Edição Passaredo

Nunca antes na história dos incêndios florestais deste país ouvimos tanto o canto melancólico dos sabiás quanto nesta primavera em chamas.


A mãe Tuiuiú e seus três filhotes:
vida reeditada a mais no Pantanal
Foto: Alison Coutinho
Não só eles, já adaptados à nossa urbanidade, mas milhares de aves silvestres que lutam para sobreviver no pouco verde natural que lhes resta e diminui a cada nova temporada de seca e labaredas criminosas.
É assim na natureza selvagem de Deus.
Deveria ser assim na natureza dos homens. Não é. Nas nossas selvas de pedras não precisamos de fogo nem seca para espantar passarinhos. A maioria dos nossos administradores, urbanistas, paisagistas e arquitetos - notadamente em obras e vias públicas, cujo solo é impactado e impermeabilizado pelo excesso de asfalto e ocupação imobiliária - já se encarrega disso.
Seus projetos, como aponta com tristeza o ornitólogo Johan Dalgas Frisch, na sabedoria dos seus 80 anos (veja Memória Iluminada), são todos iguais. São criados e repetidos made in Miami, a inspiração da hora. Só cimento, grama e palmeira pra não dar trabalho nem manutenção. Não projetam árvores frondosas e exuberantes, capazes de nos dar flores, frutos, perfume e sombra. Preferem a monocultura paisagística das palmeiras. Nenhuma sombra nem biodiversidade. Preferem nos impor sol na moleira e câncer de pele. O resultado são cidades, praças, passeios e canteiros centrais com um pobre, monótono e falso verde. Apenas uma vegetação estética que não oferece pouso, alimento nem ninho para as nossas abelhas e pássaros, em sua função de polinizar, semear, multiplicar e perpetuar a vida.
Isso explica a quantidade de passarinhos que você, caro leitor, vai ver nesta edição. Como também vai saber o que pensa e é capaz de fazer diferença uma única mulher de ferro - Cynthia Carroll, CEO mundial da AngloAmerican - no mundo em discussão e sustentabilidade da mineração.
Vai confirmar que nem tudo está perdido. A gente ainda pode mudar o final da nossa história e destino comum. Tal como essa mãe tuiuiú da foto. Captada pelas lentes do superintendente do Ibama em Minas Gerais, Alison Coutinho, na BR-262, entre Miranda e Corumbá, no Pantanal sul mato-grossense, ela também faz a diferença. Ao contrário de dois, como é comum, trouxe à luz três filhotes de uma vez. Explosão de vida ou medo de não se sustentar como espécie, caso o seu Pantanal também se transforme em uma Miami tupiniquim?
Essa e outras perguntas procuram respostas nesta edição da nossa ECOLÓGICO. E todos nós fazemos parte delas.
Boa leitura.

Até a Lua Cheia de novembro!

Em tempo: Por causa da greve dos Correios, que está atrasando a chegada de cases e demais inscrições/indicações para concorrer ao “Oscar da Ecologia’2011”, a data da solenidade, marcada para o dia 10 de novembro, poderá sofrer alteração.

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