O exemplo de Wuhan


Foto: IStock


Marco zero do novo coronavírus, a cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, na China, proibiu o comércio e consumo de animais silvestres como os morcegos, por cinco anos. A decisão integra as medidas adotadas pelo governo para combater o tráfico de vida selvagem, apontado como um dos propulsores da pandemia da Covid-19. As autoridades locais também vetaram a caça de espécies selvagens, exceto para “pesquisa científica, regulação populacional, monitorização de doenças epidêmicas e outras circunstâncias especiais”. A decisão tem efeito imediato.

Onde está o boulevard de Sabará?





O prefeito de Sabará, Wander Borges, não à toa várias vezes reeleito pela população local, tem uma nova chance de entrar para a história. E ela se chama “Projeto Boulevard de Recuperação Ambiental, Urbanística e Paisagística do Rio Sabará”, que ainda degradado atravessa a cidade. Os estudos para isso existem. Foram financiados pelas empresas Belgo-Mineira (atual ArcelorMittal) e AngloGold Ashanti, ambas sediadas no município. Mas continuam engavetados na prefeitura há várias administrações.

 O dilema é simples e histórico. Ou Wander Borges repete, como todos os ex-prefeitos, a“concertação” tradicional em curso do rio (refazer pontes, levantar muros, voltar com mais asfalto, etc.) arrasado pelas últimas inundações - para o ano que vem acontecer tudo de novo. Ou modifica de maneira revolucionária, ambiental e turístico-social as suas margens, como propõe a inspiração maior do projeto: transformá-las em algo semelhante aos boulevards parisiensesà beira do Rio Sena, e a “Las Ramblas” de Barcelona, na Espanha.

 Detalhe democrático: a autora desse projeto é a própria população de Sabará que, ouvida numa ampla pesquisa de opinião, apontou como gostaria de ver seu rio: limpo, ajardinado, cheio de bancos com caramanchão, praças e pistas públicas de caminhada.

 Repleto de turistas e moradores locais, sem distinção, como naquelas cidades do Primeiro Mundo. E mais dinheiro “ecológico” para a prefeitura mantê-lo despoluído e as crianças poderem brincar novamente nas suas águas.

Com a palavra, o prefeito Wander Borges, que foi quem primeiro sonhou esse sonho, junto com a Revista Ecológico, muitas luas cheias atrás.









Germano se despede da Semad, com direito a lágrimas da natureza

J.D.Vital, representando o diretor-presidente da CBMM, Eduardo Ribeiro, o secretário Germano Vieira, e Antonio Batista, presidente da Fundação Dom Cabral: “Personalidade do Ano” no Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza´2018. Foto: Glaucia Rodrigues

“Nada melhor do que o tempo para avaliar e sinalizar os rumos das nossas vidas”. Foi o que confirmou hoje, à Revista Ecológico, o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas (Semad), Germano Vieira, um dia depois de se encontrar com o governador Romeu Zema, a quem comunicou oficialmente sua vontade de se desligar da pasta. E seus motivos: “a busca de novos desafios”.

Jovem advogado, mestre em Direito Público, especialista em Educação Ambiental e autor de diversos artigos e livros sobre a temática da sustentabilidade, Germano não chegou e se instalou na Semad como um estranho no ninho. Muito menos, como também acontece com a maioria dos políticos e administradores públicos, chegou pensando que a história começava e terminava com ele. Pelo contrário, já ocupava discretamente o posto de secretário-adjunto de Meio Ambiente desde maio de 2016.

Natural de Lavras, ele chegou no estilo daquela canção do Chico Buarque. Chegou tão diferente do jeito de quase todos os que chegam ao poder. E se instalou como o segundo servidor de carreira do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) a assumir a Semad.


Germano e a equipe da linha de frente da Semad na premiação: vibração e pertencimento com a missão. Foto: Glaucia Rodrigues

Com seu jeito simples, transparente e cativante, Germano tornou-se quase unanimidade entre seus pares. Foi aceito e admirado tanto pelo setor produtivo quanto pelos  ambientalistas. E também pelos próprios servidores do Sisema, aos quais dedicou o troféu de “Personalidade do Ano”, recebido em 2018, na 9ª edição do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza, sob o tema florestal de “Chico Mendes a Chico Bento”.
Ao ser perguntado, claro, sobre quem indicou ao governador Zema para substituí-lo no cobiçado cargo, ele recorreu à metáfora poética: “As sucessões, ainda mais na nossa pasta, cuja missão é defender a natureza e o desenvolvimento sustentável, são naturais”.
Na aposta da Ecológico, também por unanimidade entre os ambientalistas ouvidos, dois nomes técnicos da sua equipe disputam naturalmente o cargo. E um deles pode significar, com legitimidade e experiência de vida, Minas ter a sua primeira secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em toda a nossa vanguardista história ambiental.

E Germano mais não disse, além dos seus costumeiros e reconfortantes “muito obrigado” e “fique com Deus”. Ele apenas destacou o fato ecológico, coincidência ou não, de ter chovido ontem em Belo Horizonte, logo após seu encontro com o governador. Um sentido aplauso também da natureza, ao fazer chover em pleno mês de maio quando, tradicionalmente a seca já envia seus sinais.


Está nas mãos de Zema e Paulo Brant, assim como no início desse atual governo, ouvir os ambientalistas. E acertar novamente.

Não podem ter sido em vão, as gotas d'água tão claras caídas ontem do céu da nossa luta e esperança comum.

A covid-19 é o outro nome do nosso desamor ambiental


Saiba, pelo lado da natureza cada vez mais agredida pelo ser humano, o porquê do surgimento de novas pandemias letais, como a Covid-19, segundo os cientistas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma)

O Pnuma pergunta: você sabia que 60% das doenças infecciosas humanas e 75% das doenças infecciosas emergentes que acometem a humanidade são zoonóticas? Leia-se, transmitidas pelos animais que tanto deveríamos amar e preservar, junto à flora natural do planeta?

Alguns exemplos vividos mais recentemente, que devastam o organismo dos humanos tal como as serras elétricas liberadas e incentivadas pelo atual governo federal na Amazônia, já são conhecidos de todos nós. São eles: o Ebola, a Gripe Aviária, a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), o Vírus Nipah, a Febre do Vale Rift, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), a Febre do Nilo Ocidental, o vírus Zika. E, agora, o novo coronavírus – todos eles, não à toa, ligados à errática atividade humana no meio ambiente.

Como confirma o último informe científico do Pnuma, o surto de Ebola na África Ocidental é resultado de perdas florestais. Dos desmatamentos que levaram animais selvagens a se aproximar dos assentamentos humanos.

A Gripe Aviária está relacionada à criação intensiva e desumana de aves. Já o vírus Nipah surgiu devido à intensificação da suinocultura e à insustentável produção de frutas na Malásia.

A interação de seres humanos ou rebanhos com animais selvagens pode nos expor à disseminação de possíveis patógenos. Para muitas zoonoses, os rebanhos servem de ponte epidemiológica entre a vida selvagem e as doenças humanas.

Os fatores determinantes do surgimento de zoonoses são as transformações do meio ambiente – geralmente resultado das atividades humanas, que vão desde a alteração no uso da terra até a crise climática. Das mudanças nos hospedeiros animais e humanos aos patógenos em constante evolução para explorar novos hospedeiros.

Já as doenças associadas aos morcegos, segundo os cientistas, surgiram devido à perda de habitats naturais, leia-se perdas de pedaços cada vez maiores da natureza do planeta. E por causa, principalmente, do avanço do desmatamento e da expansão agrícola e da pecuária extensiva. Como mamíferos, os morcegos desempenham papéis importantes nos ecossistemas, sendo polinizadores noturnos e predadores de insetos.


Integridade ameaçada

A integridade dos ecossistemas, que tanto os ambientalistas parecem pregar em vão, evidencia a saúde e o desenvolvimento humano. As mudanças ambientais induzidas pelo homem modificam a estrutura populacional da vida selvagem e, assim, reduzem a biodiversidade do planeta. Ou seja, resultam em condições ambientais que favorecem determinados hospedeiros, vetores e/ou patógenos.

A integridade dos ambientes naturais também ajuda a controlar as doenças, apoiando a diversidade biológica e dificultando a disseminação, a ampliação e a dominação dos patógenos.

Como atesta o documento assinado pelos cientistas do Pnuma, é impossível a humanidade, refém da própria tragédia ambiental que ela causa sobre a face da Terra, prever de onde ou quando virá o próximo surto.

“Temos cada vez mais evidências sugerindo que esses surtos ou epidemias podem se tornar mais frequentes à medida que o clima continua a mudar. Nunca tivemos tantas oportunidades, como agora, para as doenças, como o coronavírus, passarem de animais selvagens e domésticos para pessoas”, disse a diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen.

Segundo ela, a perda contínua de natureza nos aproximou demasiadamente de animais e plantas, cujas doenças podem ser transmitidas a humanos. “A natureza está em crise, ameaçada pela perda de biodiversidade e de habitats, pelo aquecimento global e pela poluição tóxica.”

Na opinião dela, conhecer, entender e enfrentar a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e nos proteger das futuras ameaças globais requer cuidados emergentes. Tais como gerenciar corretamente os usos de resíduos médicos e químicos perigosos. Administrar, de maneira global e consistente, o meio ambiente e a natureza que nos restam. E nos comprometermos, governantes e governados, com a reconstrução de uma nova sociedade, criando empregos verdes e facilitando a transição para uma economia neutra em carbono.

Por fim, Andersen salientou: “Falhar em agir é falhar com a humanidade”.

Saiba mais: www.nacoesunidas.org/agencia/pnuma

Arrogância Humana

“A natureza não existe fora de nós. Não mora apenas onde há árvore e passarinho. Nós, com as nossas cidades, somos também natureza. O vírus que nos atingiu é parte dessa natureza. Aliás, uma das razões que levaram a desvalorizar o estudo dos vírus foi a nossa visão antropocêntrica do que é importante no mundo natural. Muito pouco sabemos dessa criatura invisível que virou o mundo do avesso. Há uma arrogância de considerarmos importante apenas o que é mais próximo da nossa espécie. Nós quase nada sabemos sobre os vírus e as bactérias. E essas duas entidades são a base da própria vida. As dizemos invisíveis apenas porque não as podemos ver. Chamamos-lhes de microorganismos. Custa-nos admitir, mas quem controla a existência e a evolução da vida são essas criaturas. Não somos nós. Nesse sentido, elas estão mais próximas de Deus do que nós.”

Mia Couto, biólogo e escritor moçambicano

Ângelo Machado, silêncio e recado na natureza



Foto: Arquivo UFMG


A Revista Ecológico registra: não se calou ontem, na capital mineira, aos 85 anos de idade, apenas um cientista, professor, escritor e dramaturgo brilhante. Mas um dos três ambientalistas mais emblemáticos na história de Minas e do Brasil, o professor Ângelo Machado.

Em verdade, ao lado de Hugo Werneck e Célio Valle, seus fiéis companheiros, muito além de lutar pela preservação do meio ambiente que nos resta, Ângelo tinha uma outra arma infalível, quase não usada nos dias atuais: tinha amor pela natureza. Amor pela causa, sempre munido pela ciência e pelo bom humor.

Amava os besouros, as libélulas e as borboletas. Daí o nome da primeira ONG ambientalista da América Latina que esses três mosqueteiros criaram juntos, na alvorada do pensamento ecológico: Centro para a Conservação da Natureza em Minas Gerais, cuja sede em BH era móvel: uma Kombi velha, ambulante e guerreira.

Ângelo era como um escudeiro da natureza, “amante” da beleza e da autossustentabilidade da obra de Deus. Tinha o coração verde, antes de vermelho.

Bastante pragmático pelo lado de cientista e como membro do Conselho Consultivo da Revista Ecológico, ele me sugeriu certa vez que mudássemos o nome do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza” para “& Conservação da Natureza”. O motivo? Soaria piegas num mundo e humanidade cada vez mais sem amor à natureza e a si mesmo.

Talvez ele estivesse certo.
Ilustração LOR

Como integrante do Conselho Curador da Fundação Biodiversitas, participei das várias e últimas reuniões que ele, seriamente acometido por uma doença degenerativa, presidia deitado e em sofrimento no sofá.

Em todas elas, além da ironia de si mesmo e de nunca reclamar, ele deixava escapar a desilusão com o desamor demonstrado tanto pelos governos quanto por empresas, que hoje se dizem sustentáveis. Mas se recusam a apoiar financeiramente a fundação e sua contribuição em prol do desenvolvimento sustentável, a exemplo de tantas outras em estado de penúria.

Ressentia-se, principalmente, de empresas hoje saudáveis e lucrativas, que no passado tanto destruíram a natureza por ignorância e falta de educação ambiental. E agora ainda perguntam por que têm de apoiar a causa ecológica.

Uma pena. Por causa do isolamento social imposto pelo novo coronavírus, eu também não pude me despedir do nosso professor no seu enterro sem amigos nem abraços. Mas me lembrei, como a natureza, de uma frase que o doutor Hugo ouviu de uma criança maravilhada, ao ver uma borboleta voando na Pampulha. A mãe perguntou:

- Você sabe o que ela é?

A criança respondeu:

- Sim. É uma cor que voa!

Assim como Ângelo, que deve estar ‘voando’ mais biodiversificado e produtivo ainda, no céu da nossa esperança, tamanha ciência e amor que ele nos ensinou.

Obrigado, mestre.

“Novo coronavírus é reflexo da degradação ambiental”




A afirmação acima tem valor. E ela não vem calçada somente pelos ambientalistas de plantão. Mas pelos próprios cientistas que integram o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Segundo eles, em seu último relato já disponível na internet sobre a pandemia do novo coronavírus, as doenças transmitidas de animais para seres humanos estão, sim, em ascensão exponencial nunca vista. E pioram cada dia mais, em escala planetária, à medida que os habitats selvagens continuam a ser destruídos pela atividade e ignorância humanas.
Os cientistas sugerem que habitats degradados podem incitar e diversificar todo tipo de doenças, uma vez que os patógenos se espalham facilmente tanto para rebanhos animais quanto entre seres humanos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que o morcego é a provável fonte de transmissão do coronavírus (COVID-19), que está infectando milhares de pessoas em todo o mundo e pressionando a economia global.
Também é possível que o vírus tenha sido transmitido aos seres humanos a partir de outro hospedeiro intermediário, seja um animal doméstico ou selvagem.
Outros transmissores
Os coronavírus são zoonóticos, ou seja, são transmitidos de animais para pessoas. Estudos anteriores constataram que a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, em inglês) foi transmitida de gatos domésticos para seres humanos, enquanto a Síndrome Respiratória do Oriente Médio passou de dromedários para humanos.
De acordo com o vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e médico infectologista, Estevão Portela Nunes, na época da SARS, em 2002, foi a civeta, uma espécie de mamífero asiática, que provocou a transição entre o morcego e o ser humano.
“Agora, o morcego é suspeito de ser a origem do ‘salto’ de 2019. Mas ainda não sabemos que animal funcionou como hospedeiro intermediário até chegar ao homem.”
“Portanto, como regra geral, o consumo de produtos de origem animal crus ou mal cozidos deve ser evitado. Carne crua, leite fresco ou órgãos de animais crus também devem ser manuseados com cuidado para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos”, comunicou a OMS.
A mesma declaração remete a alguns dias antes de a China tomar medidas para coibir o comércio e o consumo de animais silvestres. “Os seres humanos e a natureza fazem parte de um sistema interconectado. A natureza fornece comida, remédios, água, ar e muitos outros benefícios que permitiram às pessoas prosperar”, disse Doreen Robinson, chefe para a Vida Selvagem do Pnuma.
Outras epidemias
O relatório “Fronteiras 2016”, sobre questões emergentes de preocupação ambiental do Pnuma, mostra que as zoonoses ameaçam o desenvolvimento econômico, o bem-estar animal e humano e a integridade dos ecossistemas.
Nos últimos anos, diversas doenças zoonóticas emergentes foram manchetes no mundo inteiro por provocarem ou ameaçarem causar grandes pandemias, como ebola, gripe aviária, febre do Vale do Rift, febre do Nilo Ocidental e zika vírus.
Para impedir o surgimento de zoonoses, é fundamental conter as múltiplas ameaças aos ecossistemas e à vida selvagem, entre elas, a redução e fragmentação de habitats, o comércio ilegal, a poluição e a proliferação de espécies invasoras. E, cada vez mais infernais, as mudanças climáticas que tanto Trump quanto Bolsonaro insistem em negar.
Recado da natureza?
Seria a epidemia do novo coronavírus mais um recado não ouvido da natureza?
Certa vez, perguntei ao clínico-geral e presidente da Oncomed BH, Roberto Fonseca, qual a causa principal do diversificado aumento de cânceres em todo o planeta.
Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia e atual presidente do Conselho Superior da instituição, ele me respondeu de maneira direta, calma e sensível: “Não existe uma causa somente, mas várias. E todas elas se referem à qualidade do meio ambiente onde vivemos, cada vez mais degradado pelo nosso insustentável e predatório modelo de civilização”.
Nem tudo está perdido
Dias desses, voltei a me lembrar do hoje amigo Roberto, ao acessar a palestra do cientista Bruce Lipton, intitulada “A Biologia da Percepção” (ou da “Crença”), no Youtube. Ou seja, o que existe quimicamente lá dentro do funcionamento perfeito do nosso DNA, criado pela mesma natureza para a nossa defesa imunológica. A receita natural e humana, enfim, que temos dentro de nós.
E pode (ainda) nos salvar de quantos novos coronovírus queiram nos ameaçar.
Percepção biológica
Além de antigo, o vídeo de Bruce Lipton é muito científico. Mas, se você, caro leitor e internauta, tiver paciência e conseguir assisti-lo até a metade do segundo tempo, a partir daí verá que existe uma saída para tudo o que está ocorrendo no mundo. Ou seja, que o mestre Guimarães Rosa e até os Beatles tinham razão. Essa esperança (sem spoiler) é a única coisa que trazemos no nosso DNA e pode mudar tudo, incluindo nós mesmos, na nossa errática travessia sobre o planeta.
Conserve-a. E assista!

Convocação empresarial



“Quando a gente divide os nossos sonhos com Deus, eles se realizam mesmo. E eu só tenho a agradecer.” Foi o que confessou o mineiro Leonardo Bortoletto, fundador do Clube de Permuta, ao receber a visita do vice-governador Paulo Brant, em mais um “Segredo do Chef”, no Espaço Meet, em BH. No evento concorrido, que reuniu o mundo empresarial e político para debater as perspectivas econômicas de Minas e do país em 2020, Bortoletto lembrou que, inicialmente, o clube foi criado para estimular trocas entre os empresários, incluindo desde produtos e serviços até bolos e carros de luxo.
Isso foi em 2012, com apenas 12 empresários que acreditaram no negócio. Atualmente, o clube está presente em 21 cidades, de oito estados brasileiros, mais o Distrito Federal, com 1.392 associados e um faturamento recorde de R$ 6 milhões. A surpresa maior foi revelada no final. Ele convocou os empresários presentes a saírem de suas zonas de conforto e se posicionarem politicamente nas eleições deste ano. “Não adianta ficarmos só vendo tudo acontecer, omissos e sem participar da cena política, e depois reclamar do que legislaram para nós.”

A verdade do teflon




Divulgação - Paris Filmes

Você ainda usa panelas e frigideiras de teflon na sua cozinha? Então assista ao filme “O Preço da Verdade”, do original “Dark Waters”, já em cartaz nos cinemas. Baseado numa história real, o conhecido ator Mark Ruffalo (foto) vive um advogado de defesa que confronta a empresa química DuPont para expor um horrível segredo de poluição ambiental. O filme mostra também, com esperança, o que o ativismo e o direito ambiental são capazes de fazer pela nossa salvação ecológica. Que nem tudo, enfim, está perdido. A verdade é como azeite, sempre fica à tona d’água.

O maestro e o primeiro violino

Dois meses depois da cerimônia de entrega do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza´2019, realizada com pompa e elegância na beleza da Sala Minas Gerais, José Israel Vargas e Octávio Elísio Alves de Brito – os dois vencedores na categoria “Ambientalista Histórico” – se encontraram de maneira simples e afetiva.

Promovido pela Revista Ecológico, o encontro se deu em BH, na intimidade do apartamento do primeiro homenageado, ex-secretário de Ciência e Tecnologia no Governo Aureliano Chaves e embaixador do Brasil na Unesco. Aos 92 anos de idade e com a saúde fragilizada, ele não pôde comparecer à premiação.
O segundo homenageado, que lhe entregou o merecido troféu, foi seu fiel escudeiro, ex-secretário de Educação no Governo Tancredo Neves e deputado constituinte com a bandeira da defesa do meio ambiente. Ambos, mestre e discípulo, criadores do Copam, atual Conselho Estadual de Política Ambiental, que inspirou a criação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).
Durante a troca de amabilidades, Octávio Elísio lembrou, com gratidão, que José Israel sempre foi o seu “maestro”. Ao que o professor respondeu, com requinte: “Se fui o seu maestro, você foi e continua sendo o meu primeiro violino”.
Foi assim, em fina sintonia, que eles ‘orquestraram’ a defesa da natureza e do desenvolvimento sustentável. “Se a ciência e a tecnologia foram as grandes responsáveis pela atual degradação ambiental do planeta, por falta de consciência ecológica na época, somente por meio delas será possível recuperá-lo. E assim, garantir a sobrevivência também do gênero humano”, salientou Vargas.
O encontro terminou com um tradicional lanche à mineira: “pão de queijo e café produzido no município de Machado”. E recordações sem fim.