O MME sem verde e uma bandeira global

 

Foto: Agência Brasil

Em sua recente visita à Minas, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque repetiu o já recorrente mantra, tanto do governo como do setor. A prioridade é fiscalizar, fiscalizar e fiscalizar a segurança das grandes empresas de mineração, para que não ocorram mais desastres socioambientais e econômicos como Mariana e Brumadinho.

Recebido da Fiemg, ele também anunciou uma nova sigla aderente, proposta pelo governo federal: o PDM (Plano de Desenvolvimento da Mineração), com metas e ações do setor até 2023. Faz parte dele um outro plano: o de comunicação social, para informar e mostrar a importância desta atividade produtiva para a vida humana.

Chover no molhado

No fundo, por ser Minas um estado inconfidente e montanhoso (“Olhe bem as montanhas”) onde, por isso mesmo, a questão ambiental nasceu e virou modelo de política para todo o país, o ministro não anunciou nada de novo ou revolucionário.

Depois do que aconteceu e se esperava em Mariana e Brumadinho, nenhuma empresa de mineração – incluindo a HPB, Vale e Samarco – precisa de ser cutucada mais para se tornar segura.

Infelizmente pela dor e por tirar a vida dos seus próprios funcionários, essa preocupação já faz parte hoje do seu negócio e sobrevivência no mercado mundial. Ainda mais tendo uma Semad hoje mais capacitada e em aliança com a Fiemg, em prol da sustentabilidade crescente do setor.

Amor versus ódio

Plano de comunicação igual ou melhor do que do “Agro é Pop”? Também precisa não. Primeiro, todo mundo sabe, ninguém vive sem a mineração. Nem voltaria, de novo, a viver em cavernas. E segundo, que nada nesse nível, da propaganda pela propaganda irá mudar, tão cedo, a sua reputação e imagens públicas.

Por dever e sobrevivência, a imprensa jamais deixará de nos fazer lembrar de ambas as impiedosas tragédias ocorridas no Doce e no Paraopeba.

Melhor, e ainda ter a imprensa e a humanidade do seu lado, é a mineração do futuro ser amigável com a natureza. E assim, ter uma bandeira global à altura do seu poder, lucro e logística operacional. Uma bandeira de responsabilidade, tecnologia e afeto ao planeta.

No plano local, não existe bandeira mais ecológica e natural que a mineração plantar árvores pra valer. E assim, num esforço somado, ajudar a recuperar as florestas de Minas e do Brasil. Bastaria, com humildade e exemplo, começar pelas áreas degradadas pelo próprio setor, ao longo de quase 300 anos, vide a quantidade de crateras, cavas e terrenos baldios abandonados em Minas, pós-exploração pela mineração antiga e antes do advento da consciência ambiental.

Aí, sim, tendo a árvore, considerada o “símbolo da vida” por quase todas as religiões, como sua garota-propaganda natural, a mineração seria imbatível e respeitável. Ao invés de odiada, seria querida, defendida e amada.

Voltando ao Bento

O ministro Bento terminou sua participação na Fiemg, falando de mais um plano do MME sem o verde da natureza que sustenta o Brasil, o planeta e a humanidade. Trata-se do Plano Decenal de Energia (PDE) do governo federal que prevê, até 2029, nada menos que R$ 2,3 trilhões de investimentos no Brasil, o único país no mundo com nome de árvore.

E para 2050, ele concluiu, os objetivos da sua pasta são mais ambiciosos: fazer o Brasil expandir a geração de energia nuclear e produzir, diariamente, 6 milhões de barris de petróleo.

Imagine se, mais ecológicos, o replantio de árvores e a recuperação das florestas pelas mineradoras fizesse parte deste plano?

A esperança é verde.

Até os Beatles pedem Help pelas florestas

 






Se os quatro integrantes da maior e mais amada banda de rock do planeta estivessem vivos, certamente eles também cantariam pela preservação das florestas que restam no Brasil e no mundo. Foi esta uma das pegadas premiadas do I Concurso de Charges “The Beatles”, promovido pelo Cine Theatro Brasil Vallourec, como parte das comemorações dos seus sete anos de atividades, na capital mineira.

Como lembra Sandra Campos, gerente de planejamento e ação cultural, para concorrerem no concurso, era preciso que as charges tivessem algum elemento que remetesse aos Beatles e ao Cine Theatro: “O resultado comprovou o esperado. Eles são mesmos umas das bandas mais icônicas do planeta”.

A charge vencedora, de Evandro Rocha, mostra os Beatles atravessando a Avenida Afonso Pena, no coração de BH (como se tivessem na Abbey Road) em direção ao Cine Theatro desenhado como o Yellow Submarine. Já a terceira charge premiada é de Igor Rodrigues. Ela “ecologiza” o famoso desenho de capa de “Help!”, transformando John Lennon, George Harrison, Paul McCartney e Ringo Star em “árvores horrorizadas” pedindo socorro contra a tamanha e suicida estupidez humana.

Jogada de mestre







A bolsa de especulação em torno da ministra que hoje é o rosto do governo mais respeitado dentro e fora do país, justamente por esse seu equilíbrio ideológico, já tem vários balões de ensaio. Um deles era Tereza Cristina escolher seu sucessor de confiança e capacidade também com esta visão no Ministério da Agricultura. E, assim, ela voar mais alto como a super ministra (guarda-chuvas) do Meio Ambiente. Uma oportunidade de ouro que o Lula teve nas mãos – com Marina Silva – e não soube valorizá-la, perdendo por completo o bonde da história. Logo ao deixar o governo petista, a ex-senadora pelo Acre foi eleita pela Revista Time como uma das 50 personalidades capazes de influenciar e mudar a mentalidade da humanidade. E assim, salvar o planeta. Alguém tem dúvida do topo, para sempre, que a questão ambiental atingiu? Resta saber até quando a natureza, que é rosto terreno e degradado de Deus na Terra, vai continuar esperando.



Efeito Cristina



Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil 


Se o eventual ocupante da presidência do Brasil quisesse fazer as pazes com Deus, parando de destruir a natureza, índios, caboclos, rios e peixes. E, assim, se livrar do inferno pós-morte que certamente o espera, ele já tem a receita. Trata-se da sua ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Cada dia mais, ela vem sendo admirada não somente pelos seus pares ideológicos, o que seria chover no molhado. Mas por vários ambientalistas e diferentes representantes do meio produtivo e da sociedade civil organizada. Tudo por causa do seu discurso não radical da questão ambiental. Como se fosse ela, e não o contrário, o ministro do Meio Ambiente que o Brasil ainda não tem, e tanto nos isola economicamente do resto do mundo.

Fora da curva
Num evento recente, em Buritis (MG), com a presença de outros seis ministros, realizado pelo Instituto Espinhaço, Tereza Cristina não deixou por menos. Defendeu, como Chico Mendes, o desmatamento zero. Disse que o Brasil tem 100 milhões de hectares de terra já degradados de ex-florestas, matas, campos e cerrados erodidos. E que, portanto, após recuperar ambientalmente e incorporá-los à atividade agropecuária sustentável, faria o país dobrar a sua produção em apenas 20 anos, sem precisar cortar uma só árvore.

Efeito Monalisa



Nem tudo está perdido. O governador Romeu Zema soube ouvir o ninho ambientalista e, assim, acertar, pela segunda vez, ao empossar a engenheira civil e doutora em saneamento e recursos hídricos Marília Carvalho, como a nova titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Ela substituiu Germano Vieira, o primeiro grato acerto de Zema, em plena tragédia de Brumadinho.Servidora de carreira, respeitada e admirada pelos seus pares, trata-se da primeira mulher na história ambiental de Minas a comandar, doravante, a estratégica e desafiante pasta da Semad. 

Com um rosto que lembra a admirável pintura de Leonardo da Vinci, no Museu do Louvre, em Paris, Marília não é nada enigmática. Pelo contrário, é franca e transparente como as águas que sempre defendeu. E tem uma história interessante, pessoal e familiar, com a questão ambiental (leia sua última entrevista à Ecológico que republicamos na página 20). Ela também não esconde, ideologicamente, qual a sua posição política: “O meu partido – repetiu na posse - é o meio ambiente!”.

Prioridade de governo

 


Ao contrário de passar a boiada, outra pesquisa, realizada pela IPSOs, revelou que 85% dos brasileiros acham que a proteção ao meio ambiente deve ser uma prioridade do governo no plano de recuperação do país pós-Covid 19. O estudo ouviu participantes de 16 países, além do Brasil.


Hábitos sustentáveis

 




Pesquisa recente da Opinion Box mostrou os novos hábitos dos consumidores brasileiros durante a pandemia. Um dos principais insights revelados é a consciência crescente da opinião pública em relação à sustentabilidade durante esse período. Mesmo com medo de serem infectadas ou mortas, 35% das pessoas ouvidas dão mais preferência para produtos com menos embalagens; 32% para as marcas sustentáveis; 33% estão economizando mais água. E 30% separando o seu lixo reciclável.

Semad. 25 anos

 




Será no próximo dia 8, às 9h, pelo canal do Youtube, o Webinar “Avanços e Desafios da Política Ambiental de Minas Gerais”, mais lançamento do hotsite oficial, abrindo as comemorações dos 25 anos de criação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Como lembra o secretário Germano Vieira, na área ambiental de Minas, “o diálogo é essencial. E isso marcará o que queremos para os próximos 25 anos”.