Luzes no caminho

Nada menos que um total de 253 luas cheias de circulação ininterrupta como a mais permanente publicação especializada em Sustentabilidade.
Foto: Laurent Laveder
Se somarmos nove anos como Estado Ecológico, no jornal ESTADO DE MINAS, e outros nove como JB Ecológico, no JORNAL DO BRASIL - e mais três independentes, como Revista ECOLÓGICO -, já são 21 anos de teimosia e esperança lunares. Nada menos que um total de 253 luas cheias de circulação ininterrupta como a mais permanente publicação especializada em Sustentabilidade, Qualidade de Vida, Educação Ambiental e Ecoturismo na grande mídia impressa e digital brasileira.
Essa é a história da sua ECOLÓGICO, fruto de uma mesma luta antiga e amorosa iniciada lá atrás, nos idos anos setenta, em um modesto consultório dentário na Rua dos Goitacazes, no Centro da capital mineira.
Ali funcionava a improvisada sede do Centro Para a Conservação da Natureza em Minas Gerais, uma das primeiras ONGs ambientalistas criadas na América Latina. Seu presidente, sonhador e subversivo por acreditar tão somente na força da educação e do amor como instrumentos de mudança, era o dentista Hugo Werneck, mais conhecido como “doutor” Hugo.
Ali, repórter que o procurava não voltava com a caneta cheia nem com o bloco de anotações vazio: voltava com a igual indignação de um cidadão educado, consciente, sensível mas revoltado contra todo e qualquer crime seja cometido contra as árvores de Belo Horizonte, as matas de Minas ou a biodiversidade em chamas em qualquer lugar do planeta.
Sua paixão, em particular, eram os passarinhos e as borboletas. Seus companheiros principais de luta, Angelo Machado e Célio Valle.
Se não fosse por esse trio, dentre outras vitórias, o Parque Estadual do Rio Doce, considerado a maior porção de Mata Atlântica preservada no Estado, não existiria como está. Teria uma estrada asfaltada cortando-o e degradando-o ao meio. O Brasil não poderia contar com o Parque Nacional da Serra do Cipó, criado e preservado por causa da luta desses ecologistas. E por aí afora, incluindo o Conselho Estadual de Política Ambiental, o  Copam, que inspirou a criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), hoje de todos os brasileiros.
Doutor Hugo se entusiasmava muito ao receber os jornalistas e todos viravam seus cúmplices. Eram cativados, naturalmente, pelo seu coração e pensar ecológicos. Enquanto durava a entrevista na sala de espera, e ele não tinha pressa, seus pacientes eram esquecidos de boca aberta lá dentro, no consultório. Precisava ser lembrado deles.
Quando não dava entrevista, e mesmo assim se via no noticiário do dia seguinte defendendo alguma praça, algum parque ou árvore cheia de ninho de passarinhos, o ambientalista não se ofendia. “Vocês falam melhor por mim que eu mesmo. O defender a natureza, através do conhecer, do amar e cuidar, que é um direito de todos, é o que mais importa. Vocês já sabem o que penso. Tudo pela ecologia!” - autorizava, brincalhão e confiante. 
Assim era Hugo Werneck, a quem a ECOLÓGICO dedica sua existência em toda essa maioridade agora completada. Assim somos nós, ambientalistas, que mantemos  a nossa crença em achar também, como ele, que as pessoas não destroem a natureza por maldade. Mas por ignorância. E que somente pela beleza da natureza, de um nascer e um pôr-do-sol em amarelo ouro, o planeta deveria ser preservado. Que sejamos “todos por todos”, caros leitores, parceiros e anunciantes, como companheiros da fé e realização desses ‘Três Mosqueteiros Sustentáveis’ – Hugo, Angelo e Célio - a serviço da natureza. Quem sabe, com inovação e amorosidade, ainda teremos tempo, capacidade de decisão e planeta para evoluir e continuar merecendo o milagre ameaçado da Vida?
Boa leitura e muitas luzes. Até a Lua Cheia de dezembro!
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