Fiemg discute compliance ambiental



Flávio Roscoe: Temos de ir além dos litígios legais”. Foto: Divulgação              
“Meio ambiente é mais que um tema central. Depois de Brumadinho, ele se tornou um novo e mais compromissado olhar para todos os setores, além da mineração. Esse cuidado nos convoca a irmos além, e tentar evitar os litígios legais. E, também antes deles, trabalharmos preventivamente para a nossa melhor adequação perante a legislação ambiental. É o que já acontece, de forma sustentável, em todo o parque industrial mineiro. Há 30 anos atrás, a poluição atmosférica era comum e massiva, com as chaminés das nossas fábricas soltando fumaça escuro no céu. Hoje é só fumaça branca de vapor d´água.” - foi o que declarou Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, na abertura do Seminário “Compliance Ambiental”, promovido ontem, no auditório da instituição, em BH.

O empresário ressaltou que, historicamente, a Fiemg sempre apoiou as ações de compliance, tanto internas como externas, voltadas à preservação ambiental: “Queremos ser empresas legalmente sustentáveis. E isso hoje também inclui termos ganhos financeiros, vide o exemplo da reciclagem de resíduos no Brasil e no mundo, com a criação de tantos empregos e renda ao longo dos ciclos de vida dos nossos produtos.”

Durante o seminário, foi demonstrado que toda empresa pode alcançar a sua conformidade ambiental, pautada em princípios éticos e legais. Cumprindo, assim, com a sua responsabilidade socioambiental e oferecendo produtos e serviços de qualidade a seus clientes.

DE NIXON A CORTELA
A primeira notícia sobre compliance na história do planeta ocorreu em 1974, com a queda do Governo Nixon, frente às denúncias comprovadas de espionagem. Três anos depois foi criada a primeira lei norte-americana de compliance, ramificando-se também na hoje em voga esfera ambiental.

Segundo o meio jurídico, a adoção da função de compliance ambiental é medida primária de prevenção de riscos da empresa. Ela atua antes mesmo do empreendimento iniciar suas atividades impactantes ao meio ambiente, ao incluir plano de ação, precaução e prevenção. O contrário disto pode levar toda e qualquer empresa a consequências gravíssimas, inclusive de imagem perante seus públicos-alvos.
É o que já disse o escritor e comentarista da Rádio CBN, Mário Sérgio Cortella:“Aquelas corporações que se envolvem em acidentes ambientais, que não fazem a manutenção adequada de seus equipamentos, que entregam produtos fora da especificação ou que submetam seus empregados a condições indignas de trabalho têm vida curta na sociedade atual”.

Saiba mais: fiemg@com.br

FURO ECOLÓGICO: Vem de Minas o Prêmio Nobel de Sustentabilidade





Após seis anos de conversas e buscas de patrocínio, a Fundação Pro-Natura Internacional  fechou acordo com as famílias Rockfeler e do cientista sueco Alfred Nobel, para o lançamento, ainda este ano, do “Prêmio Nobel de Sustentabilidade”. Esta informação foi dada extraoficialmente pelo próprio criador da Pro-Natura, Marcelo de Andrade, mineiro de BH, um dos precursores do movimento ambientalista mundial, durante a última reunião do Conselho de Presidentes, na capital. Se confirmada, graças a Minas Gerais, o estado-berço brasileiro da consciência ecológica (além das categorias Literatura, Medicina, Física, Química, Economia e Ativismo pela Paz), o Prêmio Nobel de Sustentabilidade também irá reconhecer, doravante, quem mais fizer pela segurança ambiental do planeta e sua humanidade.

A natureza aplaude!

Tragédias (e soluções) acompanham o novo presidente da Vale

Tragédias (e soluções) acompanham o novo presidente da Vale
O viés ambiental na carreira profissional do engenheiro Eduardo de Salles Bartolomeo, escolhido para comandar interinamente a Vale diante da tragédia que ela causou e continua negando em Brumadinho, repetindo Mariana, vem de longe.
Como está descrito em seu currículo de executivo sênior, já há 10 anos na mineradora, com “expertise em liderar operações complexas e estabelecer uma cultura de excelência operacional”, ele sabe disso.
Se não se lembra, após ter sido membro do Conselho de Administração e do Comitê de Governança, Conformidade e Risco da Vale, no período de 2016 a 2017, Eduardo Bartolomeo vai ser lembrado aqui. Ainda mais que a escolha de seu nome foi alinhada e anunciada, oficialmente, “para garantir estabilidade às operações da empresa e dar continuidade ao processo de indenização, reparação e mitigação dos efeitos do rompimento da Barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão”.
Onde morreram e desapareceram mais de 300 pessoas, não podemos esquecer, seres humanos, na sua maioria funcionários e prestadores de serviços da Vale.
Acompanhe, com exclusividade, essa sua história ambiental. E, agora, desafiadora ao extremo:
Vinte e três anos atrás...
Estamos em Juatuba, município mineiro distante 50 km de BH. Quase a mesma distância entre a capital mineira e Brumadinho. Nessa época, Inhotim ainda não existia. A Revista Ecológico se chamava Estado Ecológico e circulava, em toda lua cheia, como um suplemento impresso encartado no jornal "Estado de Minas".
Era início de 1996, quatro anos depois da ECO/92, no Rio de Janeiro, a conferência que mais reuniu estadistas na história da humanidade. Mais um ano, enfim, em que ninguém conseguia decifrar a causa de tanta mortalidade de peixes a cada chuva forte que caia em Juatuba, na Grande BH. E geralmente à noite, no já poluído Ribeirão Céu Azul, afluente do Rio Paraopeba, Bacia do São Francisco. Um verdadeiro mistério, perante a opinião pública. E derrotas sucessivas dos ecologistas e órgãos ambientais. Até que um velho ditado, que a gente aprendia na escola quando criança, se fez respeitado: “A verdade é como azeite, sempre fica à tona d'àgua”.
Uma denúncia anônima revelou que quem matava os peixes a jusante e na surdina, era uma bem-quista fábrica da Cervejaria Brahma no município.
Nessa época, fazia sucesso a memorável campanha publicitária: “Brahma, a Número 1”. E o que essa fábrica fazia em Minas?
Para fugir da fiscalização ambiental e do olhar humano, em vez de tratar, ela acumulava os seus rejeitos industriais. E os lançava de madrugada, quando a população estava dormindo e chovia forte, de forma que eles se misturassem com outras fontes de poluição menores.
Foi o que o Estado Ecológico reportou, com exclusividade, no dia três de abril de 1996, com a chamada de capa: “Matando na fonte”. E dentro: “A Número 1... em degradação”.
Graças à denúncia, a fábrica foi autuada duas vezes, também por poluir uma nascente e um córrego outrora cristalino e afluente do Ribeirão Céu Azul, ao redor de sua planta industrial. Os fiscais da Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente) logo confirmaram dois parâmetros fora dos padrões de qualidade hídrica do Copam (Conselho Estadual de Política Ambiental): “Demanda química de oxigênio (DQO)” e “presença de amônia”, que a cervejaria também utilizava no seu sistema de refrigeração, em dosagens “12 vezes acima” do permitido pela legislação ambiental federal. Bastante tóxica, a amônia é um gás incolor que se dissolve bem na água.
Quase dois meses depois, em três de maio de 1996, saíram os resultados da causa “mortis” em profusão dos peixes. Segundo as análises, eles morriam de hemorragia. Ou seja, de “derramamento de sangue para fora dos vasos que deveriam contê-lo”.
Ao lado da autuação também pelo Ibama, encaminhada ao Ministério Público para instauração de processo, se confirmou mais: “A Brahma faz do local (parte dos 10 hectares da sua área verde, o seu 'lixão industrial particular'. Queima, a céu aberto, montanhas de tampinhas, vidros, rótulos e outras embalagens de seus produtos. Pra completar, ela ainda jogava os resíduos fedorentos de cevada em APP (Área de Preservação Permanente)".
A Brahma, enfim, não teve como fugir. Mesmo depois de ter instalado um sistema de controle de efluentes exigidos pela legislação em sua fábrica, ela reconheceu o dolo. O problema, garantiram os ecologistas na época, liderados pela Amda (Associação Mineira de Defesa do Ambiente), estava na falta de gestão ambiental permanente. A empresa precisava investir mesmo, com consciência e vontade política, na operação sistemática do processo de controle, o que os fatos confirmaram.
E o que, afinal, o novo presidente interino da Vale tem a ver com isso? Tudo. Antes de trabalhar na mineradora, entre os anos 1994-2003, Eduardo Bartolomeo foi diretor de Operações da Ambev. E em 1998, quando a Brahma deu a volta por cima, tornando-se a primeira cervejaria do mundo a receber a Certificação Ambiental ISO 14001, graças às mudanças na ex-poluidora fábrica de Juatuba, quem era seu gerente? Ele mesmo: Eduardo Bartolomeo.
É o que a Revista Ecológico continua reportando a seguir:
Quase três anos depois de ser enquadrada pela legislação brasileira como responsável pela morte de milhares de peixes, a Brahma continuou alegando que o vazamento de amônia foi um acidente, não intencional. Dizia, primeiro: “que errar é humano”. E, segundo: “que aprender e melhorar com o erro é ecológico”.
Pois foi isso que aconteceu e a Ecológico também anunciou com exclusividade: “A Número 1... em dar a volta por cima”.
Nada de graça, é claro. Para cumprir todas as exigências do processo e receber o selo comprobatório de seriedade no trato com o meio ambiente, a Brahma teve de investir R$ 810 mil, entre os anos 1996/1998, na compra de equipamentos antipoluentes, em consultoria externa e treinamento para todos os seus funcionários.
Ela ainda buscou as tecnologias limpas existentes no Brasil e no exterior desde a denúncia, promovendo mudanças estruturais na sua antiga fábrica, como a destinação correta e reciclagem de 95% dos resíduos ali gerados, criando áreas específicas para armazená-los e dar-lhes destinação também correta. Chegou a construir uma plataforma para medir a emissão de gases da chaminé das caldeiras.
A certificação do seu novo Sistema de Gestão Ambiental (SGA) interno foi recomendada pelo órgão inglês Bureau Veritas Quality International.
Segundo comemorou seu gerente, Eduardo Bartolomeo, nessa época, a Brahma também conseguiu estender sua preocupação ambiental à comunidade em volta, até então seus inimigos e críticos naturais. Face, é claro, à poluição que causava. Foi quando desenvolveu vários projetos ecológicos: o plantio de 10 mil mudas de espécies nativas e ornamentais. A recuperação das matas ciliares às margens do Ribeirão Céu Azul, de onde retirava água para uso industrial e consumo humano. E investimento no aterro sanitário do município.
A consciência “ecológica” da Brahma, destacou Bartolomeo, não se restringiria a Minas Gerais. Outras três unidades de cervejaria – em Lages, Águas Claras do Norte e Águas Claras do Sul – também estavam buscando a Certificação ISO 14000: “Toda a experiência que tivemos em Juatuba será repassada às demais fábricas da empresa” – disse ele.
Com capacidade instalada para a produção de 500 milhões de litros de cervejas e refrigerantes, a Unidade de Juatuba passou a gerar quase mil empregos diretos e indiretos, ocupando uma área de mais de 200 mil metros quadrados: “Tudo e todos” – concluiu a reportagem – “agora ecologicamente corretos”.
E Eduardo Bartolomeo? Sua última declaração, como gerente da filial Minas Gerais foi: “Investir em meio ambiente é uma forma de garantir não somente o nosso futuro, mas também a nossa própria sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado”. E repetiu: “Investir em meio ambiente é, definitivamente, uma forma de se melhorar o desempenho econômico/financeiro de qualquer empresa”.
Continua sendo este o pensamento do agora presidente interino da Vale? É o que Brumadinho e Mariana aguardam saber.
A última performance da Brahma em Juatuba
Olha como são as coisas. Seis anos depois que Eduardo Bartolomeo deixou o cargo de diretor de Operações da Ambev, na ”Semana Mundial da Água” deste ano, a fábrica de Juatuba voltou às manchetes. E não mais como o exemplo de sustentabilidade para as demais cervejarias do mundo. Foi o que toda a mídia noticiou: o fechamento da fábrica da Ambev em Minas por falta de... higiene!
Segundo os fiscais do Serviço de Inspeção de Produtor de Origem Vegetal (Sipov), a unidade que fabrica cervejas e chope das marcas Skol, Caracu, Antarctica Sub Zero, Original, Brahma e Serrana nem tinha registro oficial do governo, além de todas as irregularidades encontradas.
Em nota para o mercado, a Ambev, que faz parte da multinacional belga Anheuser-Busch Inbev, explicou que as operações da cervejaria de Juatuba estavam temporariamente suspensas para a realização de pequenas reformas de estrutura”. Nem uma linha, ela informou, do que já foi um dia, de ruim e bom para a natureza e às pessoas à sua volta, além do economicamente viável.
O boulevard engavetado do Arrudas
Nessa mesma época, como forma de também compensar ecologicamente a capital mineira e dar visibilidade à marca Brahma, instalada na Bacia Hidrográfica do Velho Chico, Eduardo Bartolomeo entrou em contato com os ambientalistas e a Prefeitura de BH, por meio da Secretária Municipal de Meio Ambiente. O secretário era o jornalista Paulo Lott. E Célio de Castro, o prefeito.
Bartolomeo prometeu patrocinar os estudos de um projeto ambiental executivo final para a capital dos mineiros, a ex-“Cidade Jardim” do Brasil. E o fez, a um custo, à época, de R$ 150 mil.
Assim nasceu o Projeto de Recuperação Urbana, Ambiental e Paisagística – intitulado “Boulevard do Arrudas” (à dir.) - à semelhança das margens artísticas e floridas do Rio Sena, em Paris, e das “ramblas” de Barcelona. Um sonho que nunca foi realizado por questões politiqueiras.
A entrega oficial do projeto executivo final, com apoio e participação democrática da população, ocorreu festivamente, nas margens poluídas e sem arte do Arrudas, tendo a Igreja de Santa Tereza ao fundo, durante as comemorações de mais um “Dia Mundial do Meio Ambiente”. Bartolomeo financiou e entregou o projeto pronto para a prefeitura que, por questões partidárias, ainda o mantém arquivado, semimorto nas gavetas da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos de BH.
Alô Alexandre Kalil, ressuscita-o!

O amor ao ninho



Simples e emotiva, tal como a natureza que ele amava. Foi assim, no último domingo de março, na Paróquia Santa Rita de Cássia, em BH, a missa realizada pelo padre Toninho em lembrança ao centenário de nascimento do ambientalista Hugo Werneck. Um dos precursores da consciência ecológica na América Latina, é a ele que a Revista Ecológico é dedicada a cada nova lua cheia no céu.

Considerado um dos pais do ambientalismo brasileiro, ele foi o fundador do Centro para a Conservação da Natureza em Minas Gerais, uma das primeiras ONGs do país, cuja sede fixa era o seu concorrido gabinete de dentista no centro de BH. E como sede móvel, uma velha kombi que o levava a procurar passarinhos e se encantar com as borboletas pelos Geraes afora retratadas por Guimarães Rosa. Graças à sua luta, acham-se hoje preservados tanto o Parque Estadual do Rio Doce, no Vale do Aço, considerado a “Amazônia mineira”; quanto o Parque Nacional da Serra do Cipó, entre tantas áreas verdes.
Além da Revista Ecológico, o “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, hoje na sua 10a edição, foi criado para manter viva a sua memória. O ambientalista nasceu no dia 30 de março de 1919 e nos deixou em novembro de 2008, aos 89 anos. Ele acreditava que só o amor, a educação e a democratização da informação ambiental poderiam mudar a atitude do ser humano em relação à natureza. Foi essa a sua mensagem, na forma de um “santinho” com sua foto, que seus familiares distribuíram ao final da cerimônia religiosa, devoto e ajudante da paróquia que ele era. De um lado, a justificativa sutil e maior de sua luta: “Só a beleza do mundo deveria bastar para preservarmos a natureza”. E de outro, a mais colorida: “Imagine se matássemos ou aprisionássemos todas as larvas de borboletas, por serem feias e nocivas nesse estágio? Não existiram borboletas adultas, esvoaçantes em sua beleza, leveza e graça. Não existiram ‘cores que voam’ a nos encantar, como uma criança um dia me ensinou a vê-las”.

Obrigado, mestre!

Em tempo:Reveja alguns dos seus ensinamentos, ao som de “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas!



Missa celebra centenário de Hugo Werneck




Será realizada no próximo domingo, às 10h30, na Paróquia Santa Rita de Cássia
(Rua São Domingos do Prata, 270, bairro São Pedro, Zona Sul de Belo Horizonte)
uma missa em homenagem aos 100 anos de nascimento do “pai do
ambientalismo mineiro”, dr. Hugo Werneck.

Um dos precursores da consciência ecológica na América Latina, ele foi o fundador
do Centro para a Conservação da Natureza, uma das primeiras ONGs do Brasil, e
defensor da criação de importantes áreas verdes de Minas Gerais, como os
parques Nacional da Serra do Cipó e Estadual do Rio Doce.

A Revista Ecológico e o “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”foram criados para manter viva a memória do ambientalista. Dr. Hugo nasceu no dia 30 de março e nos deixou em novembro de 2008, aos 89 anos. E acreditava que só o amor, a informação e a educação ambiental poderiam mudar a atitude do ser humano em
relação à natureza que nos resta.

Para rever alguns dos ensinamentos do mestre Hugo Werneck (que amava as borboletas)
ao som de “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas, assista ao vídeo a seguir:



Os três acertos de MARCELO MATTE

Foto: reprodução / Facebook


Visão de longo alcance. Foi o que demonstrou Marcelo Matte (foto), o novo secretário de Cultura e Turismo do Governo Zema. Além de acertar na recondução apolítica e merecida de Eliane Parreiras à presidência da Fundação Clóvis Salgado (Palácio das Artes), ele anunciou a intenção do Estado de implantar uma linha férrea ligando a Praça da Estação, no coração da capital mineira, ao Inhotim, em Brumadinho. A patrocinadora dessa iniciativa será a Vale, como forma de compensar a tragédia ambiental e antiturística ocorrida no Córrego do Feijão.
Matte foi além. Dentro do “pensar globalmente e agir localmente”, que é o outro nome da sustentabilidade, ele anunciou o fechamento, doravante, do entorno da Praça da Liberdade para o trânsito aos domingos. A ideia é promover atividades culturais abertas ao público. “Não faz sentido” – ele justificou – “uma praça que traz a liberdade no nome estar cheia de cercas”.

A natureza agradece.


O Capitão e o Meio Ambiente


Deu na coluna do Ancelmo Gois, em "O Globo". Até os próprios militares, quem diria, também estão apostando em uma impensável conversão ecológica do presidente Jair Bolsonaro. É o que está pra ser publicado no livro “Para pensar o Exército Brasileiro no Século XXI”, fruto de uma pesquisa feita pelos historiadores Eduardo Raposo, Maria Resende e Sarita Schaffel.

Eles entrevistaram exatos 2.726 oficiais. Destes, 49% se disseram contra a presença das Forças Armadas na repressão ao tráfico de drogas e armas. E, ao contrário de Bolsonaro, 68,5% dos oficiais ouvidos se disseram contrários à diminuição do controle ecológico-ambiental para impulsionar o crescimento econômico do Brasil, o único país com nome de árvore.

O que nos faz crer: depois que o capitão conseguiu trazer o juiz Sérgio Moro e a Operação Lava-Jato para o colo do seu governo, só falta ele convocar as Forças Armadas para a defesa in loco da Amazônia e o que mais nos resta de natureza pátria. Anote aí. Se isso acontecer, o Exército, a Aeronáutica e a Marinha brasileira passariam a ser vistos pela população como "Forças Amadas".

Foto: Alan Santos - PR


Mico desnecessário

A tragédia causada pela Vale em Brumadinho deveria servir para Bolsonaro desconfiar de certos auxiliares seus, como o que o levou a dizer, em Davos, na Suíça, a informação manipulada de que “somos o país que mais preserva o meio ambiente no mundo”. Nunca fomos, infelizmente. Ainda.

No mesmo dia em que rompeu a Barragem do Feijão, o Observatório do Clima, rede de ONGs de combate às mudanças climáticas, publicou uma checagem do que anda dizendo de asneira o diretor da Embrapa Territorial, Evaristo de Miranda.

Espécie de eminência parda de Bolsonaro na área ambiental, ele instiga o novo governo eleito a acreditar que o Brasil é o campeão em áreas ecologicamente protegidas. Não é verdade, presidente. Segundo o Observatório, uma comparação com outros países mostra que, pelo contrário, não temos nada de tão extraordinário no percentual de áreas preservadas. Segundo o Banco Mundial, diz a ONG, “há 51 nações com mais áreas naturais protegidas do que nós”.

Somos, sim, o país que não aprendeu a lição, como os do Primeiro Mundo, hoje sem árvores, rios e ar puro. O Brasil que não conseguiu, isso sim, diante da força da natureza, devastar todo o verde que temos. Ainda.

Reconhecimento merecido

A gerente-geral de Comunicação Corporativa da Usiminas, Ana Gabriela Dias Cardoso, recebeu no fim de novembro, em São Paulo, o prêmio “Comunicadora do Ano” pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). Sempre com um sorriso no rosto e elegante, ela lidera a equipe de comunicação da siderúrgica e foi eleita inicialmente, pela própria entidade, uma das 10 profissionais de maior destaque da área, juntamente com representantes de empresas como Toyota, CNH Industrial, Avon, Vale, Coca-Cola e Samsung. Em uma segunda seleção, foi confirmada, por voto popular, a “Comunicadora do Ano”.



Ana Gabriela é formada em Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e em Jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte, com pós-graduação em Comunicação e Gestão Empresarial pela PUC e em Marketing pela Fundação Dom Cabral. Tem 25 anos de experiência na gestão de Comunicação, Responsabilidade Social e Relações Institucionais, com passagem também pela Gerdau. Parabéns!

O Brasil japonês de Wilson Brummer

Ao ser condecorado com a “Ordem do Sol Nascente”, durante evento em comemoração ao “Dia Nacional do Japão", no salão dourado do Automóvel Clube de BH, o empresário mineiro que, aos 16 anos, já foi frentista de posto de gasolina e se tornou presidente de grandes empresas como Acesita, Vale e Usiminas, deu o seu recado cada dia mais japonês.

Segundo ele, o que ainda nos desafia e difere como país e sociedade já acontece há mais de 30 anos. Foi quando o Japão planejou um novo futuro para si, investindo pra valer na educação de sua população. Some-se a essa visão de longo prazo a preservação de seus princípios e valores tradicionais hoje conhecidos, como sabedoria de vida (não apenas ser inteligente e ter saber técnico), respeito aos mais velhos, ouvir mais que falar, ser polido e cortês no trato com qualquer pessoa.

“São essas virtudes que mais fazem a diferença conosco, acrescidas do respeito venerável à natureza e, por isso, não poluí-la, não sujá-la, vide o que aconteceu na última Copa do Mundo, quando a torcida japonesa, por conta própria, limpou as arquibancadas do estádio ontem estava, após o jogo encerrado. Esse espírito de limpeza volta pra eles mesmos. Eles têm até a alma limpa!” - acrescentou Brummer, atual cônsul honorário do Japão em BH, agradecido por tanto aprendizado humanístico e profissional intercambiado, há vários anos, no país do sol nascente.



“Nosso futuro comum, como estado e país, está no planejamento. Foi o que mais aprendi com os japoneses na área de administração e gestão empresarial. Para eles, planejamento não é carta de intenção, é ação. Sem ação, é assombração. Nesse sentido, Minas não tem de ser a projeção do Japão no Brasil. Mas, sim, o estado brasileiro com mais experiência, cultura e atração para as grandes, médias e pequenas empresas japonesas que queiram instalar aqui.”

A homenagem recebida por Wilson Brummer teve a presença do embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada, e do cônsul-geral honorário do Japão no Rio de Janeiro, Yoshitaka Hoshino.

"Empresário burro"

Após o evento, quando soube que, pela primeira vez na história do "Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade" não houve uma só indicação para a categoria “Melhor Empresário do Ano”, ele respondeu a seu jeito, educado e polido no seu lamento: “É mesmo! Que pena...”.

Wilson Brummer faz parte da história ambiental de Minas e do país. Quando foi presidente da Acesita, já chamada de “A boca do inferno” do Vale do Aço, tamanha poluição atmosférica a céu aberto, nos idos nada ecológicos dos anos 1980, ele protagonizou duas revoluções. A primeira foi prometer publicamente e cumprir que, em um ano, instalaria todos os filtros necessários para a Acesita não mais enegrecer o céu. E assim, devolver o seu azul para o deleite, a saúde e melhor qualidade de vida da população vizinha, incluindo seus empregados e a si mesma.

A segunda revolução foi de pensamento, extensivo a seus pares. Disse ele na data prevista, quando inaugurou a nova, limpa e mais rentável Acesita: “Só empresário burro não gosta de meio ambiente”.