Vitor Penido propõe apoio apartidário de prefeitos e deputados a Romeu Zema





Acumulando cinco mandatos municipais, um como deputado estadual e outro como federal, mais as presidências atuais da Associação dos Municípios Mineradores de Minas e do Brasil (Amig) e da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel), o prefeito de Nova Lima, Vitor Penido, saiu em defesa apartidária do governador Romeu Zema.

Segundo Penido, a ideia é reunir o maior número de prefeitos “amigos de Minas”, e não somente “de Minas”, para atuarem junto aos deputados estaduais, de modo a ajudar a pavimentar uma solução política para a recuperação fiscal, financeira e econômica proposta pelo atual governo do Estado.

“Com base em minha experiência e trajetória na vida política, antevejo, com tristeza, o travamento total de Minas e do país, em poucos anos. A única esperança que temos passa pela ALMG e por seus deputados: não há outra saída e não podemos nos omitir. Temos de ser patriotas nesse momento tão difícil que toda a sociedade está passando."  

Para Penido, independentemente de gostar ou não do governador Zema cabe a deputados e prefeitos apoiá-lo. "É inteligente e necessário enxergarmos isso. E também vermos, na nossa Assembleia, quem pensa só em si e no seu mandato; e, assim, é contra Minas e o Brasil”.

Essas declarações do prefeito de Nova Lima foram feitas em tom confessional, na sede da Amig, em BH. "Se não houver essa junção apartidária e proativa de prefeitos e deputados na ALMG, a máquina pública vai parar em definitivo dentro de dois ou três anos do atual governo. Não haverá dinheiro para pagar nada, nem ninguém”, alertou ele, comovido.




Pesquisa – Conforme pesquisa do Instituto MDA, em parceria com a Associação Mineira de Municípios (AMM), divulgada nesta quarta-feira, 54,5% dos mineiros aprovam o governador Zema. Outros 29,9% dos entrevistados reprovam, enquanto 15,6% não sabem ou não responderam. Em relação ao presidente Jair Bolsonaro, a mesma pesquisa aponta uma aprovação de 49,5% à sua gestão.

Sistema Minas-Rio



Vice-governador Paulo Brant se diz
 “encantado” com a AngloAmerican


Durante prestigiada solenidade de comemoração dos 20 anos do ISQ Brasil, na noite de ontem, na capital mineira, o vice-governador Paulo Brant reafirmou ter ficado “encantado” com o performance socioambiental e de segurança operacional de barragem do Sistema Minas-Rio, em implantação pela AngloAmerican em Conceição do Mato Dentro. Ele se referiu à visita in loco feita um dia antes, na Mina do Sapo, na Serra do Espinhaço.

Segundo Brant, além de perceber como as pessoas que trabalham ali são valorizadas e têm orgulho do que fazem, o que mais o encantou ali foi a questão de segurança de barragem da empresa, vide as tragédias de Mariana e Brumadinho: “Eu saí satisfeito, encantado mesmo com o que vi. Foi uma hora e meia ouvindo, de maneira convincente, as explicações de um funcionário tecnicamente capacitado e visivelmente comprometido com esta questão. Uma questão que hoje que não é vital somente para a sobrevivência do setor mineral, mas para toda a sociedade e o meio ambiente.”
Vice-governador Paulo Brant plantou um pé de Jatobá, sendo observado por Aldo Souza, Wilfred Bruijnb e Vitor Mendonça

O vice-governador concluiu sua fala, afirmando que pretende procurar o presidente do Conselho do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram),  Wilson Brumer, para sugerir e indicar o “Minas-Rio  como um modelo de mineração sustentável a ser seguido no Estado e no país: “Sempre tem como a gente fazer a coisa certa. Basta querer.”

Paulo Brant e Vitor Mendonça, secretário de Desenvolvimento Econômico, visitaram o “Minas-Rio”, acompanhados do prefeito José Fernando de Oliveira. Eles foram recepcionados pelo CEO da AngloAmerican no Brasil, Wilfred (Bill) Bruijn;  do diretor de Segurança e Sustentabilidade, Aldo Souza; e de Reinaldo brandão, diretor de Operações da empresa, dentre outras autoridades.

O eu acredito da “Amazônia de Minas”

Quando a Natureza se utiliza de um militar francês e de quatro ambientalistas para ser preservada, tornar-se parque estadual e receber R$ 63 milhões da Fundação Renova, como compensação pela tragédia de Mariana no Rio Doce




Esse é o valor de investimentos que o Parque Estadual do Rio Doce, a maior floresta tropical preservada de Minas, irá receber da Fundação Renova, ao longo de 10 anos, para a sua missão de salvar o que restou do bioma Atlântico em toda a região do Vale do Aço.

Esta decisão foi aprovada pelo Comitê Interfederativo (CIF), criado em resposta à tragédia ambiental do rompimento da Barragem de Fundão, provocado pela mineradora Samarco, em novembro de 2015, via Termo de Ajustamento de Conduta. O documento foi assinado entre a União, os estados de Minas Gerais e Espírito Santo e as empresas Samarco, Vale e BHP.

Para quem estranhar tamanha generosidade - e a foto paradisíaca acima justifica tudo - do apelido de “Amazônia mineira”, vale lembrarmos que ele foi dado dois anos antes da ECO/92, no Governo Itamar Franco, pelo seu ministro do Meio Ambiente, Rubens Ricúpero. Convidado a sobrevoar a área pelo ambientalista e militante José Carlos Carvalho, então diretor-geral do Instituto Estadual de Florestas (IEF), no Governo Hélio Garcia, Ricúpero se impressionou ao testemunhar tamanha dádiva da Natureza ou do Deus-Criador: um conjunto ecologicamente interligado de 40 lagoas - praticamente ainda virgens, sem a presença humana; povoadas por uma flora e uma fauna exuberantes em volta:

“O que vocês têm aqui e, pouca gente sabe, é uma mini-Amazônia! Que Deus a conserve!”, profetizou o ministro.

Eu acredito
Essa bênção, agora com a decisão da Renova, nos faz retroagir a uma história mais antiga ainda, que virou lenda. Ela ocorreu no início do século XIX. Foi quando durante uma famosa expedição exploratória, o capitão francês Guido Marlière subiu até o pico da serra do hoje, não à toa, município de Marliéria, vizinho e parte integrante do parque. É dali que se avista todo o esplendor da nossa “Amazônia”. E o seu principal cartão-postal: a Lagoa Dom Helvécio, a maior de todas, em homenagem ao ex-arcebispo da Diocese de Mariana, seu primeiro defensor e ambientalista.
Foi nessa maravilha de cenário e mal acreditando no que via, que o fidalgo francês desceu do cavalo, ajoelhou-se e exclamou: “Je crois en Dieu!” (Eu creio em Deus!). Logo “entendido” e traduzido mineiramente pelos nativos que faziam parte da caravana em uma só palavra: “Jecroá”.
Daí o nome atual desse lugar: Alto da Serra do Jecroá. É de onde continua possível vislumbrar os 36 mil hectares do Parque Estadual do Rio Doce que, preservados como a primeira Unidade de Conservação (UC) implantada em Minas, ainda formam o maior complexo lacustre do estado e o terceiro do Brasil. Só perdendo para a Amazônia e o Pantanal, em termos de água e verde.

Eu defendo
A história prossegue. Um ano depois da ECO, em 1993, o Parque Estadual do Rio Doce também ganhou o título de “Reserva Mundial da Biosfera”, pela Unesco, tal como o Parque Nacional da Serra do Cipó, na cordilheira do Espinhaço.

Por que esta comparação entre o Rio Doce e a Serra do Cipó? Porque ambas Unidades de Conservação (UCs), integrantes da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, só foram salvas graças à luta, à perseverança e ao amor inconfidente de três outros ambientalistas especiais: o dentista Hugo Werneck, já falecido, a quem a Revista Ecológico é dedicada a cada Lua cheia. E seus conselheiros, os biólogos Ângelo Machado e Célio Valle à frente, na época, do combativo Centro para a Conservação da Natureza em Minas Gerais. Uma ONG cuja sede, em BH, era dentro de uma kombi velha e ambulante, tamanha precariedade de recursos.

Na década de 1960 e com apoio do jornal Estado de Minas, esses mosqueteiros da natureza conseguiram barrar o asfaltamento de uma polêmica estrada que tinha sido aberta dentro do parque. Ela ligava o lugarejo Revés do Belém, onde havia uma antiga ponte para atravessar o Rio Doce, até Caratinga (leia-se também às siderúrgicas do Vale do Aço), terra natal e política de José Augusto Ferreira, ex-presidente da Açominas. A briga foi feia e envolveu a militância também de Maria Dalce Ricas, à frente da Amda.

Aliança do destino, na passagem dos anos 1968 e 1969, quando se deveria ou não ser asfaltada a estrada e pavimentar também a ponte histórica, houve um grande e trágico incêndio ali, provavelmente criminoso, por ser uma área naturalmente protegida. Onze pessoas ficaram cercadas pelo fogo e morreram.

O projeto de asfaltamento da estrada-parque foi logo abortado. E também preservada e recuperada, a então “Ponte Queimada” do Revés do Belém, como passou a ser conhecida, se transformou em um museu-laboratório para pesquisas científicas.

Eu crio
Com a Serra do Cipó, esses ambientalistas históricos fizeram exatamente o que o governo federal não sabe ou escolhe fazer também na Amazônia. Aproveitaram também a ocorrência de um grande e sem controle incêndio mostrado pela mídia nacional na serra, e conseguiram comover o então governador de Minas, Aureliano Chaves, que já tinha sensibilidade pela questão ambiental (a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e “Meio Ambiente”, mais o embrião da Semad e a Feam foram criados no seu governo).

Ainda levaram a ele, já nervoso, a reprodução de uma nota publicada no Jornal do Brasil, denunciando que “rolos e mais rolos de fumaça continuavam subindo e enegrecendo o céu, sem que o Governo de Minas fizesse alguma coisa...”

Resultado: não restou outra atitude por parte do governador. Pressionado pela opinião publica, Aureliano assinou - e depois também ficou agradecido - o decreto de criação do parque estadual, cuja minuta de texto e justificativa os mosqueteiros ecológicos já tinham imprimido subversivamente em papel oficial. Tudo, no fundo, por amor à natureza.

Essa é a história dos 3% do bioma da Mata Atlântica que sobraram em Minas. De Mariana ao Espírito Santo, o Rio Doce, dentro e fora do parque, agradece!


Flávio Penido - Enfim, um presidente "verde" no Ibram?


PENIDO e seu novo, possível e revolucionário desafio: fazer e mostrar que a mineração pode ser amiga, e não apenas usuária e predadora, da natureza

Já empossado mineiramente no cargo, o novo presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), engenheiro Flávio Ottoni Penido, tem um precedente esperançoso em seu currículo. Nos idos dos anos 80, logo após a ECO/92, quando a antiga Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), hoje Vale, anunciou que iria abrir e operar a Mina do Tamanduá, colada ao Morro do Chapéu, em Nova Lima, o mundo ambientalista quase veio abaixo.

Nessa época, Penido era diretor de Desenvolvimento da MBR e também morador no Morro, condomínio super valorizado pela sua beleza cênica e a qualidade de vida de seus moradores. Conhecia, portanto, o projeto a fundo e o impacto socioambiental que iria causar na região. O que ele fez do ponto de vista ético? Pediu demissão do cargo e passou para o outro lado, liderando um movimento não radical, mas democrático, e de “bom combate”, ao projeto original da mineradora.
Foi um duelo de titãs. E Flávio, como interlocutor entre as partes. De um lado, a poderosa e truculenta MBR, odiada pela população de Belo Horizonte pelo rebaixamento, na época permitido legalmente, que ela fez do perfil da Serra do Curral. E de outro, moradores importantes e influentes no cenário político-empresarial mineiro, a exemplo de Luiz Aníbal de Lima Fernandes, ex-presidente da Acesita, Luiz André Ricco Vicente, ex-presidente do Conselho da Vale e, na época, presidente da Açominas, e Fábio Lommez, ex-diretor jurídico da Samitri.


Primeiro resultado

Ao final do embate, ganharam todos. Antes de ser licenciada, a MBR foi obrigada a aceitar, perante a comunidade local e os órgãos ambientais, alterar vários pontos polêmicos do projeto original. Entre eles, a retirada de várias e projetadas pilhas de minério que iriam impactar a visão dos moradores. Idem, afastando a passagem das correias transportadoras de minério, e diminuindo o ruído que iriam provocar diuturnamente.

A comunidade local ganhou mais. Uma nova e privativa via de acesso ao condomínio que, proibida para o trânsito poluente de caminhões transportadores de minério, encurtou em oito quilômetros a sua distância até a capital. E mais os seguintes significativos benefícios, que compensaram as eventuais e temporárias perdas de qualidade de vida: a expansão do campo de golfe de nove para 18 buracos, através da recuperação de uma área degradada por uma pequena mineração vizinha ao condomínio. A implantação de um novo sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário ambientalmente correto em todas as casas do condomínio, além de todas as garantias de manutenção da qualidade do ar e de respeito aos níveis de ruído.
Tão logo isso foi divulgado, tanto pela mineradora quanto pela “Comissão de frente ambientalista do Morro”, o preço do metro quadrado que havia caído vertiginosamente quando do anúncio da nova mina na vizinhança, superou em muito o mercado imobiliário da região.



Segundo resultado

A MBR, em termos de comunicação social e reversão de sua imagem pública, foi além. Simples e objetiva, ela se inspirou no recado maior deixado pela ECO/92, de que “estamos todos, sem exceção, no mesmo barco.”  Produziu e fez distribuir para toda a população de São Sebastião das Águas Claras, distrito de Nova Lima, um mapa artístico intitulado “A Grande Bacia de Macacos”, com uma missão nobre e inclusiva: informar e conscientizar os seus moradores, onde nascem, correm e precisavam ser preservadas as hoje quase 800 nascentes monitoradas do município, por isso mesmo, o local mais verde de toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Na carta enviada a cada morador, situando-o dentro da sub-bacia hidrográfica local, a mineradora acresceu a informação nova sobre o que significava o termo “Ecodesenvolvimento”, também lançado na RIO/92. Só o título da carta, impresso no mapa, dizia tudo, sobre mineradores e minerados – todos nós, enfim – que ainda não aprendemos a lição, vide as tragédias em Mariana e Brumadinho, mais de duas décadas depois: “Responsabilidade na convivência para o bem-estar de quem ocupa o mesmo espaço”. Ou seja: tudo aquilo que é economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente mais justo, o outro nome da sustentabilidade.

Nota da Redação

Os tempos eram outros. Mais românticos e dialogáveis, que radicais e violentos. Os presidentes e diretores das mineradoras tinham rostos e nomes conhecidos, não fugiam do debate. Os ambientalistas eram respeitados e ouvidos, mais que temidos. Essa é a missão maior de resgate que, pela sua biografia, Penido e o novo Ibram têm pela frente. Um dever contra a demonização, em grande parte justa, do setor, que se afastou total da sua principal garota-propaganda, por não respeitar nem saber amá-la: a natureza que nos resta e sustenta.

O otimismo de Romeu Zema como Minas e o Brasil podem se mirar no exemplo de Ruanda


Desde a tragédia da Vale em Brumadinho que o governador Romeu Zema vem colecionando críticas veladas pelo seu otimismo, principalmente ao abordar o tema da mineração em crise no estado. Por causa de suas declarações notadamente positivas, de esperança no futuro e fé na vida pública, muitas vezes ele é visto igualmente como ingênuo.

Por pensar assim, o nosso governador pode estar sozinho, cercado de maus agouros, desde parte da imprensa até alguns de seus colaboradores mais próximos. Mas nem tudo está perdido. Pelo contrário. Só otimismo e ingenuidade jamais o levariam aonde chegou. Mas podem ajudá-lo, e muito, na missão “quase impossível” que abraçou e o faz levantar todos os dias difíceis que vivemos.

Foi o que fiquei matutando dia desses, lembrando-me de Zema e das nossas Minas Gerais, após ouvir um comentário do colega Lourival Sant'Anna, na Rádio CBN, sobre o que de mais desafiante e real aconteceu em Ruanda, na África. Alguém aí, caros leitores, já assistiu ao filme “Hotel Ruanda”? Pois o alugue de novo. Aquilo tudo (um país sem natureza, com quase um milhão de habitantes se matando a golpes de facões) virou passado e perdão.

Foto: Bruno Peres
Ex-colônia da Bélgica, entre os dias sete de abril e quatro de julho de 1994, esse território africano já aquecido pelas mudanças climáticas foi palco de um dos piores genocídios ocorridos na face tórrida da Terra. Um verdadeiro massacre perpetrado por extremistas hutus contra tutsis e hutus moderados, os seus dois maiores grupos éticos. Uma rivalidade que se acentuou com o passar do tempo, dada à escassez ambiental de terras para plantio e a sua fraca economia nacional não diversificada, basicamente sustentada pelo cultivo e exportação de café. Isso, até 1989, quando o preço da saca foi reduzido à metade, fazendo o país praticamente dependente de um único produto, perder em 40% a sua renda oriunda das exportações. A partir daí, Ruanda tornou-se uma das nações mais pobres do planeta. E a que também mais reagiu a partir disso: virou case de sucesso em gestão econômica governamental.

A "Cingapura" da África
Foi o que continuei ouvindo no rádio. Em apenas duas décadas e meia depois do genocídio que exterminou cerca de 800 mil dos seus sete milhões de habitantes e, na sequência, mandou para o exílio parcela considerável de sua antiga força de trabalho, Ruanda vive hoje em ritmo de crescimento acelerado em torno de 9% ao ano. Por motivos óbvios, tem 60% da população abaixo dos 30 anos e um dos parlamentos mais femininos do mundo (64% de mulheres na Câmara e 40% no Senado). É ainda considerado um dos lugares mais seguros da África e também um dos mais estáveis politicamente.

Segundo a escritora Scholastique Mukasonga, que perdeu praticamente toda a sua família durante os massacres, Ruanda se tornou, sim, um modelo possível para o mundo. E pode inspirar o Grande Sertão, já sem veredas, que trazemos dentro e fora da gente: “As pessoas que nos visitam hoje constatam o resultado do desenvolvimento econômico, da luta implacável contra a corrupção e o lugar que as mulheres têm. A segurança que reina na capital Kigali leva as grandes empresas a estabelecerem suas sedes em Ruanda. Nós sonhamos ser, enfim, a pequena Cingapura da África” – disse ela.

E, detalhe final em termos de ecologia humana e social reportada, in loco e ao vivo, por Lourival Sant'Anna na CBN: “Nem moradores de rua pedindo esmolas são mais vistos hoje em Ruanda”, ele confirmou.

Eu desliguei o rádio, com esperança novamente no ser humano. Como diria José Carlos Carvalho, nosso ex-secretário e ministro de Meio Ambiente, diante da insustentável beleza do mundo “nenhum de nós tem mais tempo para ser pessimista”.

E lembrei-me, indagativo, do governador: e quanto a Minas, destroçada temporariamente pela mineração insustentável? E quanto ao Brasil, que tem um ministro do Meio Ambiente que é contra o Meio Ambiente? E o Planeta Terra, onde todos os dias do ano deveriam ser dias mundiais do Meio Ambiente, de reflexão, e não somente hoje, 5 de junho?

Continue otimista, Zema!

Depoimentos de Esperança

Diversificação
“Estamos iniciando a era pós-tragédias em Minas Gerais. Brumadinho será a última. Queremos que a nossa economia venha se diversificar mais. A mineração sempre foi e continuará importante, mas outras atividades precisam surgir e dinamizar o nosso desenvolvimento de maneira sustentável. Nós temos de mudar a mentalidade reinante no Brasil de que mais regulamentação e leis é que proporcionam melhor desempenho.”

Reinvenção
“Nós temos uma das legislações tributárias mais complexas do mundo e, apesar disso, um alto grau de informalidade e sonegação. Nosso Supremo Tribunal Federal é o único no planeta que julga habeas corpus, em vez de questões de caráter superior. Somos um país que, de certa maneira, precisa se reinventar. Essa cultura burocrática que herdamos tem impedido e muito, que nos tornemos uma sociedade mais eficiente e mais rica.”

Expectativa
“A nossa expectativa de vida atual é a maior de todos os tempos. A segurança que temos é a maior de todas as eras. Nunca se teve tão poucas guerras. Quando eu falo isso é comparando séculos e não pequenos intervalos, porque algumas recaídas podem acontecer. As condições de trabalho nunca foram tão boas quanto agora. Temos de lembrar que viemos de um país de escravos e que trabalho, no passado, era algo que quase condenava uma pessoa à morte. Nunca tivemos tanto bem-estar, moradias, transportes e, principalmente, tanta liberdade de expressão e transparência.”

Confissão
“Eu só virei governador exatamente por causa do meu otimismo. Foi o que mais escutei durante minha campanha, e ainda escuto: ‘Você é louco de querer assumir um estado como Minas Gerais’. Mas busco me lembrar sempre que desafios é o que, muitas vezes, nos mantêm vivos. Escalar o Monte Everest, em vez da Serra da Mantiqueira, todo mundo sabe, é bem mais desafiante. O que o meu governo quer fazer é exatamente isso. É apossar-se desse tamanho desafio que temos pela frente.”

Otimismo
“Eu quero sempre demonstrar o meu otimismo. Qualquer pessoa que pegar um livro de história e entender um pouquinho do que aconteceu com a nossa raça tem todos os motivos para ser extremamente otimista.”

“Estou otimista também porque Minas está intacta, diferentemente de um país como a Síria, totalmente arrasada e destruída. Caso a economia do mundo, do Brasil e do mundo venha a reagir, a nossa produção tem condição de aumentar rapidamente, em questão de meses, até 40%, que é uma capacidade gigantesca.”

Renascimento
“Muitas vezes as tragédias nos obrigam a construir um mundo novo e melhor. Japão e Alemanha são dois grandes exemplos dessa possibilidade real. Eles foram países arrasados por duas guerras mundiais e hoje estão entre os mais prósperos, justos e com melhores índices de bem-estar do mundo para as suas populações. Fazer dessas nossas tragédias um futuro melhor é tudo que queremos. Só depende de nós.”

Fiemg discute compliance ambiental



Flávio Roscoe: Temos de ir além dos litígios legais”. Foto: Divulgação              
“Meio ambiente é mais que um tema central. Depois de Brumadinho, ele se tornou um novo e mais compromissado olhar para todos os setores, além da mineração. Esse cuidado nos convoca a irmos além, e tentar evitar os litígios legais. E, também antes deles, trabalharmos preventivamente para a nossa melhor adequação perante a legislação ambiental. É o que já acontece, de forma sustentável, em todo o parque industrial mineiro. Há 30 anos atrás, a poluição atmosférica era comum e massiva, com as chaminés das nossas fábricas soltando fumaça escuro no céu. Hoje é só fumaça branca de vapor d´água.” - foi o que declarou Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, na abertura do Seminário “Compliance Ambiental”, promovido ontem, no auditório da instituição, em BH.

O empresário ressaltou que, historicamente, a Fiemg sempre apoiou as ações de compliance, tanto internas como externas, voltadas à preservação ambiental: “Queremos ser empresas legalmente sustentáveis. E isso hoje também inclui termos ganhos financeiros, vide o exemplo da reciclagem de resíduos no Brasil e no mundo, com a criação de tantos empregos e renda ao longo dos ciclos de vida dos nossos produtos.”

Durante o seminário, foi demonstrado que toda empresa pode alcançar a sua conformidade ambiental, pautada em princípios éticos e legais. Cumprindo, assim, com a sua responsabilidade socioambiental e oferecendo produtos e serviços de qualidade a seus clientes.

DE NIXON A CORTELA
A primeira notícia sobre compliance na história do planeta ocorreu em 1974, com a queda do Governo Nixon, frente às denúncias comprovadas de espionagem. Três anos depois foi criada a primeira lei norte-americana de compliance, ramificando-se também na hoje em voga esfera ambiental.

Segundo o meio jurídico, a adoção da função de compliance ambiental é medida primária de prevenção de riscos da empresa. Ela atua antes mesmo do empreendimento iniciar suas atividades impactantes ao meio ambiente, ao incluir plano de ação, precaução e prevenção. O contrário disto pode levar toda e qualquer empresa a consequências gravíssimas, inclusive de imagem perante seus públicos-alvos.
É o que já disse o escritor e comentarista da Rádio CBN, Mário Sérgio Cortella:“Aquelas corporações que se envolvem em acidentes ambientais, que não fazem a manutenção adequada de seus equipamentos, que entregam produtos fora da especificação ou que submetam seus empregados a condições indignas de trabalho têm vida curta na sociedade atual”.

Saiba mais: fiemg@com.br

FURO ECOLÓGICO: Vem de Minas o Prêmio Nobel de Sustentabilidade





Após seis anos de conversas e buscas de patrocínio, a Fundação Pro-Natura Internacional  fechou acordo com as famílias Rockfeler e do cientista sueco Alfred Nobel, para o lançamento, ainda este ano, do “Prêmio Nobel de Sustentabilidade”. Esta informação foi dada extraoficialmente pelo próprio criador da Pro-Natura, Marcelo de Andrade, mineiro de BH, um dos precursores do movimento ambientalista mundial, durante a última reunião do Conselho de Presidentes, na capital. Se confirmada, graças a Minas Gerais, o estado-berço brasileiro da consciência ecológica (além das categorias Literatura, Medicina, Física, Química, Economia e Ativismo pela Paz), o Prêmio Nobel de Sustentabilidade também irá reconhecer, doravante, quem mais fizer pela segurança ambiental do planeta e sua humanidade.

A natureza aplaude!

Tragédias (e soluções) acompanham o novo presidente da Vale

Tragédias (e soluções) acompanham o novo presidente da Vale
O viés ambiental na carreira profissional do engenheiro Eduardo de Salles Bartolomeo, escolhido para comandar interinamente a Vale diante da tragédia que ela causou e continua negando em Brumadinho, repetindo Mariana, vem de longe.
Como está descrito em seu currículo de executivo sênior, já há 10 anos na mineradora, com “expertise em liderar operações complexas e estabelecer uma cultura de excelência operacional”, ele sabe disso.
Se não se lembra, após ter sido membro do Conselho de Administração e do Comitê de Governança, Conformidade e Risco da Vale, no período de 2016 a 2017, Eduardo Bartolomeo vai ser lembrado aqui. Ainda mais que a escolha de seu nome foi alinhada e anunciada, oficialmente, “para garantir estabilidade às operações da empresa e dar continuidade ao processo de indenização, reparação e mitigação dos efeitos do rompimento da Barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão”.
Onde morreram e desapareceram mais de 300 pessoas, não podemos esquecer, seres humanos, na sua maioria funcionários e prestadores de serviços da Vale.
Acompanhe, com exclusividade, essa sua história ambiental. E, agora, desafiadora ao extremo:
Vinte e três anos atrás...
Estamos em Juatuba, município mineiro distante 50 km de BH. Quase a mesma distância entre a capital mineira e Brumadinho. Nessa época, Inhotim ainda não existia. A Revista Ecológico se chamava Estado Ecológico e circulava, em toda lua cheia, como um suplemento impresso encartado no jornal "Estado de Minas".
Era início de 1996, quatro anos depois da ECO/92, no Rio de Janeiro, a conferência que mais reuniu estadistas na história da humanidade. Mais um ano, enfim, em que ninguém conseguia decifrar a causa de tanta mortalidade de peixes a cada chuva forte que caia em Juatuba, na Grande BH. E geralmente à noite, no já poluído Ribeirão Céu Azul, afluente do Rio Paraopeba, Bacia do São Francisco. Um verdadeiro mistério, perante a opinião pública. E derrotas sucessivas dos ecologistas e órgãos ambientais. Até que um velho ditado, que a gente aprendia na escola quando criança, se fez respeitado: “A verdade é como azeite, sempre fica à tona d'àgua”.
Uma denúncia anônima revelou que quem matava os peixes a jusante e na surdina, era uma bem-quista fábrica da Cervejaria Brahma no município.
Nessa época, fazia sucesso a memorável campanha publicitária: “Brahma, a Número 1”. E o que essa fábrica fazia em Minas?
Para fugir da fiscalização ambiental e do olhar humano, em vez de tratar, ela acumulava os seus rejeitos industriais. E os lançava de madrugada, quando a população estava dormindo e chovia forte, de forma que eles se misturassem com outras fontes de poluição menores.
Foi o que o Estado Ecológico reportou, com exclusividade, no dia três de abril de 1996, com a chamada de capa: “Matando na fonte”. E dentro: “A Número 1... em degradação”.
Graças à denúncia, a fábrica foi autuada duas vezes, também por poluir uma nascente e um córrego outrora cristalino e afluente do Ribeirão Céu Azul, ao redor de sua planta industrial. Os fiscais da Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente) logo confirmaram dois parâmetros fora dos padrões de qualidade hídrica do Copam (Conselho Estadual de Política Ambiental): “Demanda química de oxigênio (DQO)” e “presença de amônia”, que a cervejaria também utilizava no seu sistema de refrigeração, em dosagens “12 vezes acima” do permitido pela legislação ambiental federal. Bastante tóxica, a amônia é um gás incolor que se dissolve bem na água.
Quase dois meses depois, em três de maio de 1996, saíram os resultados da causa “mortis” em profusão dos peixes. Segundo as análises, eles morriam de hemorragia. Ou seja, de “derramamento de sangue para fora dos vasos que deveriam contê-lo”.
Ao lado da autuação também pelo Ibama, encaminhada ao Ministério Público para instauração de processo, se confirmou mais: “A Brahma faz do local (parte dos 10 hectares da sua área verde, o seu 'lixão industrial particular'. Queima, a céu aberto, montanhas de tampinhas, vidros, rótulos e outras embalagens de seus produtos. Pra completar, ela ainda jogava os resíduos fedorentos de cevada em APP (Área de Preservação Permanente)".
A Brahma, enfim, não teve como fugir. Mesmo depois de ter instalado um sistema de controle de efluentes exigidos pela legislação em sua fábrica, ela reconheceu o dolo. O problema, garantiram os ecologistas na época, liderados pela Amda (Associação Mineira de Defesa do Ambiente), estava na falta de gestão ambiental permanente. A empresa precisava investir mesmo, com consciência e vontade política, na operação sistemática do processo de controle, o que os fatos confirmaram.
E o que, afinal, o novo presidente interino da Vale tem a ver com isso? Tudo. Antes de trabalhar na mineradora, entre os anos 1994-2003, Eduardo Bartolomeo foi diretor de Operações da Ambev. E em 1998, quando a Brahma deu a volta por cima, tornando-se a primeira cervejaria do mundo a receber a Certificação Ambiental ISO 14001, graças às mudanças na ex-poluidora fábrica de Juatuba, quem era seu gerente? Ele mesmo: Eduardo Bartolomeo.
É o que a Revista Ecológico continua reportando a seguir:
Quase três anos depois de ser enquadrada pela legislação brasileira como responsável pela morte de milhares de peixes, a Brahma continuou alegando que o vazamento de amônia foi um acidente, não intencional. Dizia, primeiro: “que errar é humano”. E, segundo: “que aprender e melhorar com o erro é ecológico”.
Pois foi isso que aconteceu e a Ecológico também anunciou com exclusividade: “A Número 1... em dar a volta por cima”.
Nada de graça, é claro. Para cumprir todas as exigências do processo e receber o selo comprobatório de seriedade no trato com o meio ambiente, a Brahma teve de investir R$ 810 mil, entre os anos 1996/1998, na compra de equipamentos antipoluentes, em consultoria externa e treinamento para todos os seus funcionários.
Ela ainda buscou as tecnologias limpas existentes no Brasil e no exterior desde a denúncia, promovendo mudanças estruturais na sua antiga fábrica, como a destinação correta e reciclagem de 95% dos resíduos ali gerados, criando áreas específicas para armazená-los e dar-lhes destinação também correta. Chegou a construir uma plataforma para medir a emissão de gases da chaminé das caldeiras.
A certificação do seu novo Sistema de Gestão Ambiental (SGA) interno foi recomendada pelo órgão inglês Bureau Veritas Quality International.
Segundo comemorou seu gerente, Eduardo Bartolomeo, nessa época, a Brahma também conseguiu estender sua preocupação ambiental à comunidade em volta, até então seus inimigos e críticos naturais. Face, é claro, à poluição que causava. Foi quando desenvolveu vários projetos ecológicos: o plantio de 10 mil mudas de espécies nativas e ornamentais. A recuperação das matas ciliares às margens do Ribeirão Céu Azul, de onde retirava água para uso industrial e consumo humano. E investimento no aterro sanitário do município.
A consciência “ecológica” da Brahma, destacou Bartolomeo, não se restringiria a Minas Gerais. Outras três unidades de cervejaria – em Lages, Águas Claras do Norte e Águas Claras do Sul – também estavam buscando a Certificação ISO 14000: “Toda a experiência que tivemos em Juatuba será repassada às demais fábricas da empresa” – disse ele.
Com capacidade instalada para a produção de 500 milhões de litros de cervejas e refrigerantes, a Unidade de Juatuba passou a gerar quase mil empregos diretos e indiretos, ocupando uma área de mais de 200 mil metros quadrados: “Tudo e todos” – concluiu a reportagem – “agora ecologicamente corretos”.
E Eduardo Bartolomeo? Sua última declaração, como gerente da filial Minas Gerais foi: “Investir em meio ambiente é uma forma de garantir não somente o nosso futuro, mas também a nossa própria sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado”. E repetiu: “Investir em meio ambiente é, definitivamente, uma forma de se melhorar o desempenho econômico/financeiro de qualquer empresa”.
Continua sendo este o pensamento do agora presidente interino da Vale? É o que Brumadinho e Mariana aguardam saber.
A última performance da Brahma em Juatuba
Olha como são as coisas. Seis anos depois que Eduardo Bartolomeo deixou o cargo de diretor de Operações da Ambev, na ”Semana Mundial da Água” deste ano, a fábrica de Juatuba voltou às manchetes. E não mais como o exemplo de sustentabilidade para as demais cervejarias do mundo. Foi o que toda a mídia noticiou: o fechamento da fábrica da Ambev em Minas por falta de... higiene!
Segundo os fiscais do Serviço de Inspeção de Produtor de Origem Vegetal (Sipov), a unidade que fabrica cervejas e chope das marcas Skol, Caracu, Antarctica Sub Zero, Original, Brahma e Serrana nem tinha registro oficial do governo, além de todas as irregularidades encontradas.
Em nota para o mercado, a Ambev, que faz parte da multinacional belga Anheuser-Busch Inbev, explicou que as operações da cervejaria de Juatuba estavam temporariamente suspensas para a realização de pequenas reformas de estrutura”. Nem uma linha, ela informou, do que já foi um dia, de ruim e bom para a natureza e às pessoas à sua volta, além do economicamente viável.
O boulevard engavetado do Arrudas
Nessa mesma época, como forma de também compensar ecologicamente a capital mineira e dar visibilidade à marca Brahma, instalada na Bacia Hidrográfica do Velho Chico, Eduardo Bartolomeo entrou em contato com os ambientalistas e a Prefeitura de BH, por meio da Secretária Municipal de Meio Ambiente. O secretário era o jornalista Paulo Lott. E Célio de Castro, o prefeito.
Bartolomeo prometeu patrocinar os estudos de um projeto ambiental executivo final para a capital dos mineiros, a ex-“Cidade Jardim” do Brasil. E o fez, a um custo, à época, de R$ 150 mil.
Assim nasceu o Projeto de Recuperação Urbana, Ambiental e Paisagística – intitulado “Boulevard do Arrudas” (à dir.) - à semelhança das margens artísticas e floridas do Rio Sena, em Paris, e das “ramblas” de Barcelona. Um sonho que nunca foi realizado por questões politiqueiras.
A entrega oficial do projeto executivo final, com apoio e participação democrática da população, ocorreu festivamente, nas margens poluídas e sem arte do Arrudas, tendo a Igreja de Santa Tereza ao fundo, durante as comemorações de mais um “Dia Mundial do Meio Ambiente”. Bartolomeo financiou e entregou o projeto pronto para a prefeitura que, por questões partidárias, ainda o mantém arquivado, semimorto nas gavetas da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos de BH.
Alô Alexandre Kalil, ressuscita-o!

O amor ao ninho



Simples e emotiva, tal como a natureza que ele amava. Foi assim, no último domingo de março, na Paróquia Santa Rita de Cássia, em BH, a missa realizada pelo padre Toninho em lembrança ao centenário de nascimento do ambientalista Hugo Werneck. Um dos precursores da consciência ecológica na América Latina, é a ele que a Revista Ecológico é dedicada a cada nova lua cheia no céu.

Considerado um dos pais do ambientalismo brasileiro, ele foi o fundador do Centro para a Conservação da Natureza em Minas Gerais, uma das primeiras ONGs do país, cuja sede fixa era o seu concorrido gabinete de dentista no centro de BH. E como sede móvel, uma velha kombi que o levava a procurar passarinhos e se encantar com as borboletas pelos Geraes afora retratadas por Guimarães Rosa. Graças à sua luta, acham-se hoje preservados tanto o Parque Estadual do Rio Doce, no Vale do Aço, considerado a “Amazônia mineira”; quanto o Parque Nacional da Serra do Cipó, entre tantas áreas verdes.
Além da Revista Ecológico, o “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, hoje na sua 10a edição, foi criado para manter viva a sua memória. O ambientalista nasceu no dia 30 de março de 1919 e nos deixou em novembro de 2008, aos 89 anos. Ele acreditava que só o amor, a educação e a democratização da informação ambiental poderiam mudar a atitude do ser humano em relação à natureza. Foi essa a sua mensagem, na forma de um “santinho” com sua foto, que seus familiares distribuíram ao final da cerimônia religiosa, devoto e ajudante da paróquia que ele era. De um lado, a justificativa sutil e maior de sua luta: “Só a beleza do mundo deveria bastar para preservarmos a natureza”. E de outro, a mais colorida: “Imagine se matássemos ou aprisionássemos todas as larvas de borboletas, por serem feias e nocivas nesse estágio? Não existiram borboletas adultas, esvoaçantes em sua beleza, leveza e graça. Não existiram ‘cores que voam’ a nos encantar, como uma criança um dia me ensinou a vê-las”.

Obrigado, mestre!

Em tempo:Reveja alguns dos seus ensinamentos, ao som de “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas!