contrário, garantem os estudiosos no assunto e isso também não acontece por acaso (leia-se o exemplo de Dilma Rousseff, a primeira presidente mulher na história política do nosso país) o ano que já começou será um ano lunar. Um ano do feminino (vide que até a presidência da Petrobras também passará às mãos de uma mulher).
Será um ano, enfim, do maternal, do cuidado. Como há anos Leonardo Boff tenta no ensinar, do cuidar daquilo que já amamos e devemos amar, em respeito a todos os seres vivos e como estratégia planetária de auto-sobrevivência comum.
É nisso que a Revista ECOLÓGICO acredita, reverberiza e torce pra dar certo este ano. Um 2012 mais feminino e com mais esperança. Quem sabe uma outra e mais ecológica história da humanidade estará começando? Quem sabe, entre nós, masculinos demais, nascerá um super-homem, o Homo amorosus previsto por Gil “... por causa da Mulher”?
Afinal, ao contrário dos quatro cavaleiros do Apocalipse, também já previu um outro quarteto de Liverpol, e Dilma  certamente também o curtiu em sua juventude, “O amor é mesmo tudo o que precisamos”. Ou você não acredita na ecologia profundamente subversiva e revolucionária do amor?
Eu acredito! Até já assino, querendo ser, “hiram@souecologico.com”.
Nós, da ECOLÓGICO, acreditamos! E queremos que nossos leitores, anunciantes e colaboradores também acreditem.
Há 21 anos (desde o Estado Ecológico, no jornal ESTADO DE MINAS, e a JB Ecológico, no JORNAL DO BRASIL, lembra-se?), não é à-toa que a nossa revista sempre circulou/circula no dia da Lua Cheia. E o feminino embutido aí, tal como era o Calendário Maia, mais ecológico, regido pela Mãe Natureza, talvez não seja mera coincidência.  Como não é o Governo Dilma, nem outros governos e mulheres ascendentes mundo afora. Mas, sim, a esperança atual, feminina e planetária que 2012 promete.
Acesse nosso site http://www.revistaecologico.com.br e vamos juntos, como Drummond nos poetizou, de mãos dadas!

Hiram Firmino

O recado do mundo para Dilma

"Não dá mais para segurar, nossa querida presidente, tamanha e história desimportância que omeio ambiente sempre teve na agenda política brasileira"


Foto: Nick Wiebe
“...Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir. Defender as crianças que passam fome pelo mundo e cujos apelos não são ouvidos. Para falar em nome das incontáveis espécies de animais que estão morrendo em todo o planeta, porque já não têm mais para onde ir. Eu tenho medo de tomar sol, por causa dos buracos na camada de ozônio. Medo de respirar este ar, porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando. Eu costumava pescar  com meu pai, até que, recentemente, pescamos um peixe... com câncer!
Vocês se preocupavam com essas coisas quando tinham a minha idade?
Tudo isso acontece bem diante dos nossos olhos e, mesmo assim, continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções. Sou apenas uma criança e não tenho todas as soluções; mas, quero que saibam que vocês também não as têm.
Não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio, salvar os peixes das águas poluídas. Vocês não podem ressuscitar os animais extintos. E não podem recuperar as florestas que um dia existiram onde hoje há desertos. Se vocês não podem recuperar nada disso, por favor, parem de destruir!
Vocês são os representantes de seus governos, homens e mulheres de negócios, administradores, jornalistas ou políticos. Mas, na verdade, vocês são mães e pais, irmãs e irmãos, tias e tios. E todos, também, são filhos.
Sou apenas uma criança, mas sei que todos nós pertencemos a uma sólida família planetária (mais sete bilhões de pessoas). Ao todo, somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade.
Sou apenas uma criança, mas sei que esses problemas atingem a todos nós e deveríamos agir como se fôssemos um único mundo rumo a um único objetivo. Estou com raiva, não estou cega e não tenho medo de dizer ao mundo como me sinto.
No meu país, geramos tanto desperdício! Compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora… E nós, países do Norte, não compartilhamos com os que precisam. 
Mesmo quando temos mais do que o suficiente, temos medo de perder nossas riquezas, de compartilhá-las. No Canadá, temos uma vida privilegiada, com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de TV.
Há dois dias, aqui no Brasil, ficamos chocados quando estivemos com crianças que moram nas ruas. Ouçam o que uma delas nos contou: ‘Eu gostaria de ser rica; e, se o fosse, daria a todas as crianças de rua alimentos, roupas, remédios, moradia, amor e carinho’. 
Se uma criança de rua, que nada tem, ainda deseja compartilhar, por que nós, que tudo temos, somos ainda tão mesquinhos?
Não posso deixar de pensar que essas crianças têm a minha idade e que o lugar onde nascemos faz uma grande diferença. Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio. Eu poderia ser uma criança faminta da Somália, ou uma vítima da guerra no Oriente Médio; ou, ainda, uma mendiga na Índia.
Sou apenas uma criança; mas, ainda assim, sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a Terra seria!
Vocês estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer. Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes: ‘Tudo vai ficar bem, estamos fazendo o melhor que podemos, não é o fim do mundo’. Mas, não acredito que possam nos dizer isso. Nós estamos em suas listas de prioridades?
Meu pai sempre diz: ‘Você é aquilo que faz, não o que você diz’. Bem… O que vocês fazem, nos faz chorar à noite. Vocês, adultos, dizem que nos amam… Eu desafio vocês: por favor, façam com que suas ações reflitam as suas palavras. Obrigada!”
Esse foi o memorável discurso, presidenta Dilma, de Severn Suzuki, na RIO/92. Agora, duas décadas depois, com a RIO+ 20, quando o Brasil irá sediar novamente todo este desafio e esperança global, as palavras desta hoje adulta e cidadã consciente de um mundo em desequilíbrio natural permanecem atuais. 
Torcemos para que a senhora, no auge merecido da maior aprovação popular de um governo que se preocupou sobremaneira com o desenvolvimento socioeconômico, com a geração de renda e emprego, também volte os olhos, os ouvidos e o coração, como nunca antes na nossa vida política, para a questão ambiental.
Não dá mais pra segurar, nossa querida presidente, mãe e avó Dilma Rousseff, tamanha e histórica desimportância que o meio ambiente e a natureza sempre tiveram na agenda de quem antes ocupou o seu lugar. E não o honrou, muito menos amou.
Honre-o! Por amor a todas as outras Severns que também estão por nascer.  
São os votos e a esperança parceira desta edição da Revista ECOLÓGICO. 
Boa leitura.
Até a próxima lua cheia!